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Costumes gaúchos sobrevivem aos tempos modernos

Grupo de Arte Nativa Ivi Maraé veio de São Leopoldo (RS)

Vários aspectos da cultura gaúcha são apresentados na feira Minas Tchê, que termina hoje, em Uberlândia. Os elementos tradicionais do Rio Grande do Sul que despertam a atenção de visitantes como a cuia do chimarrão, vestimentas, o churrasco e as danças são motivo de orgulho para os gaúchos e recebem atenção especial em Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).

Ao definir o que é a própria cultura, os rio-grandenses-do-sul não fogem dos estereótipos e assumem que a combinação chimarrão, churrasco e pilcha (indumentárias específicas) resume os principais pontos, conforme disse o fotógrafo natural de Porto Alegre, Antenor Tatsch. O gaúcho, que não sai de casa sem a bombacha, trabalha desde 2008 retratando os costumes e tradições do próprio Estado. Embora seja pioneiro no campo da fotografia, ele afirma que a preocupação de manter a cultura fortalecida é grande. “Lutamos para preservar a nossa cultura, tanto que nos CTGs só usamos trajes típicos, temos regras para as danças, não permitimos calça jeans, boné, mulher não pode usar saia curta, ninguém fuma”, afirmou.

Os CTGs funcionam como pontos de formação, multiplicação e centralização cultural e a participação dos filhos é incentivada pelos pais desde cedo. No local, o significado dos símbolos tradicionais é ensinado, além das danças típicas e o hino do Estado. “Todo mundo conhece o hino e ele, muitas vezes, é tocado antes do Hino Nacional”, disse Juliana Rodrigues, do Grupo de Arte Nativa Ivi Maraé, de São Leopoldo-RS.

Presente pela primeira vez em Uberlândia na Minas Tchê, o grupo opta há 14 anos por repassar as tradições por meio da arte. Pelo menos 22 danças e ritmos diferentes herdados da Europa, como a Chula e o Tatu de Castanhola, servem para teatralizar os episódios da história do Estado. “Vemos nos bailes quatro gerações em um mesmo lugar. Isso é raro em outras culturas”, disse o dançarino Jeferson Ennes.

Costumes dentro e fora de casa

Fotógrafo Antenor Tatsch vê diferença entre gaúchos

Apesar de o chimarrão e trajes típicos serem fortes elementos da cultura gaúcha, outros detalhes são usuais entre os moradores do Rio Grande do Sul e podem passar despercebidos aos olhos de quem não vive por lá. Com influências indígenas e europeias, a cultura é rica em simbologias presentes até na forma de cumprimento. Um deles, herdado do período da Guerra dos Farrapos (1835 a 1845), servia para verificar se não havia facas escondidas sob as mangas da camisa ou na região do peito, mas perdura até hoje. O vendedor de produtos tradicionais e gaúcho André Acosta afirma que o jeito gaúcho de ser diz respeito ao patriotismo. Ele relembra que a essência do seu povo é de índios e do homem do campo e que muitos costumes vieram daí. “O chimarrão é de origem indígena e nos formamos por meio da agricultura e pecuária. Isso se reflete nas roupas e outros maneirismos”, disse.

O metalúrgico Carlos Zanella, gaúcho de Guaporé que vive em Uberlândia há cinco anos, não perde o hábito de tomar chimarrão e fazer churrasco aos fins de semana. As duas enteadas que ele tem como filhas do casamento com uma mineira são educadas dentro das tradições gaúchas, apesar de o CTG da cidade não ser muito atuante, segundo ele. “A cidade recebe bem, mas vemos diferenças. O chimarrão lá une vizinhos nas rodas, aqui tem vizinho que nem cumprimenta a gente”, disse.

Veja a galeria de fotos com o passo a passo para preparar um chimarrão.

Existe diferença entre viver e representar a cultura

Encontro de dois gaúchos: o vendedor André Acosta e o fotógrafo Antenor Tatsch

A modernidade dividiu os rio-grandenses-do-sul em gaúchos de apartamento e gaúchos do campo. O fenômeno é observado pelo fotógrafo Antenor Tatsch. Segundo ele, dentre a população do campo, os costumes ainda se mantêm fortes, enquanto na porção urbana, as pessoas têm se restringido a utilizar as vestimentas tradicionais somente em eventos específicos. A rotina de um gaúcho típico tem fogão de lenha, chimarrão, bombacha, fogo de chão, mas já não é uma cena tão comum. Acorda, esquenta a casa com fogão de lenha, toma o chimarrão e vai para o campo trabalhar, depois volta e toma chimarrão, almoça e não troca seu traje. “Muitos usam o traje num baile, saem e colocam um boné, calça jeans. Tem uma diferença de quem vive a cultura e outros que apenas representam. Temos que ficar atentos”, afirmou o fotógrafo.

Quatro trajes gaúchos fundamentais

Chiripá primitivo: grande tira de pano enrolada na cintura, como uma saia.

Chiripá farroupilha: o chiripá primitivo, porém agora com uma volta entre as pernas, mais parecido com uma calça larga, ideal para quem passa horas cavalgando.

Bombacha: bota, calça bombacha, guaiaca, chapéu ou boina, camisa com manga longa e lenço

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