Rafael Farnezi

Triathlon está no sangue. É algo que ninguém pode tirar de mim

Diário de um Triatleta Relatos e dicas de um triatleta e educador físico relacionados ao Triathlon, natação, ciclismo, corrida e saúde

28/05/2012 18:01

Ironman Brasil

Educador Físico

Há alguns anos o furacão chamado Ironman vem tomando proporções cada vez mais grandiosas. O que esse evento tem feito na vida dos atletas e não somente dos atletas, mas de todos os que os cercam, é impossível expressar somente com palavras.

Esse nome, essa marca, essa prova, essa distância chamada e amada por muitos de Ironman já deixou de ser, há muito tempo, uma simples prova de Triathlon que desafia os limites de todos que o encaram. Vejo o Ironman hoje como uma forma de levar a vida, um jeito diferente de enxergar e encarar a realidade. Tenho total certeza de que quem já fez parte desse furacão mudou totalmente a forma de ser e agir.

O Ironman vai muito além de tempos, colocações e disputas interpessoais. Aos que passaram por isso conquistam um autoconhecimento e uma confiança em cima de si mesmos, inacreditáveis. Poucos de nós sabemos realmente até onde podemos chegar, o quanto nosso corpo aguenta e o quanto podemos acreditar nele, até o momento que uma situação como o Ironman faz com que você entre em uma sintonia absurdamente fina entre você e você mesmo, ao ponto de descobrirmos até onde realmente podemos ir.

Ontem foi o dia que esse furacão passou pela vida de muitas pessoas, aproximadamente duas mil. Tive a felicidade de presenciar mais uma vez a maior explosão de energia e alto astral criada de forma natural pelo ser humano, uma máquina que faz mágica e fazem muitos (eu me incluo nessa) chorarem como crianças contagiadas por essa magia.

O local atingido por esse furacão foi Florianópolis-SC, uma ilha que por uma semana torna-se o centro das atenções de milhares de pessoas de várias partes do mundo, 38 para ser mais exato.

A largada, o momento mais esperado e mais tenso, é de uma beleza imensurável, cada um dos dois mil atletas carrega consigo toda uma história de luta e muito sacrifício para estar ali. O sinal que dá início a esse espetáculo vem junto com o sol, que aparece no horizonte e reflete sua luz no mar exatamente no momento em que todos entram na água para cumprirem a distância de 3.800m. Muitos nadam rápido, muitos nem tanto, mas o que mais importa para a maioria nesse dia é o simples fato de estar ali fazendo isso.

Após a natação, já com o dia claro, depois de saírem da água é hora de partir para os 180 km de ciclismo, uma briga com o vento e em alguns casos com o tempo. As ruas da ilha ficam dominadas por bicicletas, e por sonhos que ganham muita velocidade nessa hora. Alguns passam ilesos, mas outros infelizmente sofrem acidentes. Desistir? Na maioria das vezes não.  É comum ver atletas seguindo em frente mostrando e dando o sangue literalmente, mas infelizmente, totalmente contrário à vontade de alguns, o sonho acaba sendo adiado.

Após longas horas em cima de uma bicicleta, que costuma ser a companheira mais próxima de todos que estão ali, é a hora da mais dura batalha do dia, correr os últimos 42 km. É nessa parte do dia que a batalha interna começa, é nessa parte que muitos passam a questionar até onde conseguem ir e é também nessa parte que as maiores provações acontecem. É durante esse longo e desgastante trecho de corrida, que descobrimos o quanto realmente somos capazes quando queremos alguma coisa de verdade, e aqueles que conseguem mostrar para si que realmente fizeram por merecer conquistam o momento mais esperado, cruzar o pórtico de chegada e escutar o locutor anunciando, “You’re na Ironman.”.

Missão comprida, missão cumprida! A todos os atletas e guerreiros, PARABÉNS!!!

Acesse também meu site, rafaelfarnezi, e siga-me no twitter, @faelpreto.

Grande abraço a todos!

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. Raquel disse:28/05/12 19:16

    A emoção transmitida na foto da chegada da Andréia Lemagrante resume tudo! Simplesmente ensacional!

    Responder