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13/04/2012 7:08

TV aberta não investe em crianças

Programação infantil deixou de ser prioridade para as emissoras abertas brasileiras

Definitivamente, a tevê aberta já foi mais carinhosa com o público infantil. Houve época em que as emissoras chegavam a revelar talentos no comando de programas voltados para crianças – como Xuxa, Angélica e Eliana, por exemplo – e disputavam a atenção dos telespectadores mirins. Mas hoje é cada vez mais difícil algum canal investir, de fato, na infância. Exceto por algumas faixas de desenhos animados, pouca coisa chama atenção nesse segmento. E a maior razão para isso é a falta de interesse de patrocinadores e anunciantes. “A publicidade nessa área é difícil. Programação infantil atualmente não dá audiência e nem receita publicitária”, lamenta o diretor geral da Globo, Otávio Florisbal.

Suas palavras se comprovam nos planos da emissora ainda para 2012. O “TV Globinho”, que está no ar de segunda a sábado, passará em breve a ter apenas a edição de sábado. Isso porque será substituído, de segunda a sexta-feira, pelo novo programa de Fátima Bernardes, previsto para estrear em junho. “O SBT é que vai se dar bem, porque investe bastante no público infantil”, analisa Florisbal. De fato, a emissora de Sílvio Santos vem alcançando bons resultados com seu “Carrossel Animado” e “Bom Dia & Cia”, que ocupam mais de cinco horas diárias juntos.

A Band, na contramão da Globo, além de manter uma faixa de duas horas diárias nas manhãs com animações, estreia neste semestre o “Conversa de Gente Grande”, com Marcelo Tas batendo um papo com crianças de 3 a 11 anos sobre assuntos considerados de adultos, como drogas, divórcio e violência. Mas semanal, provavelmente nas noites de domingo. “Eu gosto desse horário porque não tem muita coisa para as crianças. Acho que pode ser um diferencial para o público infantil e quem quiser ver tevê com os filhos”, analisa. Um motivo que certamente faz com que as emissoras prefiram não apostar tão alto na programação infantil talvez seja a popularização da tevê por assinatura. Tanto que a própria Globosat lança em junho seu canal Gloob.

Subdivisões dificultam investimento no nicho

Cássio Reis é a aposta da Record para apresentar o "reality Ídolos Kids"

As dificuldades em concorrer com os canais a cabo são várias, principalmente no que diz respeito ao foco. Dentro do segmento infantil, existem várias subdivisões. Por exemplo, o que agrada aos meninos não agrada necessariamente às meninas. E o que é atraente para uma criança com seis anos provavelmente não será para outra com 10.

Isso sem contar que a tevê por assinatura é um espaço menos sujeito ao controle da classificação indicativa e proibições à publicidade infantil. “Qualquer coisa que você faça voltada para a criança hoje pode correr o risco de não conseguir ir ao ar em função de faixa etária e de assuntos abordados”, explica Roberto Talma, que já dirigiu programas infantis como o “Bambuluá” e “Sítio do Picapau Amarelo” e hoje é o diretor de núcleo do “TV Xuxa”, da Globo.

A Record não chega a dar atenção especial às crianças. Mas estreia nesse ano um programa que embora não seja necessariamente pensado para elas, as terá como principais atrações. No caso, uma versão infantil do “reality” “Ídolos”, o “Ídolos Kids”. No lugar de Rodrigo Faro, aposta em Cássio Reis no comando, junto com os jurados João Gordo, Kelly Key e Afonso Nigro. “O convite me agradou porque adoro crianças. E quero me firmar como apresentador também”, diz Cássio, que não pode ainda dar detalhes sobre a produção.

O canal, aliás, percebeu que a música é uma excelente forma de comunicação com crianças e adolescentes. Tanto que a novela “Rebelde” já se encontra na segunda temporada e atinge principalmente essa faixa de telespectadores.

Mas nem sempre segmentar horários ou parte da grade de uma emissora é visto com bons olhos. Para Diego Guebel, diretor artístico da Band, é importante manter uma programação que seja capaz de atingir várias faixas etárias. “Temos força no jornalismo e no esporte, investimos no humor – que atrai, também, um público juvenil –, temos uma série de dramaturgia que é vista por crianças e adolescentes… Se fechar em telespectadores específicos pode ser perigoso”, avalia.

De fato, muitos programas não são feitos exatamente para crianças, mas acabam ganhando a atenção delas. “Assisto às ‘Videocassetadas’ do ‘Domingão do Faustão’ com meus filhos e eles adoram”, entrega Marcelo Tas, que deve concorrer com os vídeos de humor do programa de Fausto Silva quando estrear “Conversa de Gente Grande”. O próprio “Pânico na Band”, que já foi da Rede TV!, é pensado para agradar o público adolescente e pré-adolescente. “A gente faz um humor de fundão de sala de aula”, explica o apresentador Emílio Surita.

Atrair público infanto-juvenil está mais difícil

Encontrar uma linguagem para se comunicar com eficiência com o público infantil parece ser o maior problema de quem faz televisão para esse segmento. E isso não se resume aos que têm pouca experiência. Que o diga Renato Aragão. No ar aos domingos, com “A Turma do Didi”, o humorista assume que é cada vez mais complicado prender a atenção dos pequenos que, segundo ele, fazem várias coisas enquanto assistem à tevê. “Por isso ainda me dedico ao humor de circo, que é descontraído e cheio de movimento. Não basta a criança ouvir, ela fica atenta para entender”, reflete.

Na verdade, falar de televisão é papo de adulto. Essa é a visão de Marcelo Tas. Para ele, inclusive, não existe nome mais apropriado que “grade” para a tevê. “A intenção é prender o público, mas criança não se prende”, avalia ele, que vai além. “Criança não assiste à televisão, ela vê telas. É na tevê, no celular, no tablet ou no computador, tanto faz. Por isso, estamos preocupados em criar links entre nosso programa e a internet”, adianta.

Curiosidades

# Xuxa, que chegou a ser considerada a “rainha dos baixinhos” por muito tempo, lamenta não poder se voltar mais para os telespectadores mirins. “Isso não se resume ao Brasil. É um movimento que acontece no mundo inteiro”, afirma.
# Além do programa infantil que estreará na Band, Marcelo Tas também tem o “Plantão do Tas” no Cartoon Network. Foi por causa dele, inclusive, que Marcelo Meira, vice-presidente da Band, decidiu encomendar um programa infantil para ele.
# As décadas de 80 e 90 ficaram marcadas por vários programas de auditório focados nas crianças. Tanto que até hoje Mara Maravilha, Angélica, Eliana e Xuxa são lembradas por comandarem infantis como “Xou da Xuxa”, “Clube da Criança”, “Show Maravilha”, “Eliana & Cia” etc.
# Já se estuda o lançamento também de um filme com os seis protagonistas de “Rebelde” para o período de férias escolares.

Comentários 1

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  1. manno disse:13/04/12 9:10

    “Qualquer coisa que você faça voltada para a criança hoje pode correr o risco de não conseguir ir ao ar em função de faixa etária e de assuntos abordados”, explica Roberto Talma.É muito cara de pau esse sujeito né, então como ele explica essa “enxurrada” de novelas no horário da tarde? Será que todas só passam conteúdos próprios para crianças?

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