Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

19 de maio de 2013 7:00

A caminho do brejo?

Jornalista

Já fui apelidado de cassandra, catastrofista, agourento e outros cognomes especiais, só porque, por várias vezes, alertei os navegantes deslumbrados com bonanças distribuídas pelos Governos de Lula e Dilma. Não sou economista. Sou leitor de análises divulgadas por economistas independentes que comentam o futuro da produção e distribuição de bens econômicos.

Considero-me leitor com capacidade média de interpretação. Quando não entendo economês, recorro a amigos economistas estudiosos e competentes que me traduzem os enigmas econômicos em vernáculo simples, para que eu possa entender o que está a acontecer sob os céus da pátria neste instante. No começo desta semana, um comentário circulou na Bolsa de São Paulo – o templo da especulação financeira cabocla – com os seguintes dizeres: “A economia brasileira, neste momento, piora. Se o Brasil não começar a crescer mais forte e as indústrias, já em decadência, começarem a demitir trabalhadores, a situação das famílias endividadas poderá piorar com repercussão negativa nos bancos, nos cartões de crédito e nos negócios de varejo. Por quê? Simplesmente porque o número de consumidores endividados está crescendo.

Só na cidade de São Paulo, o número de endividados da classe média aumentou em abril, atingindo o maior percentual desde junho de 2006: 57,1%. Se esse fenômeno se espalhar por todo o Brasil, a vaca vai começar a caminhar em direção ao brejo”. Particularmente, desconfiamos ser esse comentário de alguma cassandra que torce para que uma crise econômica dificulte a reeleição da presidenta Dilma. Fora os comentários jocosos, quem lê jornais diariamente sabe que, no ano passado, a economia do Brasil só cresceu 0,9%. Resultado pífio, que se igualou ao crescimento do Paraguai e ficou abaixo do da Bolívia e dos de todos os outros países da América do Sul. Analistas independentes não acreditam que, neste ano, o PIB do Brasil supere 2%. Um tal resultado é o retrato da estagnação.

O governo socorre alguns setores da indústria com renúncia fiscal: redução da cobrança de IPI. Esse tipo de providência diminui a arrecadação federal e, por via de consequência, também os repasses federais para Estados e Municípios. Com este cenário, as prefeituras continuarão obrigadas e destinar mais recursos próprios para a saúde, educação, habitação popular e assistência social. Com esse clima, o País poderá mergulhar em um bu-bu-bu no bó-bó-bó recheado de ri-fi-fi em noite escura como breu.

18 de maio de 2013 9:25

Aécio presidente do PSDB

Jornalista

O senador Aécio Neves deverá eleger-se hoje presidente nacional do PSDB na convenção convocada para Brasília. A partir da próxima semana, Aécio estará habilitado a acertar acordos partidários para construir uma coligação que dê suporte político à candidatura dele à Presidência da República. O ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão, convidado pelo líder tucano mineiro a participar da articulação para escolher o candidato do Grupo Situacionista ao Governo do Estado, já decidiu ir a BH conversar com o senador depois da Convenção Nacional dos Tucanos.

Aos poucos, o quadro político sinaliza a união da tucanada em torno da candidatura do ex-governador mineiro ao Planalto. A aparente oposição do ex-governador José Serra à indicação de Aécio para candidato presidencial, aos poucos, começa a serenar. Os tucanos das Gerais já viram sinais de conciliação no horizonte. Um deles foi o recente discurso de José Serra, no qual ele criticou severamente o Governo Federal e defendeu a posição de São Paulo contra a reforma do ICMS proposta pelo Planalto. O discurso de Serra trombou com os interesses dos governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os mineiros concluíram que José Serra, político experiente, conhecedor das querelas políticas regionais, jamais trombaria com os interesses de Estados, se aspirasse à candidatura a presidente. O tom do discurso do líder paulista, segundo os observadores mineiros, foi o de um aspirante a candidato ao Senado.

A presidenta Dilma Rousseff continua com popularidade alta e com força eleitoral aparentemente imbatível neste momento. Para compreender os movimentos da Oposição, basta acompanhar os passados do líder socialista Eduardo Campos, da união do PPS e do PMN, dos esforços de Marina Silva para criar a Rede e do sindicalista Paulo Pereira da Silva – o Paulino da Força – para viabilizar o Partido Solidariedade. Todos esses atores têm um jogo político em mente para ser jogado no futuro: impedir que a candidata do PT se eleja presidenta no primeiro turno da eleição em 2014.

O grupo dissidente poderá se unir para disputar um virtual segundo turno? Só se tiver chance de ganhar a eleição. O uberlandense Odelmo Leão espera a definição da situação de Aécio Neves e se prepara para disputar uma cadeira de deputado federal com duas metas: defender um Pacto Federativo a favor dos municípios e reduzir a maioridade penal.

17 de maio de 2013 8:28

Aécio vai comandar o tucanato

Jornalista

Certamente preocupado com as disputas internas pela indicação do candidato à sucessão do governador Anastasia (PSDB), o senador Aécio Neves, líder máximo no Tucanato Mineiro, assumiu, nesta semana, a coordenação da sucessão estadual no âmbito do PSDB. Aécio Neves eleger-se-á presidente nacional do PSDB amanhã, sábado, e deverá esforçar-se também para unir o partido nacionalmente como primeiro passo para disputar a Presidência da República. O ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão, aliado histórico do ex-governador de Minas Gerais, foi convidado por este para uma conversa afinada em Belo Horizonte e para ajudar a analisar as alternativas e os rumos da política no ano que vem. Na última segunda-feira, em conversa com empresários em Uberlândia, Odelmo Leão desconversou sobre as especulações que o apontam fora do PP e disse que, na atualidade, conversa sobre política com amigos com os quais convive desde o tempo em que foi líder do PP na Câmara Federal. Explicou que, recentemente, conversou com os governadores Siqueira Campos (PDB), do Tocantins; André Puccinelli (PMDB), do Mato Grosso do Sul; Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco; com ex-companheiros da Câmara, como Delfim Neto e Francisco Dornelles, “sempre com o objetivo de apoiar uma ação política em favor do Brasil”. Hoje, Odelmo Leão é vice-presidente do Diretório Nacional do PP, vice-presidente do Diretório Estadual e presidente do Diretório Municipal do mesmo partido. Assim, continua firme na Base de Apoio ao Governo de Minas e ao projeto político liderado no Estado por Aécio Neves. Assim deverá candidatar-se a deputado federal pelo PP e discutir, pelo PP, a estratégia eleitoral para a sucessão de Anastasia. Na eleição passada, o ex-prefeito de Uberlândia foi convidado por Aécio para ser o candidato a vice-governador na chapa liderada pelo professor Antonio Anastasia. Após decidir continuar no cargo e concluir o segundo mandato na prefeitura, Odelmo Leão apoiou Alberto Pinto Coelho, do PP, para vice de Anastasia. Agora é agente ativo, em nome do PP, no processo de escolha do candidato do Grupo Situacionista ao Palácio da Liberdade. No começo desta semana, Aécio Neves ordenou que os postulantes a suceder Anastasia – que não pode concorrer à reeleição – evitem disputas internas e aceitem uma estratégia de ação para não tumultuar o processo sucessório. É sobre este assunto que Odelmo vai a BH.