Violência e política
Mais de 70 pessoas morreram de forma violenta em Uberlândia neste ano. Não me arrisco a apresentar o número exato porque já estaria desatualizado no momento em que este texto estiver sendo lido. A maioria das mortes tem relação com o tráfico de drogas. A situação já está banalizada. A ponto de, tirando os programas policiais, nem os veículos de comunicação locais têm dado destaque a todos os homicídios. O problema é quando a violência bate à porta da classe média, como no caso do covarde assassinato da empresária Jussara Favarini de 26 anos. Nessas horas lembramos que estamos vulneráveis. Que pode acontecer com qualquer um. Mas, mesmo amedrontados, a maioria continua não vendo conexão entre a morte da empresária e os mais de 70 homicídios cometidos em 2011 na cidade.
Mobilização já
“O CORREIO TV Debate” que vai ao ar hoje, às 21h30, no Canal da Gente (canal 15 da TV a cabo CTBC) discute a questão da violência na cidade. No debate fica claro que não há uma solução de curto prazo. Não existe uma medida milagrosa capaz de pôr fim à impunidade e à falta de estrutura das forças policiais e do Judiciário como um todo. Mas também fica evidente a necessidade de a sociedade se envolver. É preciso que cada um assuma sua parte. Desde a própria prevenção, passando pela coragem de denunciar até a mobilização para cobrar dos poderes públicos mais investimentos em ações de curto prazo, como o aumento do efetivo policial, e de longo prazo, melhorando a educação brasileira. Não é tarefa fácil. Mas o que não dá é para ficar esperando que você ou alguém do seu convívio seja a próxima vítima.
Tudo encaminhado
Ao menos em Belo Horizonte, a aliança entre PT e PMDB nas eleições do ano que vem para prefeito de Uberlândia é dada como certa. Membros dos diretórios estaduais dos dois partidos têm discutido estratégias para garantir a manutenção da aliança entre as legendas no maior número possível de municípios. As chamadas cidades-polos são prioridade. Por enquanto, não se discutem nomes ou quem será cabeça de chapa nesta ou naquela cidade. A ordem é viabilizar em nível municipal a sintonia mostrada até agora em nível federal, já com vistas à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014.
Caminho natural
Em Uberlândia, até onde se tem notícia, não há conversas oficiais entre petistas e peemedebistas sobre formação de chapa para concorrer à prefeitura. Tudo indica que o PT terá o candidato a prefeito, o deputado federal Gilmar Machado é o mais contado, e o PMDB deverá indicar o candidato a vice. Não há sinal de fumaça no horizonte que indique algo diferente, porque o PMDB não construiu candidaturas em potencial. A ventilada candidatura a prefeito de Uberlândia do ex-ministro e ex-senador Hélio Costa, por enquanto, não passa de lenda.
Futuro incerto
A formatação da aliança entre PMDB e PT só deverá tomar forma a partir de outubro. Antes de se definir, por exemplo, a manutenção ou não das coligações proporcionais, o cenário político continuará em banho-maria. Uma coisa é negociar chapa majoritária. Outra, bem diferente, é conseguir agasalhar os interesses dos candidatos a vereador. Se o PMDB condicionar a aliança em Uberlândia a formar chapa de vereador com o PT, o acerto dificilmente ocorrerá. Os petistas não abrirão mão de lançar chapa completa. Em 2008, enquanto o PT elegeu três vereadores, o PMDB só emplacou um representante.
Curtas
A semana que começa hoje será a última antes das férias do meio do ano. Ou seja, lá se foram seis meses do novo governo e nenhuma reforma sequer chegou ao Congresso Nacional.
A desarticulação política em Brasília é tamanha que qualquer tema é motivo para amplo debate e demostrações de que a base aliada de “aliada” não tem nada. Vide a história sigilo eterno de arquivos secretos. Nem o PT está com o governo.
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Marcelo disse:27/06/11 23:49
Dizer que a maioria dos crimes de homicídio da cidade têm relação com o tráfico de drogas é uma tremenda falácia. Essa é a melhor desculpa que a polícia dá para deixar tudo como está. Se essa informação fosse procedente seria simples descobrir os autores dos crimes, mas vemos que não é isso que acontece. A polícia não prende os autores, como prendeu no caso Jussara, porque as vítimas eram pobres.
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