Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

28/03/2011 8:02

Ilimitada ambição de poder

Jornalista

Quem é Gilberto Kassab? Um líder político nacional como Lula ou Aécio Neves? Não é. Então, a ideia de liderar um novo partido no universo partidário multifacetado como o do Brasil deixa uma interrogação que só o futuro responderá. A situação política atual do prefeito de São Paulo não é salutar. A popularidade dele na maior cidade do Brasil é decadente. Logo, Kassab só atrairá para o novo partido políticos sem votos e insatisfeitos nas legendas em que não encontram perspectivas futuras de poder.

O PSB mais se parece com uma aventura partidária ou um lance indefinido no tabuleiro do xadrez político nacional. A maioria dos jornais nacionais que dão cobertura à iniciativa política do prefeito de São Paulo limita-se a divulgar ocorrências sem análise de contexto social e político. Isto ajuda o fundador do PSD a navegar sem rumo por algum tempo. A tendência é o PSD cair num beco sem saída depois de conquistar o registro de partido na Justiça Eleitoral.

Na realidade, o PSD não tem importância como partido ideológico, como legenda de poder político com voz ativa no processo de ascensão a qualquer esfera nacional de poder. Para disputar as eleições de 2012, o PSB precisa estar licenciado até o fim de setembro próximo e corre o risco de figurar como partido nanico com espaço mínimo para veicular propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Naturalmente, esta possibilidade fará com que muitos políticos com mandato e interessados em disputar um cargo nas próximas eleições pensem duas vezes antes de mudar de legenda. Hoje a intenção de Gilberto Kassab está clara como a luz do dia: aproximar-se do Palácio do Planalto e tentar obter apoio financeiro e logístico para realizar obras e implantar serviços púbicos em São Paulo. Obras que o qualifiquem como um candidato forte a governador de São Paulo nas eleições de 2014. É jogo particular.

TRAJETÓRIA

Poucas pessoas se lembram que Gilberto Kassab elegeu-se vice-prefeito de José Serra e, com a licença deste para candidatar-se a governador de São Paulo, assumiu a prefeitura. Elegeu-se prefeito com apoio do governador José Serra e agora procura aproximar-se da Presidência da República sem se desligar do influente tucano, seu padrinho político. Esta é uma jogada política complicada e indiscutivelmente estranha. 

AMBIÇÃO DE PODER

A ambição de poder político de Gilberto Kassab pode levá-lo a dar com os burros n’água. Primeiro, bandeou-se para o PMDB. Desistiu porque não encontrou o apoio que esperava na cúpula nacional deste partido e ainda temeu perder o mandato por infidelidade partidária. Depois pensou em criar um partido liberal e fundi-lo com a legenda socialista do PSB. Por fim decidiu alçar voo solo no universo político.

INDECISÕES

Aconselhado por juristas e assessores, Kassab decidiu criar o PSD, um partido sem ideologia, sem metas definidas, simplesmente uma iniciativa para deixar o DEM e não perder o mandato de prefeito da maior cidade do Brasil. Uma vantagem nessa iniciativa: Kassab não precisa da aprovação de ninguém para, no PSD, lançar-se candidato a governador de São Paulo em 2014. Os fins justificam os meios.

PROBLEMAS

Por mais vantajosa que fosse essa alternativa, apresenta problemas. Partido novo é partido sem cadeiras conquistadas no pleito anterior, por isto não terá acesso à propaganda eleitoral gratuita nem aos recursos do Fundo Partidário. Sem esses recursos fica difícil atuar com competitivamente nas eleições. Por isto é que ainda há a intenção de fundir o PSD com outra legenda. A fusão com o PSB será difícil.

Comentários (2)

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  1. Mário Borges disse:28/03/11 10:19

    Ivan, vários jornalistas especializados dizem que o Governo da Dilma vai se livrar do Sr. Luiz Inácio, este novo partido faz parte do plano, veja que os ex-ministros do Governo Lula já estão sendo “fritados” neste Governo, por exemplo, o sr. Jobin não foi convidado para evento na ANAC , a compra dos aviões Rafalle já foi para o lixo, e já colocaram como seu secretário o José Genuíno, o Reinaldo Azevedo acha a mesma coisa.

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  2. Leandro Grôppo disse:28/03/11 17:41

    Partidos sem representação na Câmara Federal possuem o tempo mínimo no horário eleitoral gratuito de rádio e tv, conforme a divisão igualitária da propaganda.

    http://www.strattegy.com.br

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