DEM quer continuar vivo
O DEM, que já foi Arena, mudou para PDS e depois para PFL. Está com presidente novo desde a semana passada. É o senador paraibano, Agripino Maia, que, ao assumir o comando do partido, prometeu trabalhar para promover a união entre os divergentes. O DEM tem um programa definido e claro: defender o neoliberalismo, o estado mínimo, a redução de impostos, a participação privilegiada do capital privado na produção econômica e na infraestrutura, a privatização das empresas estatais e a liberdade de informação.
Não há segredos no DEM. Como partido liberal, critica abertamente a “utopia socialista” e defende a modernização do processo capitalista de produção econômica. Segundo o senador Agripino Maia, “esta é a filosofia do capitalismo moderno adotada com sucesso em muitos países desenvolvidos do mundo. Se o DEM desaparecer ou ficar menor, esses ideais desaparecerão ou diminuirão no Brasil”. Como se pode ver com clareza, neoliberalismo e socialismo são como água e azeite: não se misturam.
A partir desta realidade fica difícil entender a admissão de liberais, como o prefeito Gilberto Kassab e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, no Partido Socialista Brasileiro (PSB). O DEM, quando foi PDS, ficou conhecido como “o maior partido do ocidente”, com 235 deputados federais. Ao mudar de nome começou a perder força e representação no Congresso. Hoje, como partido da Oposição, o DEM está reduzido a 44 deputados federais, cinco senadores e dois governadores. Encolheu barbaridade!
O senador Agripino Maia tem pela frente um grande desafio: unir as diferentes correntes dentro da legenda, reorganizar diretórios nos principais municípios do País e disputar as prefeituras das capitais e cidades com mais de 100 mil eleitores. Para isto o experiente político nordestino tem vários desafios pela frente, a começar com a intenção do prefeito de São Paulo, que pretende deixar a legenda e esvaziá-la.
UBERLÂNDIA
Em Uberlândia, o DEM foi um partido influente quando foi PFL. Foi uma das principais peças do Movimento Democrático de Uberlândia (MDU), coligação montada para eleger e apoiar a administração do prefeito Virgilio Galassi. Após assumir a identidade de DEM, o outrora poderoso partido governista transformou-se, no município, em legenda pouco expressiva, controlada pela família do deputado federal João Bittar.
UBERABA
Em Uberaba, o DEM está bonito no filme. É de lá o influente secretário-geral do Partido, deputado federal Marcos Montes, que representa aquela cidade no Congresso Nacional. Montes é hoje o principal líder liberal no Estado de Minas e defende coligação com o Partido dos Tucanos para eleger Aécio Neves presidente da República em 2014. Em Minas, o DEM está na base de apoio ao Governo do tucano Antônio Anastasia.
PROJETO DE PODER
O projeto de poder do liberal Kassab é disputar o Governo de São Paulo em 2014. No entanto, o desejo de criar novo partido e fundi-lo com o PSB começou a naufragar, porque os socialistas deram um passo atrás e hoje só aceitam coligação estratégica com o futuro partido do prefeito paulistano. Também a intenção de arrastar para o novo partido dezenas de deputados federais está reduzida a meia dúzia.
ADIAMENTO
O projeto do ambicioso prefeito Gilberto Kassab de fundar um novo partido e anexá-lo ao PSB foi nocauteado pelos socialistas que preferiram ver como será a nova legenda e evitar dissidências internas. União de socialistas e liberais seria como mistura de água com azeite. O PSB decidiu esperar passar as eleições de 2012 para pensar no assunto e isto esfriou o projeto de poder de Kassab.
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Leandro Grôppo disse:21/03/11 15:30
Em verdade, o Democratas vem perdendo posição muito antes de trocar de nome, de PFL para DEM e “entregar” seu comando para a ala jovem do Partido, com intuito de reavivá-lo. Com a perda do governo federal, tanto o DEM quanto PSDB, se esvairam na falta de um discurso oposicionista consistente e uma bandeira a ser defendida. Muito disso como efeito de não terem sido oposição realmente até então.
O DEM hoje está debilitado, sem força para fazer oposição. Com bancada enxuta, discurso fraco, desmotivação das bases, estiolado e fragmentado. Para o Partido ressuscitar, urge ter uma bandeira que mobilize, renovar pela base, aproximar-se das classes médias urbanas, respirar um novo tempo. Tarefa complexa, uma vez que os partidos brasileiros estão passando por um momento de descrédito e falta de legitimidade social.
Leandro Grôppo
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