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Entretenimento

Livro narra as aventuras do estelionatário Afonso Coelho Andrade

Ely Carneiro de Paiva é um engenheiro uberlandense apaixonado por boas histórias

“O homem do cavalo branco” pode até lembrar o título de um romance água com açúcar, mas trata-se de uma história policial inédita e verídica sobre o maior golpista do século 19: o monarquista Afonso Coelho Andrade(1875-1922). O livro foi escrito pelo uberlandense Ely Carneiro de Paiva, doutor em engenharia elétrica e apaixonado por histórias desde a infância em Uberlândia.

O interesse pelo bandido se deu depois de uma pesquisa sobre os ascendentes de Lia Franco, mulher de Paiva, vinda de uma família natural de Coxim (MS), onde também nasceu Afonso Coelho Andrade. “Parei minha pesquisa e fui atrás de mais informações sobre Afonso Andrade. Descobri que, além de ter a família materna de Coxim, a família paterna dele era de Uberabinha (antigo nome de Uberlândia)”, disse o escritor.

Em três anos e meio, Paiva passou a pesquisar em jornais da época, como o “Jornal do Commercio”, na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e no Arquivo Nacional. O bandido ainda foi tratado por Tito Teixeira, no livro “Bandeirantes e Pioneiros do Brasil Central”, de 1970, e em crônicas e poesias de escritores como Olavo Bilac, Lima Barreto e Rui Barbosa.

Mas para a surpresa do engenheiro eletricista, nenhuma outra pessoa tinha ido a fundo nessa história e escrito um livro exclusivo sobre o estelionatário apelidado pela imprensa da época como “herói das mil notícias”. “Achei que dava um livro e até indiquei para alguns conhecidos fazerem uma tese de mestrado, mas ninguém quis. Afonso Coelho era um homem que desafiava a polícia. Era muito inteligente e gostava de ser famoso, mesmo que negativamente”, afirmou Paiva.

O autor do livro chegou a conhecer a última filha de Afonso Coelho, Clara Rangel falecida em dezembro de 2011. Segundo o escritor, a família do estelionatário sabia parte das histórias, mas nem perto do que ele descobriu.

Afonso Coelho e Silvia Rangel em 1919

Serviço

O livro pode adquirido pelo site www.livrariacultura.com.br por R$ 29,90.
Mais informações:
http://homemdocavalobranco.blogspot.com.b

O fornecedor de armas de Antônio Conselheiro

Parte da história de “O homem do cavalo branco” aconteceu durante a Guerra de Canudos (1893-1897), tido como um dos principais conflitos que marcaram o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil e liderado por Antônio Conselheiro.

Afonso Coelho de Andrade, que era católico e monarquista, seria o fornecedor de armas para Conselheiro, segundo alguns jornais da época. “Hei de ir e nada me acontecerá. Deus me protege. Deus que esses miseráveis (republicanos) baniram de minha terra, e que eu hei de restaurar com a monarquia”, são palavras de Afonso Coelho, noticiadas pela “Gazeta de Notícias”, em 31 de maio de 1897.

O estelionatário desafiava a polícia e todos que se colocassem em seu caminho. Foi considerado o maior estelionatário e falsificador do Brasil da Velha República, preso diversas vezes e com fugas cinematográficas, a mais famosa delas no lombo de um cavalo em 1896, quando tinha 21 anos.

Uberabinha

Afonso Coelho de Andrade tinha na antiga Uberlândia uma grande amizade. Era o primo Edmundo Coelho, filho de José Joaquim e casado com Adelaide Lobato, esta filha de Adolfo de Faria Lobato, juiz de paz na Comarca de Uberabinha. Foi então na pequena cidade, com pouco menos de mil habitantes e com nove anos de emancipação, que o bandido buscou abrigo em 15 de julho de 1897. “Ele ficou dois meses preso, conseguiu fugir da cadeia e passou a ser procurado pela polícia paulistana. Fugiu para Uberabinha a cavalo”, disse o autor.

No capítulo “O cerco no Triângulo Mineiro”, Ely Carneiro de Paiva conta sobre a curta estadia do bandido na cidade. Em um dos relatos, intrigada por encontrar batinas de padre na bagagem do primo, Adelaide Lobato perguntou o motivo. Afonso Coelho respondeu. “Ah prima. Estes são os ‘macacões’ do ofício! Com essas roupas tenho atravessado as ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo sem ser notado pela polícia em meu encalço”.

Uma semana após a chegada, os policiais locais já sabiam da presença do foragido na fazenda Buriti, mas Afonso Coelho conseguiu se esconder e fugir para Prata, onde foi capturado novamente.

Saiba mais

“Recebemos hontem o seguinte telegramma de Uberaba: Consta aqui que, no caminho de S. José do Tijuco, o celebre gatuno Affonso Coelho conseguiu escapar das pessôas que o conduziam. Ficou preso apenas o seu camarada em cujo poder foram encontrados papeis compreomettedores”.

(Estado de S. Paulo há 115 anos)

Sobre Ely Paiva

O doutor em engenharia elética Ely Carneiro de Paiva nasceu em Uberlândia em 1965 e mora em Campinas (SP), onde é coordenador-associado do Curso de Engenharia de Controle e Automação da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A paixão pelas histórias surgiu ainda na infância, quando ouvia os casos do avô Ademar de Paiva, falecido em 2010 com 105 anos. “Sei que engenheiro tem a fama de escrever mal, mas eu gosto tanto dos números quanto das letras”, disse Paiva.

Foto e notícia da morte no Correio da Manhã, 11.12.1922

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