Bom, pero no mucho
Os vereadores de Uberlândia resistiram à tentação de aproveitar o efeito cascata do aumento de 63% aplicado aos salários dos deputados federais no fim do ano passado. Pela legislação em vigor, que autoriza o vereador a ganhar até 75% do salário do deputado estadual, poderiam reajustar os atuais salários para R$ 14,2 mil. Com receio do desgaste perante o eleitor em ano pré-eleitoral, decidiram aplicar a inflação dos últimos dois anos, período em que os vencimentos dos 21 parlamentares ficaram congelados. Assim, os vereadores de Uberlândia aumentaram os próprios salários em apenas 11,89% e passarão a receber, já em fevereiro, a ninharia de R$ 9,7 mil mensais. Ao menos este foi o tom das argumentações na terça-feira, última sessão ordinária do mês.
Salário de fome
Os poucos vereadores que se dispuseram a comentar o aumento de R$ 1.036,67 nos próprios salários faziam questão de lembrar que a facada poderia ser R$ 4,5 mil maior, se aplicassem o reajuste dos deputados. Como se fossem um exemplo de austeridade para o Brasil. Para uma função que não deveria ser encarada como profissão, na medida em que o trabalho é na cidade de residência do parlamentar e que ocupa necessariamente dez manhãs por mês com sessões ordinárias, R$ 9,7 mil por mês não chega a ser um salário de fome em um país onde salário mínimo é de R$ 545.
R$ 22 milhões
Se o caro leitor somar ao salário de R$ 9,7 mil dos vereadores de Uberlândia os R$ 10 mil de verba indenizatória a que cada um tem direito todos os meses para custear de combustível a refeições no exercício da função, verá que o “investimento” na atuação parlamentar está longe de ser irrisório aos cofres públicos. Isto sem contar o custo com toda a estrutura da Câmara Municipal a começar pelos 15 assessores que cada vereador tem direito. Ao final, estamos falando de um gasto anual de R$ 22 milhões com o Poder Legislativo municipal. Recurso superior ao orçamento de muitos municípios brasileiros.
Dilma é sucesso
A presidente Dilma Rousseff mostrou que também vai bem, ao menos por enquanto, na esfera política. A aprovação sem atropelos do salário mínimo de R$ 545, como queria o governo, foi uma vitória importante. Já há quem acredite que a presidente possa aproveitar a força característica do início do mandato para aprovar algumas das reformas estruturais que o país necessita. Não sei se é para tanto. Mas se o fizer já estará fazendo mais do que os dois presidentes que a antecederam.
Frase
“Acho que este esforço deve ser em conjunto para combatermos o grande mal do século 21 que é a droga”
Governador Antonio Anastasia comentando o projeto que obriga órgãos públicos a investir em ações educativas e preventivas contras as drogas
Futuro incerto
O ano de 2011 será decisivo para o futuro dos dois principais partidos de oposição em nível nacional, PSDB e Democratas. A situação do DEM é mais complicada depois do esvaziamento da última eleição e da provável debandada do grupo do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Corre o risco de desaparecer. No PSDB, o desafio é buscar a, cada vez mais improvável, unidade. Primeiro entre os tucanos paulistas (Alkmin e Serra) e depois com o tucanato mineiro liderado por Aécio Neves.
Curtas
Quando se trata de votar aumento para os próprios salários não há ideologia, oposição ou situação. Nestas horas, reina unanimidade na Câmara de Vereadores de Uberlândia.
O tempo passa, o tempo voa e até o momento não se sabe o futuro político do ex-ministro Hélio Costa (PMDB). Peemedebistas uberlandenses sonham sair da dependência do PT tendo-o como candidato a prefeito em 2012.
Há quem diga que Hélio Costa pode ser realmente candidato a prefeito. Só que de Belo Horizonte. Dependeria da disposição do PT da capital em apoiá-lo, uma vez que Márcio Lacerda tende a tentar a reeleição de braços com o PSDB.
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Leandro Xadem disse:21/02/11 15:58
Na política não cabe, nem ditadura, nem hipocrosia, nem homofobia, tão pouco, mendicancia. Precisamos da nova política e ela vai acontecer…
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joao roberto machado disse:23/02/11 12:45
Vereadores de Uberlandia,uma cidade muito importante de Minas,mas com uma população em torno de 600 mil habitantes,serem pagos mensalmente pelos cidadãos,com uma “módica quantia” de mais de 19 mil reais mensais,é um simples Caso de Policia.E de Acordar Coletivo para todos.
Comentários (2)