A caminho do brejo?
Já fui apelidado de cassandra, catastrofista, agourento e outros cognomes especiais, só porque, por várias vezes, alertei os navegantes deslumbrados com bonanças distribuídas pelos Governos de Lula e Dilma. Não sou economista. Sou leitor de análises divulgadas por economistas independentes que comentam o futuro da produção e distribuição de bens econômicos.
Considero-me leitor com capacidade média de interpretação. Quando não entendo economês, recorro a amigos economistas estudiosos e competentes que me traduzem os enigmas econômicos em vernáculo simples, para que eu possa entender o que está a acontecer sob os céus da pátria neste instante. No começo desta semana, um comentário circulou na Bolsa de São Paulo – o templo da especulação financeira cabocla – com os seguintes dizeres: “A economia brasileira, neste momento, piora. Se o Brasil não começar a crescer mais forte e as indústrias, já em decadência, começarem a demitir trabalhadores, a situação das famílias endividadas poderá piorar com repercussão negativa nos bancos, nos cartões de crédito e nos negócios de varejo. Por quê? Simplesmente porque o número de consumidores endividados está crescendo.
Só na cidade de São Paulo, o número de endividados da classe média aumentou em abril, atingindo o maior percentual desde junho de 2006: 57,1%. Se esse fenômeno se espalhar por todo o Brasil, a vaca vai começar a caminhar em direção ao brejo”. Particularmente, desconfiamos ser esse comentário de alguma cassandra que torce para que uma crise econômica dificulte a reeleição da presidenta Dilma. Fora os comentários jocosos, quem lê jornais diariamente sabe que, no ano passado, a economia do Brasil só cresceu 0,9%. Resultado pífio, que se igualou ao crescimento do Paraguai e ficou abaixo do da Bolívia e dos de todos os outros países da América do Sul. Analistas independentes não acreditam que, neste ano, o PIB do Brasil supere 2%. Um tal resultado é o retrato da estagnação.
O governo socorre alguns setores da indústria com renúncia fiscal: redução da cobrança de IPI. Esse tipo de providência diminui a arrecadação federal e, por via de consequência, também os repasses federais para Estados e Municípios. Com este cenário, as prefeituras continuarão obrigadas e destinar mais recursos próprios para a saúde, educação, habitação popular e assistência social. Com esse clima, o País poderá mergulhar em um bu-bu-bu no bó-bó-bó recheado de ri-fi-fi em noite escura como breu.