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Entretenimento

Com “O Gato Sommelier”, escritor mineiro explora cotidiano com ironia

Livros de contos têm, quase sempre, a característica de explorar o cotidiano, o ordinário. Com “O Gato Sommelier” (Assis Ed., 159 páginas, R$ 25), de Luiz Duarte, não é diferente. O autor conta histórias de pessoas comuns e seus desdobramentos que, por vezes, acabam se tornando extraordinários. Tudo isso munido de uma ironia e humor, por vezes, bem ácidos.

Em seus 27 contos, o autor brinca com as dinâmicas de relacionamentos, critica a inércia da sociedade frente aos problemas atuais, discute sobre a veracidade ou não de valores considerados imprescindíveis e expõe a tão malfadada hipocrisia. Esta última, explorada à exaustão e exposta, nua e crua, com uma ironia fina repleta de talento.

“O Gato Sommelier” não tem vergonha de ser uberlandense. Apesar de não dizer claramente os nomes dos locais onde algumas de suas histórias se desenrolam, Duarte cita lugares e empresas que, sim, poderiam existir em qualquer cidade brasileira, sendo logo decifradas por aqueles que prestam atenção no cotidiano de Uberlândia. O texto também reflete o interior de Minas, com maneirismos e marcações orais que remetem ao linguajar falado pelos moradores da região do Triângulo Mineiro.

Luiz Duarte autografa um exemplar de “O Gato Sommelier” durante o lançamento do livro que aconteceu no último dia 15 no Sesc (Foto: Assis Editora)

Luiz Duarte autografa um exemplar de “O Gato Sommelier” durante o lançamento do livro que aconteceu no último dia 15 no Sesc (Foto: Assis Editora)

Os personagens das histórias, por vezes se repetem, criando interligações entre os diferentes contos. Mas há alguns que surpreendem o leitor, como em um determinado conto no qual descobrimos que um dos protagonistas é ninguém mais, ninguém menos, que um dos grandes personagens da história mundial moderna (o qual não revelarei para não estragar a surpresa).

As narrativas de Duarte tecem a grande teia de relações da sociedade, contrastando o novo com o antigo, o certo com o errado, o drama com o humor, sempre trazendo um final inesperado. É interessante notar a estratégia de aguçar a curiosidade do leitor, que deve ler mais da metade do livro até descobrir o que é o tal gato sommelier que dá nome à obra.

Nota-se que o autor trata suas histórias com o carinho de um pai, que as nina e acalenta com cuidado até que tenham força nas pernas para caminhar por si próprias e ganharem o mundo.

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