Rogério Tadeu

Direto ao Ponto

22 de maio de 2013 9:07

Show de basquete e público

Show. Não há outra palavra para expressar com maior fidelidade o desempenho da equipe de Uberlândia na semifinal do Campeonato Nacional de Basquete, o NBB. O sonoro 3 a 0 na série semifinal contra o Bauru carimbou com propriedade a passagem da equipe para a decisão da edição 2012/2013 da competição.

Flamengo e São José, que fazem a outra semifinal, se enfrentam amanhã, em São Paulo, para tentar fechar a série, que está 2 a 1 em favor dos cariocas. A torcida é para que a disputa pela última vaga na final se arraste até o quinto jogo, aumentando assim o desgaste das duas equipes.

Comparando o elenco e o desempenho ao longo da competição, os rubro-negros são favoritos, mas bem que a senhora zebra poderia dar as caras e aprontar das suas. Para o Uberlândia, enfrentar o São José seria melhor por dois motivos. O primeiro é pela qualidade técnica inferior dos paulistas; e segundo pelo fato de que a decisão – jogada em apenas uma partida – seria no Sabiazinho, com o apoio total da torcida, um espetáculo à parte na fase semifinal.

Mais de 10 mil pessoas, nas duas partidas contra o Bauru, muito mais do que o público total do Uberlândia Esporte durante as cinco partidas no Módulo II do Campeonato Mineiro de 2013, quando a média nos confrontos pela primeira fase não superou 1,5 mil torcedores pagantes. O que mostra que aquela velha história contada para boi dormir de que o torcedor de Uberlândia não apoia o Verdão é uma grande balela.

Assim como no restante do Brasil, torcedor precisa de motivação para ir ao campo ou ao ginásio, ou seja, basta o Uberlândia Esporte montar um time forte que as arquibancadas do Parque do Sabiá passarão a receber um bom público. Agora, crucificar o torcedor porque ele não foi apoiar o time no empate contra a Patrocinense é um baita desaforo.

Voltando ao basquete, o time de Uberlândia aguarda a definição de seu adversário na final de um jogo só. Um absurdo, do ponto de vista esportivo, exigência da TV que tem o direito de transmissão, para acomodar melhor o evento na sua grade. Falta de pensar um pouco. Ou alguém vai dizer que uma final entre Uberlândia e Flamengo (caso seja confirmado o favoritismo), disputada nos mesmos moldes da semifinal (melhor de cinco jogos), não se mostraria, em todos os jogos da série, um evento altamente rentável?! Parafraseando uma pessoa muito próxima: “vamos brincar de pensar um pouco.”

15 de maio de 2013 9:23

Aposta na juventude

Ronaldinho Gaúcho estava voando em campo neste primeiro semestre com a camisa do Atlético. Tanto na Copa Libertadores quanto no Campeonato Mineiro – sobretudo no primeiro jogo da decisão contra o Cruzeiro –, o jogador voou baixo e fez o torcedor lembrar, em vários momentos, do Ronaldinho dos tempos do Barcelona.
Pelo que fez nas últimas partidas, principalmente, merecia estar na lista de Luiz Felipe Scolari, anunciada ontem para a Copa das Confederações. Mas esta não foi a única surpresa da convocação. Outro nome que era certo, inclusive como titular, era o de Ramires. O meia do Chelsea foi lembrado por Felipão em todas as convocações de estrangeiros.

Durante a coletiva, Felipão evitou falar das ausências. Mas a justificativa é que ele se irritou com a indisciplina dos dois jogadores e, por isso, os deixou de fora. Ambos se apresentaram com atraso em amistosos.

Já vi essa história antes. Em 2010, por pirraça, Dunga deixou de convocar Ganso e Neymar para a Copa do Mundo da África, mesmo com o Brasil todo pedindo. Ganso vivia seu melhor momento na carreira. Como resultado, caiu sobre a cabeça dura de Dunga a responsabilidade pela eliminação precoce diante da Holanda.
Agora, Felipão faz uma opção clara por um time mais jovem, visando muito mais à Copa do Mundo do que, necessariamente, à Copa das Confederações. Pressão total em cima de Neymar, que terá a última chance para finalmente desabrochar com a camisa da seleção ou murchar e cair em descrédito absoluto aos olhos do torcedor.

Enfim, foi uma escolha arrojada de Felipão. Pois, se tivesse convocado alguns medalhões, na hipótese de o time naufragar, poderia ele promover uma renovação e assim mexer com o ânimo do torcedor e do time. É esperar para ver até que ponto tantos garotos vão fazer a diferença.

8 de maio de 2013 10:31

É o fim da era Ney Franco?

A quarta-feira deve significar um pouco mais do que o fim da Copa Libertadores para o São Paulo. Caso a eliminação diante do Atlético seja confirmada, hoje, no Estádio Independência, o técnico Ney Franco não deverá seguir à frente do navio tricolor.

A eliminação frente aos mineiros, a segunda em menos de cinco dias, já que no domingo o São Paulo caiu diante do Corinthians na semifinal do Paulistão, não será digerida com facilidade pelos mandachuvas tricolores. Não haverá antiácido que dê jeito.

E perder o treinador após a dupla eliminação, caso realmente aconteça, a dias da estreia no Brasileirão, não é para o tricolor o fundo do poço. Estes fatos servem para deixar claro que o São Paulo – que sempre se gabou por ser um clube de planejamento – segue em formação e sem uma base consistente para quem chegará, ou mesmo para Ney, caso continue.

E olha que a desculpa não pode ser a falta de dinheiro. No segundo semestre de 2012, o clube encheu os cofres após vender o meia-atacante Lucas por R$ 108 milhões e receber, à vista, R$ 81 milhões. A diferença ficou com o jogador e com seus representantes. O dinheiro foi muito mal aproveitado. Comprou Ganso, trouxe o veterano e grosso zagueiro Lúcio, e outros nomes de menor expressão.

Ganso chegou, não foi bem recebido pelo restante do plantel, demorou para engrenar e mesmo agora, quase oito meses após ter chegado, ainda não convenceu. Lúcio, em seu último suspiro na carreira, não só não ajudou como deveria o São Paulo, como foi determinante para a derrota em casa, na última semana, por 2 a 1, ao ser expulso ainda no primeiro tempo. Alguém deveria ter contado a ele que “muito ajuda quem não atrapalha”.

Enfim, o combalido barco tricolor de Ney Franco está a 90 minutos – como esteve antes da última rodada da primeira fase – para ganhar mais um soprinho de esperança ou naufragar de vez e se enterrar junto com o primeiro semestre de 2013 e em águas bastante profundas.

Euforia

Do lado do Atlético, a euforia não poderia ser maior. Por Belo Horizonte, ontem, na véspera do jogo, já era possível ver a confiança do torcedor ganhando as ruas e as casas, seja pela empolgação do taxista ao ser perguntando sobre o jogo, pelo grande número de torcedores uniformizados ou pelas muitas bandeiras já hasteadas em várias casas.

Mas é preciso ter cautela. Já assisti, ao vivo, não faz muito tempo uma história bem parecida acontecer nesta mesma cidade, e pela mesma competição sul-americana, quando um certo Estudiantes chegou a Minas Gerais derrotado e saiu consagrado.