Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

17/04/2011 6:00

O PSDB e a oposição

Jornalista

O PSDB, partido comandado por tucanos de nobre plumagem, inaugura no Brasil novo tipo de oposição: da convivência fraterna com o Palácio do Planalto. Em Minas, uma das sedes do Tucanato, o governador Antonio Anastasia, nos três primeiros meses deste ano, encontrou-se fraternalmente cinco vezes com a chefe da Situação, a presidente Dilma, do PT.

No primeiro encontro, Anastasia foi recebido por Dilma em audiência no Palácio do Planalto; a segunda vez foi em uma reunião coletiva de governadores da Sudene, em Sergipe; a terceira, em Uberaba, quando a presidente anunciou uma parceria com o Governo do Estado para instalar uma fábrica amônia da Petrobras e a extensão do gasoduto Brasil-Bolívia até aquela cidade; a quarta vez foi quando Dilma lançou em Belo Horizonte um programa de assistência médica pública a mulheres e a quinta vez, no velório do vice-presidente, José Alencar.

Em todas as vezes, Anastasia e Dilma se portaram como estadistas dispostos a colaborar um com o outro. No Senado, o líder maior da política mineira, Aécio Neves (PSDB) inaugurou o novo modelo de oposição fraterna, disposto a colaborar com o Trono no interesse da população. É novo estilo, com certeza. Nas Alterosas, o Tucanato brilha numa área onde o PT tem apenas um ministro no Governo Federal — Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio — e o PMDB não tem representante no primeiro escalão do Governo Federal.

SEM OPOSIÇÃO

A presidente Dilma, nos primeiros 100 dias no Governo, convive pacificamente com os governadores eleitos por partidos da Oposição. Dilma ainda não teve que enfrentar pressão política. Só recebeu reivindicações dos governadores “adversários” relacionadas às obras de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e mostrou-se solidária.

PODER ABSOLUTO

No modelo administrativo brasileiro, o Governo Federal concentra a maior parte da arrecadação nacional. Por isto, todos os governadores dependem da boa vontade do governante federal para receber recursos, assinar convênios ou contrair empréstimos em bancos federais. Neste cenário, os governadores deixam a oposição ao partido e ficam neutros.

DEPENDÊNCIA

No Congresso, o Governo não tem oposição. A maioria dos parlamentares não se opõe ao Governo, porque espera que este libere recursos das emendas parlamentares que incluíram no Orçamento da República. Os deputados e senadores precisam dos recursos das emendas para encantar prefeitos na Base Eleitoral e conquistar votos para a reeleição.

Comentários (2)

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  1. Mario Borges disse:17/04/11 9:14

    São todos adeptos de São Francisco.

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  2. Diógenes Pereira da Silva disse:18/04/11 4:41

    Se levarmos em consideração os últimos episódios da política brasileira. A posição mesmo é coisa que pertence ao passado há muito tempo. Esse fator de não impor imposição não é exclusividade do PSDB. Mas da maioria dos partidos. A falta da oposição nos atos do Governo é um fator preponderante para a democracia no Brasil, mas parece que os interesses partidários e os pessoais são mais importantes. Sem oposição do vento a pipa não sobe, e assim, começa os desmandos.

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