Paulo Augusto

A fotografia em questão

Fotofácil profissão de fotógrafo e as diferentes funções da fotografia na sociedade

20 de março de 2012 18:50

Fotodialogando…

Artista visual e repórter fotográfico

Drop 3
Comecemos pelo título postado anteriormente, no drop 2 – Do objeto da fotografia à fotografia como objeto – e pela imagem fotográfica proposta – “Detalhe de parede de galeria de arte”. Alguns leitores devem ter feito perguntas, tais como: Isso é uma fotografia? Isso é uma pintura? Isso é uma fotografia de pintura? Fotografia de quê? Onde estão os “objetos” representados? Trata-se de uma parede? Se sim, por que o fotógrafo teria se ocupado em fotografar uma parede vazia? Que parede específica é esta? Se for uma fotografia, ela é digital ou analógica? Quem encomendou esta fotografia e para quem?

Diante das tantas indagações acima, eu acrescentaria, em diálogo com autores como Rouillé, Dubois e Barthes [1,2,3], que a fotografia é um objeto conceitual. Ela suscita conceitos para ser explicada. Ela é um objeto – “virtual” e “real” – palpável com os olhos (e, às vezes, com as mãos), uma vez que a ele (a ela) se tem acesso por intermédio dos sentidos. Nesta fotografia, o olhar é o sentido privilegiado. Pelo olhar, podemos interpretar (transcodificar?) o objeto e metaforicamente dizer que podemos quase tocar a superfície da parede com as mãos e sentir sua textura. Isso é o que ocorre com o mundo representado por meio da fotografia: eis o realismo fotográfico em processo. Mas o que é um objeto conceitual. Uma rápida olhada em um dicionário permite-nos dizer que um conceito é uma “representação mental de um objeto abstrato ou concreto, que se mostra como um instrumento fundamental do pensamento em sua tarefa de identificar, descrever e classificar os diferentes elementos e aspectos da realidade” ou ainda, de acordo com a tradição racionalista da filosofia ocidental, de Platão (427-348 a.C.) a Hegel (1770-1831), “a manifestação da essência ou substância do mundo real” ou “um signo ou representação linguística que mantém uma relação significacional – não ontológica – com os objetos do conhecimento” [4]. Dito isto, poderíamos argumentar que toda e qualquer fotografia – mesmo a fotografia de uma parede totalmente branca, como a do nosso caso, ou ainda uma fotografia superexposta até que desapareçam todos os objetos – é um objeto e é um objeto conceitual porque conota e ou denota a ausência e ou presença do mundo concreto e os seus sujeitos. Além disso, podemos dizer também que a imagem fotográfica pode ser usada para comunicar e ou expressar sentimentos. No caso específico desta fotografia, ela poderia ser interpretada, por exemplo, como conotativa para os conceitos “vazio” e “ausência”, entre outros. Mas, no sentido que nos é colocado pelo dicionário, podemos dizer também que qualquer outro objeto pode ser chamado de conceitual porque o ser humano dá a ele sentido(s).

Caminhando por aí, ocorre-me outro questionamento: haveria um tipo de fotografia que se contraporia à fotografia conceitual, ou seja, haveria outro tipo de fotografia identificável como não-conceitual? Estamos na querela da identificação da fotografia e da identificação dos objetos da e na fotografia. Culturalmente, aprendemos a fazer indagações sobre o que existe na superfície da fotografia – a representação, a imagem impressa – e nos esquecemos de que, também culturalmente, ela é um objeto produzido em um determinado contexto e disseminado em outros diversos contextos. Dito de outra forma, ela representa questões para além de si. Quais questões poderiam ser estas?

Sugestões de leitura / bibliografia:

[1] ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009
[2] DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. Campinas, SP: Papirus, 1993.
[3] BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
[4] HOUAISS, Antônio.Novo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Editora Objetiva, 2009

11 de março de 2012 17:06

foto do dia

Artista visual e repórter fotográfico

A carateca Amanda Ramos, representante da cidade Monte Sião, machucou-se gravemente durante sua luta contra a adversária Juliana Dias, de Presidente Olegário, em um dos confrontos do Campeonato Mineiro de Karatê, que está sendo realizado neste domingo (11), na Arena do Sabiazinho.

Segundo os organizadores da Federação Mineira de Karatê, a atleta Amanda Ramos foi socorrida por oficiais do Corpo de Bombeiros e encaminhada à UAI do bairro Tibery, na zona Leste de Uberlândia. O resultado dos primeiros exames da karateca deve ser divulgado na tarde de hoje.