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7/05/2012 10:35

Oficina pretende formar casting de terceira idade

Repórter

Elza Mamaedi é fã de Débora Duarte e está fazendo aulas na Oficina Cultural para aprender a interpretar

No palco da sala Roberto Rezende, da Oficina Cultural de Uberlândia, uma cadeira posicionada à direita. Nela, uma aspirante a atriz com óculos que refletiam a luz ambiente. Ao lado, o diretor acompanhava os movimentos e falas da mulher, que vivia tal situação pela primeira vez e na plateia um grupo de alunos em silêncio. Esse foi o cenário encontrado numa tarde da semana passada, durante a Oficina de Interpretação – Cinema e TV para a Terceira Idade.

O projeto, encabeçado pelo diretor cinematográfico Jair Moreira, conta com a colaboração da produtora de audiovisual Lenita Galdino e pretende formar atores uberlandenses com mais idade. Segundo o tutor da oficina, a ideia de criar um curso voltado para os mais vividos veio a partir de alguns diálogos com representadas da Associação de Mulheres Aposentadas de Uberlândia (MAU). “Uma das senhoras participou do filme ‘Matizes’ que produzimos, e a ideia foi tomando forma”, disse o diretor.

Percebida a vontade do público da terceira idade de aprender sobre interpretação, Moreira procurou a Oficina Cultural e deu início ao curso em abril. As aulas abordam características e especificidades da atuação, onde são desenvolvidos exercícios individuais e em grupos, gravados em vídeo. Noções de posicionamento de câmera e luz também são repassadas aos alunos. “Eles têm conhecimento e vivência e demonstram tanta facilidade para atuar, que eu fiquei surpreso. Têm muitas atrizes natas.”

A Oficina de Interpretação segue até julho, mas Jair Moreira já pensa na continuidade das aulas. Segundo ele, as técnicas trabalhadas, que nessa primeira fase são mais básicas, serão de um nível mais avançado.

Majoritário

Entre os inscritos para a oficina, a maioria é de mulheres. São quase 20 senhoras e apenas dois homens. Devido a essa ausência, os proponentes das aulas dizem que ainda há vagas para ambos os sexos, mas a preferência é em relação ao grupo masculino, já que para os exercícios serão necessários homens em cena.

Convívio e exercício da memória são benefícios

Deslocar-se 30 quilômetros de casa, na zona rural, até Uberlândia tem feito parte da rotina das quartas-feiras da aposentada Elza Helena Mamedi. Ela já participou de duas aulas da Oficina de Interpretação – Cinema e TV para a Terceira Idade e ainda está insegura quanto à continuidade no curso, mesmo assim, percebe os benefícios. “É tudo de bom, o convívio é um motivo para sair de casa. É gratificante estar aqui”, disse Elza Helena, que é fã de novelas e da atriz Débora Duarte.

A aposentada Elizabet Brito vê o aprimoramento da memória como uma das recompensas. “Sentimos dificuldade em decorar textos e em sair de si para a cena, mas isso é importante na nossa idade”. Elizabet afirma que é muito bom fazer a oficina, já que esse era um de seus sonhos desde pequena.

SERVIÇO: Os interessados em participar da Oficina de Interpretação – Cinema e TV para a Terceira Idade devem procurar a Oficina Cultural de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Informações: 3223-4996.

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