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5/02/2012 6:09

As novelas no clube do Bolinha

João P. Feliciano Aprimoramento Profissional

André Melo e Dayla Borges na sala com os filhos cumprindo a rotina diária em frente à televisão enquanto assistem às novelas

Em 1975, a rotina de Roberto Brito, casado, 46 anos, a partir das 18h, era bem definida. Ele se posicionava em frente à TV e por ali ficava pelas próximas quase cinco horas para assistir às telenovelas transmitidas pela TV Globo. Dessa época, ele se recorda de “Escalada”, novela reproduzida na faixa das oito, horário assim denominado popularmente, estrelada por Susana Vieira e Tarcísio Meira.

O costume acabou por fazer dele um dos noveleiros de Uberlândia. Até hoje, Brito se diverte com os folhetins. E se diverte mesmo, já que o que ele prefere são as novelas das sete no canal da TV Globo, que são carregadas de humor.

A relação de Roberto Brito com a teledramaturgia começou quando ele tomava conta de uma senhora, à noite, que era fã de telenovelas. Segundo ele, havia interação na hora de assistir à TV. “Ela ficava me perguntando coisas e questionando outras do tipo: ‘ah, mas ela não pode beijar ele!’.”

Roberto Brito lê os resumos pela internet

Mas Brito não está sozinho no time de noveleiros uberlandenses. No fim da década de 80, foi a vez de André Melo, casado, 34 anos, render-se às histórias dos folhetins. De acordo com Melo, que ilustra a capa do Revsita de hoje, não havia muita coisa para fazer, ou brincava na rua ou ficava dentro de casa. O que parecia apenas um modo de passar o tempo virou assunto sério. “Hoje em dia, coleciono o que posso sobre autores e curiosidades de novelas. Tenho vários livros do gênero”, afirma Melo, que se diz apaixonado pela teledramaturgia. A novela que marcou o início da admiração de Melo foi “Rainha da Sucata”, com Regina Duarte como protagonista, transmitida pela TV Globo no início dos anos 1990.

A esposa de André Melo, Dayla Borges, 26 anos, fã de games de tiro, não se importa de ter um marido noveleiro. “Tem muito homem que sai para ver futebol, já ele gosta de ficar comigo. Acho isso bom.” Na hora de discutir sobre as novelas, a companheira do noveleiro mais novo entrevistado pelo CORREIO de Uberlândia prefere não opinar muito. Por ser um fã do gênero, Dayla afirma que o que o esposo fala sobre as novelas vira lei dentro de casa.

Outro uberlandense que compõe o grupo de homens admiradores de novelas é o aposentado José Clovis, 61, casado. Clovis se identificou como noveleiro há mais ou menos três anos. “Desde que eu me aposentei, tenho assistido mais, antes assistia eventualmente”, afirmou o mais experiente dos entrevistados, que atualmente assiste à novela ao lado da esposa, assim como o casal André e Dayla faz todas as noites.

Para Sônia Ferreira Alves, 60 anos, aposentada, esposa de José Clovis, o momento em que os dois se reúnem garante um maior companheirismo dentro da relação de casados. “Houve uma época em que só eu assistia às novelas e ele ia dormir mais cedo, hoje nós ficamos juntos.” Segundo Sônia, o marido lê o resumo e mostra o que vai acontecer a ela, e aí eles conversam sobre as histórias contadas pelos folhetins.

Preferência

Após a aposentadoria, Sônia Ferreira e José Clovis se aproximaram devido às novelas

A novela preferida de José Clovis, atualmente, é “Fina Estampa”, pois, para ele, as histórias contadas nesse horário falam sobre temas atuais do cotidiano. O que, de acordo com a redatora e linguista Daniela Jakubaszko, com mestrado em Ficção Televisiva e doutorado em Produção de Sentido pela Universidade de São Paulo (USP), é um dos principais fatores que levam os homens à frente da TV para assistir à novela. “Antes, as histórias atingiam mais as mulheres, depois os temas abrangeram a família e os homens também”, disse ela, que desenvolveu um estudo sobre a construção dos sentidos da masculinidade nas telenovelas brasileiras.

A inserção de cenas de ação foi uma das mudanças ocorridas ao longo dos anos que atraiu a atenção dos homens para as novelas. Para Reinaldo Luis Mendonça, 40, casado, essas são as melhores partes dos títulos a que assiste. A respeito dessa preferência, Daniela Jakubaszko afirma que a novela “A Favorita”, exibida entre 2008 e 2009 pela TV Globo, trouxe um ar mais policial e é um bom exemplo de novela que interessa ao público masculino.

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  • Leandro Cardoso disse:7/2/2012 16:20:52

    Muito boa essa matéria!!
    Que não se lembra do “sinhozinho malta”, “Bruno Mezenga”, “Tião Galinha”, “Sasá Mutema” e tantos outros que nos fizeram esquecer da correria diária e grudar o olho na telinha, ou até mesmo os que nos fizeram ter raiva, como: Odete Roitman (Beatriz Segall), Nazaré (Renata Sorrah), Maria de Fátima (Glória Pires) e Marcos (Dan Stulbach). Novela é cultura.

    Responder

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