Adelaide de Castro fala sobre as dificuldades iniciais de sua carreira
Por trás do jeito tímido e delicado de Adelaide de Castro esconde-se uma atriz de fibra. Natural de Três Corações, interior de Minas Gerais, aos 18 anos, ela deixou a casa da mãe para estudar teatro no Rio de Janeiro. Com apenas uma mochila nas costas e um saxofone na mão, Adelaide enfrentou sérias dificuldades financeiras e a alta competitividade da carreira. “Foram momentos difíceis. Mas a minha vontade de vencer era muito maior. As coisas começaram a mudar quando passei no teste para a peça ‘Clandestinos’”, disse a jovem de 22 anos recém-completados. O trabalho ao lado de outros novos atores, sob o comando do diretor João Falcão, foi além das expectativas. O espetáculo foi adaptado para a tevê em 2010. E, logo no primeiro episódio, contou a história de uma jovem mineira que, na tentativa de conseguir qualquer trocado para sobreviver, começa a tocar seu sax em uma rodoviária. “Foi engraçado ver minha história na série. Era a primeira vez que eu fazia tevê e fiquei apaixonada. É muito bom estar de volta”, afirmou a intérprete da jovem Tati, de “Amor Eterno Amor”.
O trabalho de Adelaide na atual novela das seis foi influenciado por seu desempenho em “Clandestinos – O Sonho Começou”. O diretor da trama, Rogério Gomes, gostou da série e a indicou para a seleção de elenco de “Morde & Assopra”, de 2011, mas ela não passou. No início deste ano, a atriz se surpreendeu com o chamado para um novo teste, agora para a trama de tons espíritas assinada por Elizabeth Jhin. Na história, Tati é filha da vaidosa Jáqui, de Suzy Rêgo, e funciona como um contraponto aos exageros da mãe. “Minha personagem se incomoda com a futilidade da mãe e tem certa implicância com o padrasto, coisas típicas de uma jovem de 15 anos”, disse Adelaide, referindo-se a Kleber, personagem de Marcelo Faria. Com a novela ambientada no Rio de Janeiro, a maior dificuldade da atriz foi neutralizar seu forte sotaque mineiro. Sem a ajuda de fonoaudiólogos ou preparadores de elenco, Adelaide apostou na intuição e na ajuda de seus amigos cariocas. “Sempre fui muito por minha conta. Fiquei observado o gestual e a fala dos meus amigos. Quando tenho alguma dúvida de sotaque, ligo para um deles e peço para ficar repetindo a palavra”, afirmou, aos risos.
Autodidata no saxofone e no piano – ela agora quer aprender a tocar violão –, Adelaide sempre manteve uma íntima relação com a música. “Aprendi os instrumentos a partir da minha curiosidade. As melodias me dão inspiração, é um complemento para minha atuação”, disse. Inclusive, durante muito tempo, ela tocou em bandas e festas da região, até que conheceu o Pedalarte, projeto social promovido pelo cineasta Bráz Chediak, que ensina arte dramática, interpretação de textos e expressão corporal a crianças carentes. “Foi onde me encontrei. Tive de ser forte para não desviar do meu caminho em direção ao teatro. Minha mãe sempre me apoiou, mas meu pai queria que eu ingressasse na Polícia Militar”, afirmou, entre risos.
Atualmente, mais íntima dos detalhes técnicos da tevê, Adelaide segue uma rigorosa disciplina para decorar os textos e chegar ao gestual de menina construído para dar vida à Tati. Inclusive, interpretar uma personagem sete anos mais nova, é motivo de orgulho e diversão para a atriz. “Com uma maquiagem suave, posso fazer garotinhas. Se carregar nos traços, posso ser alguém mais experiente. Gosto de ter essa versatilidade. No caso da Tati, acho legal reviver algumas coisas que aconteceram quando eu tinha 15 anos”, disse a atriz, que voltou a morar em Três Corações e agora fica na ponte aérea para gravar a novela. “Se um contrato com a Globo ou outras oportunidades surgirem, posso ter a chance de voltar a morar no Rio. No momento, não quero pensar no depois, estou focada em dar o meu melhor nas cenas de ‘Amor Eterno Amor’”, afirmou.

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