Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

30/03/2011 6:00

Reforma política nenhuma

Jornalista

Quem espera por uma reforma política moderna no Brasil para acabar com velhos e viciados costumes pode começar a abandonar a esperança. Se o Congresso tivesse intenção de reformar o processo político teria constituído uma Comissão Mista de deputados e senadores para examinar o assunto em poucos dias e apresentar um relatório sugestivo para discutir e promover mudanças até 30 de setembro deste ano, a tempo de as mudanças valerem nas eleições de 2012. Isto porque mudança na legislação eleitoral só vale depois de um ano de aprovada. É bom lembrar que foi por isto que a Lei da Ficha Limpa não valeu nas eleições do ano passado. Essa lei foi aprovada depois de iniciado o processo eleitoral. Os ilustres parlamentares criaram duas Comissões para estudar a reforma: uma no Senado, com prazo de 45 dias para apresentar parecer sobre o assunto, e outra na Câmara, com prazo de seis meses para opinar. Os deputados decidiram promover shows pelo Brasil afora em audiências públicas promocionais intermináveis para ouvir a população despolitizada sobre um assunto complexo como a reforma eleitoral. Resultado: o Senado vai apresentar um parecer diferente do da Câmara e esta formulará uma proposição recheada de indicações populares quiméricas, irrealistas e inconstitucionais que só servirão para reforçar o impasse no Congresso e transformar a tão sonhada reforma política em quimera irreal, sem pé nem cabeça.

Impasse

Dois dos temas que estão na pauta das discussões da Câmara e do Senado são: o fim das coligações para disputas eleitorais proporcionais e da contagem proporcional de votos em vigor desde a Constituição de 1945. Sem esses institutos os pequenos partidos desaparecerão. Portanto, na hora da morte, todos os nanicos se unirão contra essas propostas.

Sem nada mudar

Essa conversa de reforma política tem apenas uma finalidade: criar financiamento público de campanhas eleitorais para que os partidos que já recebem dinheiro do Fundo Partidário tenham mais grana pública para financiar eleição de deputados e vereadores sem perder o direito de receber dinheiro de Caixa2 e de doadores voluntários.

Coronelismo

Reforma eleitoral é hoje um engodo que não passa de discurso político para ensacar fumaça. Leva nada a lugar nenhum e não promoverá mudanças verdadeiras no processo eleitoral. O coronel Limoeiro, de Pernambuco, diria, se fosse vivo: ”Meu filho, se essa cerca for esticada a gente passa por baixo; se for bamba ou frouxa, a gente passa por cima”.

Comentários (5)

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  1. Diógenes Pereira da Silva disse:30/03/11 8:10

    Ora e quem tem dúvidas ou esperanças de reforma política no Brasil?????

    As muitas críticas ao Sistema do Voto Proporcional, miram somente a não concordância de parte dos brasileiros, ainda assim, num quantitativo bastante pequeno. Brasileiro não liga a mínima para política e suas necessárias reformas.

    Optar então, pelo Voto Distrital, que seria a resolução de muitos problemas diante das atuais conjecturas, deixa evidente que boa parte dos próprios políticos nem sequer sabe o significado do Voto Distrital. Alguns Deputados e Senadores, mais entendidos do assunto, simplesmente dizem para os demais que é uma coisa ruim e eles concordam sem saber o que realmente significa.

    A questão mais premente está condicionada a cultura – educação política brasileira que é bem aquém da necessária para um país que precisa ratificar o Sistema Democrático.

    Não é atoa que países como: Alemanha, Inglaterra, EUA, Itália e França possuem formas de voto distrital em seu sistema eleitoral, isso minha gente, não só dificulta a corrupção ostensiva existente no Brasil, como põem em cheque os conhecimentos desenvolvidos por equívocos dos partidos políticos existentes no Brasil.

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  2. Xadem disse:30/03/11 8:39

    Balelas!

    É triste ver o processo eleitoral sendo tratado com tanto descaso.

    Culpar quem? O povo pela omissão ou os políticos pelo oportunismo e cara de pau?

    A família que copia, bem que podia peitar essa causa. (sic) Opa! Foi mal, eles são propaganda enganosa.

    Aliás, qual agente políltico não tem sido propaganda enganosa? Chamem o PROCON!

    O último que não era, foi embora ontem.

    Descanse nos braços do Pai, exemplo José Alencar.

    Xadem

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  3. Aparecido de Souza Lima disse:30/03/11 9:22

    O que se pode esperar de um país, onde seu povo age com hipócrizia, elegendo candidatos duvidosos, e os que já estão no poder, que ainda a ficha não caiu, coloca para seu assessoramento, pessoas que ainda estão em processo; foram vistos; citados e etc. nos escandalos de repercusão nacional. Será uma nova Ditadura resolveria ?

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  4. José Perácio disse:30/03/11 10:25

    Como alternativa ao voto que dificilmente encontraria força para mudar os políticos no Brasil, uma vez que a condição cultural é efémera, a única forma que vejo para balançar os políticos será abaixo assinados via internet. E por que não censurar-los por divulgação maciça por blogues e, assim como fizeram os povos do médio oriente.

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