Uberlândia no caminho do planejamento
Nos últimos dias, foi noticiada a chegada de um grupo de jogadores ao Uberlândia Esporte ligado ao Nacional, atual campeão amazonense. Esses jogadores teriam sido emprestados ao Verdão e eles voltariam ao final da Taça Minas Gerais para o Norte do país, independentemente do desempenho. Felizmente, a diretoria mineira desmentiu a notícia.
Seria um absurdo. A diretoria tomar por empréstimo jogadores de um mercado tão distante, assumindo a responsabilidade por lesões, salários e outros custos sem a possibilidade de manter o grupo para a Taça Minas, caso este faça uma boa campanha. Cada vez mais, inclusive no Brasil, temos assistido a conquistas atingidas depois de as diretorias dos clubes bancarem comissões técnicas e trabalhos mesmo depois de derrotas significativas. Não é que o Verdão precisa adotar essa medida independentemente de qualquer resultado.
Mas a diretoria precisa começar a pensar o clube nos próximos anos. Pensar como vai estar o Verdão em 2020, por exemplo. Montar um planejamento estratégico. Afinal, quase todos os diretores do clube são empresários. E certamente é assim que eles administram seus negócios. Pensando não simplesmente no hoje ou no amanhã, mas em crescer, se desenvolver e ampliar. O torcedor está cansado de ver o time subir e cair a cada temporada seguinte. Futebol é negócio e não importa o tamanho do clube. Temos pequenas e grandes empresas, mas o foco é o mesmo: o lucro, prosperar. Assim deve ser no futebol, com pequenas e grandes empresas. E tal como uma empresa, mesmo que de pequeno porte, requer planejamento de curto, médio e, principalmente, de longo prazo. A emoção e a paixão ficam com o torcedor.
A culpa é do treinador
Cada vez que eu ouço, assisto ou leio algum treinador, sobretudo de seleção nacional, dizendo que conta com o envolvimento da torcida e da imprensa em prol de um título, me mato de rir. Dizer que a imprensa jogou contra é uma desculpa esfarrapada usada no pós-eliminação.
Jornalista não entra em campo. Até porque a maioria é perna de pau. Como se uma matéria publicada dizendo: “Mano terá dificuldades para alcançar o ouro” fosse determinante para um resultado inesperado em campo. E fora de campo, a assessoria de imprensa da CBF blinda de tal maneira a comissão técnica e jogadores que fica difícil até se aproximar dos atletas.
Quem convoca, escala e faz as mudanças é o treinador, ou pelo menos deveria ser. Portanto, por mais que a imprensa fale mal, aponte supostas falhas e seja injusta, no final das contas a derrota vai para a conta do treinador, jogadores e, no caso atual da seleção, do diretor de seleção, Andres Sanches, que eu espero que esteja bem longe da seleção durante a Copa do Mundo.
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