Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
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Talvez você não tenha ouvido falar em Fernanda Fernandes Saddy, mas provavelmente já a escutou em ação, fazendo as vozes de personagens de filmes e desenhos animados famosos como Sheyla, da “Caverna do Dragão”, Kim, do desenho “Kim Possible” ou Audrey Tautou em “O Código Da Vinci”. Uma palestra com a carioca, que faz dublagens desde os 12 anos de idade, integra a programação da Convenção de Animes e Tokusatsus de Uberlândia (Catsu) que acontece hoje e amanhã.
A dubladora, que também é atriz, diretora de dublagem e locutora, e é conhecida pelo nome artístico Fernanda Baronne, é uma das atrações de hoje do quadro “Quem Dubla”. Outros profissionais da área, como Flávio Dias, dublador do personagem Pernalonga, Ionei Silva (Mestre dos Magos – “Caverna do Dragão), Tânia Gaidarji (Bulma – “Dragon Ball”) e Marcos Ribeiro (Yusuke – “Yu Yu Hakusho”) se apresentaram em edições anteriores da convenção.
A profissional, vencedora do Prêmio Yamato, o “Oscar da Dublagem” pelo trabalho em “Kim Possible”, contou ao CORREIO de Uberlândia como iniciou sua carreira e deu dicas para quem pensa em ingressar no ramo.
Ping-pong
CORREIO DE UBERLÂNDIA: Você vem de uma família de artistas: sua mãe e uma irmã são dubladoras e sua avó foi uma famosa cantora de rádio nos anos 40. Isso ajudou você a escolher a sua carreira?
FERNANDA BARONNE: “Nasci” dentro do estúdio, praticamente. A influência se deve à admiração que eu e minha irmã sempre tivemos pelo trabalho da nossa mãe, mas ela foi imparcial e só nos incentivou a seguir carreira quando ficou claro que escolhemos isso. Desde pequena eu queria ser atriz e assim foi.
Como foi sua formação para entrar no meio?
Comecei a fazer teatro e a dublar com 12 anos. Crianças podem dublar sem experiência prévia (ao contrário de adultos, que precisam ter o registro profissional de ator), e assim eu comecei. Fazia teatro amador também. Quando entrei na faculdade de jornalismo em 1996, comecei a fazer um curso profissionalizante de teatro e em 2000 eu me formei pela Escola Estadual de Teatro Martins Pena.
Quais foram seus primeiros trabalhos?
Meus primeiros trabalhos não tiverem muita expressão. O primeiro significativo foi a dublagem da novela mexicana Carrossel, em 1990, se não me engano. Eu estava com 12 anos e fazia a personagem Valéria.
Qual foi o papel/dublagem que acredita ter dado início a sua maior projeção na área? Por quê?
Não acho que haja um papel específico, embora a participação como Vampira nos desenhos “X-Men”, “X-men Evolution” e nos filmes das franquias sempre façam sucesso com pessoas de todas as idades. Acho que depende do público e do que a pessoa costuma assistir. Quando me perguntam o que eu dublo eu respondo “O que você assiste?”, assim fica mais fácil de pensar em alguma coisa que a pessoa conheça. Alguns trabalhos marcantes: Jennifer Garner (“Alias”/ “Elektra”/ entre outros filmes), Charlize Theron (“Regras da Vida”, “Hancock”, “Homens de Honra”), Emily Blunt (“Lobisomem”), Cinderella (“Cinderella” 2 e 3 – Disney), Sam (“Tá Chovendo Hamburguer”), Vanessa (“Bee Movie”) (Vanessa), entre muitos outros.
Existem muitas diferenças ao dublar uma atriz de filme e um personagem de desenho animado ou anime?
Não. Porque quanto mais real você fizer uma personagem de um desenho, melhor ele vai ficar, mas se a personagem for muito caricata, é completamente diferente. Eu gosto de ambos, assim como gosto de fazer drama e comédia.
Você recebe muitos convites para participar de convenção de animes e seriados? Como dubladora, é reconhecida por fãs?
Já recebi lisonjeada alguns convites. Costumo ser “reconhecida” quando estou em lojas. Antigamente, quando a profissão era menos divulgada, as pessoas simplesmente diziam que tinham a sensação de me conhecer de algum lugar. Hoje já perguntam direto se eu sou dubladora. Fico feliz quando isso acontece! As pessoas costumam ser bem carinhosas.
É possível conciliar vida pessoal com o trabalho, uma vez que tem que estar à disposição dos estúdios?
Sim. Basta saber organizar a agenda. É um pouco mais complicado para tirar férias de mais de 15 dias, mas não é impossível.
O que achou de ser convidada para a Catsu e qual a sua expectativa?
Já tinha ouvido falar da Catsu e fiquei muito feliz com o convite. Estou ansiosa em participar.
Para quem pensa em entrar para o meio, qual é o caminho? O que deve fazer?
Se tiver menos de 14 anos, é bom procurar um curso de dublagem para ver se gosta e se leva jeito. A partir de 14 anos, além do curso de dublagem, é necessário ter registro profissional de ator e para isso a pessoa pode procurar uma faculdade ou um curso profissionalizante. O teatro é a essência da dublagem, da TV, do cinema… Essa base é importante para ser um ator completo. Dublar é bem mais difícil do que aparenta porque só temos a nossa voz e por meio dela temos que conseguir traduzir o que aquele ator expressou com todos os seus instrumentos (voz, corpo, expressão facial).
Geisa
Há 20 anos no ramo de dublagens com diversas participações em desenhos da Disney e seriados, a atriz e cantora Geisa Vidal se divide entre os trabalhos no Rio de Janeiro e a vida com a família em Uberlândia.
A dubladora que tem contrato fixo com os estúdios Herbert Richers e VTI (RJ), e faz diversos outros trabalhos ocasionais, afirmou que o modelo de trabalho está se modificando com as novas tecnologias. “Antes vários dubladores gravavam ao mesmo tempo e se um errasse, todos tinham que repetir. Era mais cansativo.
Atualmente já gravamos sozinhos e existem facilidades na edição”, disse. Apesar das facilidades, o mercado continua restrito. “É difícil trocarem as vozes de uma personagem que já é padrão. Novos dubladores precisam de paciência para chegarem a ser conhecidos por um diretor de dublagem e então começar com pequenos trabalhos”, afirmou.
Para entrar para o ramo de dublagem:
- Antes de dublar é preciso atuar. A voz é utilizada para fazer uma reinterpretação do personagem em outra língua, então é um dos pré-requisitos da profissão cursar artes cênicas (graduação) ou teatro (profissionalizante). A dica é consultar o Sindicato dos Artistas para ter a lista dos cursos indicados para se tirar o registro. O curso leva em média 3 anos.
- Buscar cursos de especialização para atores. Alguns específicos, nos quais se aprende postura diante do microfone, técnicas de respiração, dicção e sincronismo labial, podem ser encontrados nos sindicatos da categoria através dos sites Satedsp e Satedrj ou no site Curso de Dublagem.
- A área de atuação contempla estúdios de dublagem, trabalhando em filmes de cinema, home-videos, desenhos animados, seriados e novelas
- Pontualidade e disponibilidade é fundamental. O ator é chamado pelo estúdio sem contato prévio com o material a ser dublado e precisa terminar tudo no horário estabelecido.
- O mercado é restrito. O profissional pode ser empregado fixo de um estúdio ou trabalhar como ocasional, ganhando por hora de trabalho em ambos os casos
- O piso da profissão é de cerca de R$ 55 reais por hora de trabalho
e pode chegar a cerca de R$ 10 mil por mês, caso se acumule a função de diretor de dublagem.
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