Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

24/02/2011 6:00

Dilma e as drogas ilícitas

Jornalista

Na semana passada, os principais jornais nacionais noticiaram que “a presidente Dilma Rousseff prometeu uma luta sem quartel ao crack no país”. Traduzindo em linguagem cabocla: o governo pretende acionar mais repressão policial contra pequenos distribuidores de drogas. Os traficantes não serão atingidos onde moram nos bairros de luxo do Rio, São Paulo, Miami ou Mônaco. Dona Dilma anunciou, em Brasília, a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e outras Drogas em universidades federais. Boa decisão. A contribuição das universidades na identificação de fatores sociais que alimentam o consumo de drogas é importante para nortear o combate à desorganização social decorrente da repressão ao tráfico. Na solenidade, a presidente anunciou a criação de centros instalados em universidades públicas em 19 Estados, com o objetivo de capacitar profissionais de saúde e de assistência social para lidar com dependentes de drogas, tanto em termos de tratamento quanto de prevenção. Para que esta iniciativa seja bem-sucedida é preciso descriminalizar o consumo de drogas para que os dependentes possam ser adequadamente tratados nos serviços públicos de saúde em todo o País. A seguir, para enfrentar os problemas do tráfico é preciso liberar o comércio de todas as drogas. Não há outra saída racional para acabar com as ações dos traficantes. Onde a distribuição de drogas for livre, não haverá traficantes.

Enigma

Ao falar do problema causado pelo crack, a presidente Dilma fez um trocadilho com o desafio da esfinge em Édipo Rei, de Sófocles: “Decifra-me ou te devoro”. Se os brasileiros não conseguirem neutralizar os traficantes e não souberem enfrentar a drogadição, os dependentes serão, infelizmente, devorados pelas drogas. Infelizmente.

Fim do tráfico

A presidente destacou a importância de se capacitar profissionais para atuar na assistência aos dependentes de drogas e às famílias deles. Isto é preciso, mas é também necessário acabar com o tráfico e isto só será possível com a completa liberação da distribuição das drogas. Onde a venda de drogas for livre não haverá espaço para traficantes.

Enxugar gelo

Não adianta o Governo anunciar combates sistemáticos com repressão policial contra o tráfico e o consumo de drogas. Os traficantes montam redes de distribuição de drogas na sociedade e se organizam para driblar todo tipo de repressão em quaisquer circunstâncias. Repressão policial ao tráfico é puro marketing para promover politiqueiros.

Comentários (3)

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  1. Leandro Xadem disse:24/02/11 10:18

    É. Mais uma vez o governo se rende a sua própria incompetência, à sua própria incapacidade.

    Como um Fernandinho Beira Mar consegue controlar o tráfico de dentro de um dos maiores e mais “seguros” presídios do país.

    País sem lei e com governantes bandidos, tanto quanto os traficantes. Isso sim!

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  2. Luis Augusto da Silva Domingues disse:24/02/11 12:36

    Caro Ivan Santos, talvez a atitude de descriminalizar ou melhor, LIBERAR o comércio e o uso de drogas ilícitas seja a mais fácil no momento, devido à total complacência por parte do governo. Entretanto, não é por ser a mais fácil que é a mais correta. Se não, poderíamos afirmar: aumentou ou número de homicídios – então vamos legalizá-lo; aumentou a corrupção – então porque não regulamentar, ou seja, estamos nos omitindo nesta batalha, contra o tráfico de drogas.
    Devemos sim atuar na prevenção ao uso destas drogas ilícitas, que juntas com o álcool vem dizimando cada vez mais vidas e desestruturando as famílias.
    E para aqueles casos de dependência, devemos, como sociedade, dar o devido tratamento. A omissão dos governantes, assim como da população tem contribuído para o aumento significativo deste grande problema. Portanto, ao invés de LIBERAR, devemos ERRADICAR.

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  3. Vilmar Cunha disse:24/02/11 18:37

    Caro Ivan Santos, certamente não teremos traficantes, porém os traficantes de hoje se tornarão empresários amanhã. Isto é justo? Empresários distribuidores de entorpecentes, recolhedores de impostos, com os mesmo direitos de cidadania como eu e você. Isto é justo? Não, não é justo caro Ivan, o buraco é mais embaixo, não me parece ser esta a solução.

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