Havelange e Teixeira levam bolada e brasileiros fama de corruptos
Documentos revelados nesta quarta-feira pela Justiça suíça confirmaram os indícios de que Ricardo Teixeira e João Havelange, ex-presidentes da CBF e Fifa, respectivamente, teriam recebido suborno no valor de R$ 40 milhões da falida empresa ISL, para facilitar contratos com a entidade máxima do futebol.
Esses documentos fazem parte de um processo finalizado na Suíça desde 2010 mas que, por um acordo feito por Havelange e Teixeira, que lhes custaram 5,5 milhões de francos suíços, não foram divulgados justamente para não revelar os nomes dos dirigentes no esquema de corrupção.
Neste processo, a Justiça determinou que os dois brasileiros devolvessem para os cofres da entidade cerca de R$ 5 milhões.
Agora começa mais um absurdo desse caso.
A Fifa, por meio de seus advogados, entende que essa devolução não acontecerá porque a atitude ilegal dos dois dirigentes brasileiros foram consideradas ”normais”, explicando que a “maioria da população” do Brasil e da América do Sul, de um modo geral, tem subornos e propinas como parte de sua renda “normal”.
Ou seja, além de acompanhar o enriquecimento absurdo dos dois cartolas, o brasileiro ainda ganha o rótulo de que é corrupto e que vive de propinas e subornos.
Certamente, quem elaborou esta argumentação nunca veio ao Brasil. Ou, se veio, ficou em Brasília. Certamente não acompanhou o dia-a-dia de um operário que trabalha na obra dos estádios da Copa, por exemplo, obrigado a acordar às 5 ou 6 horas da manhã, tomar várias conduções até chegar ao posto de trabalho. E no final do mês, receber o contra-cheque com o valor pelo menos 26 mil vezes menor que a pequena bolada que Teixeira e Havelange puseram no bolso.

Comentários 0