Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

29/05/2011 6:00

Liberação das drogas

Jornalista

Do cidadão Inácio Angel Ocampo (iocampo@netsite.com.br), recebemos o texto abaixo, com cujo conteúdo concordamos e o transcrevemos para o conhecimento e reflexão dos leitores deste espaço: “Um dia, um grupo de poderosos líderes mundiais vai pedir à ONU que acabe a guerra contra as drogas e se mova em direção à legalização. Mas os políticos dizem que a sociedade não vai apoiar políticas alternativas com relação às drogas. Vamos apoiar massivamente esta oportunidade única e agir urgentemente. Assine abaixo e conte a todos. Um dia, nós poderemos ver o começo do fim da ‘guerra às drogas’. O tráfico de drogas é a maior ameaça à segurança da nossa região, mas essa guerra brutal falhou completamente em conter a praga da drogadição ao custo de inúmeras vidas, da devastação de nossas comunidades e do afunilamento de trilhões de dólares em violentas redes de crimes organizados. Especialistas concordam que a política mais sensata é acabar com a guerra às drogas e legalizá-las, mas a maioria dos políticos tem medo de tocar no assunto. Um dia, uma comissão global incluindo antigos chefes de Estado e altos membros da política externa do Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos e México vão quebrar o tabu e pedir publicamente novas abordagens, inclusive a descriminalização e a legalização de drogas. Este pode ser um momento único – se um número suficiente de nós pedir o fim dessa loucura”.

Longa guerra

E o texto continua a abordar com clareza, objetividade e conhecimento de causa o fenômeno da drogadição na sociedade humana: “Políticos dizem que entendem que a guerra às drogas falhou, mas alegam que a sociedade não está pronta para uma alternativa. Vamos mostrar a eles que não apenas aceitamos uma política sã e humana – nós a exigimos”.

Alerta

Há muito tempo alertamos neste espaço que, há mais de 50 anos, a polícia combate, com rigorosa repressão, o contrabando, o tráfico e a distribuição de drogas no Brasil, mas a cada ano o número de dependentes aumenta e o tráfico também. Então é tempo de entendermos que não é possível combater a drogradição com repressão policial.

Realidade

Se o Congresso Nacional revogar a lei que permite a repressão policial contra a distribuição de drogas, a comercialização será livre e o tráfico acabará. A partir da liberação, a sociedade passará a conviver com o consumo de drogas como o faz hoje com as bebidas alcoólicas e com o fumo, que também são drogas que causam danos à saúde.

Comentários (3)

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  1. Xadem disse:29/05/11 7:15

    Um assunto complexo esse.

    Me responda Ivan, qual é a fórmula mágica para o consumo de algo que não tem uso adequado, ou recomendado para para ningúem, principalmente a falar pela subjetividade de cada um?

    Por exemplo. Suponhamos que eu seja usuário. Estou liberado de usar. Vou na farmácia hoje e compro uma dosesinha de cocaína. Faça isso durante todos os dias, durante 12 meses (se eu tiver limite por mês, peço minha mãe, esposa, namorada, prima, alguém pra comprar em seu nome).

    Então, tenho uma crise financeira. Não tenho mais dinheiro para comprar. Estou loucão por cocaína. Quem vai pagar? Você, o Estado? Bem, aí não consigo dinheiro para comprar, então eu preciso, preciso, preciso, preciso. Meu Deus! Eu, um sujeito normal, sedento por uma cheiradinha na cocaína. Chego o ponto de bater na sua porta, Ivan, para me ajudar a comprar um pouquinho de coca, mas tem que ser “coca da boa ou não é”. Desesperado, sem clínica, obviamente, então começo a roubar, espanco minha mãe, pai, esposa e filhos e até você, Ivan, se eu encontrar na rua, por conta de que eu preciso demais de uma coca da boa. E aí? O Estado me liberou de cheirar uma coca.

    Outra situação, eu pego, saio de carro. Dou uma cheiradinha. Fico loucão. Dou uma paradinha e dou mais um tapinha, cheiro mais um pouquinho de novo. Perco o controle do carro e passo encima do seu neto, o neto do Ivan.

    Todos sabemos que não há dose adequada para ser consumida e que a reação varia de indivíduo para indivíduo. Que a cocaína, por exemplo, LITERALMENTE, ele corroi, dissolve, queima o cérebro, deixando as pessoas com sequelas de raciocínio e tantos outros. Quem vai pagar ou se responsabilizar por essas sequelas? Você Ivan? Eu? Quando essa sociedade que está sendo incentivada a fazer sexo anal para entrar na modinha do sou gay, sou bi, se tornar também zumbi, quem vai pagar a conta?

    Nosso país não tem estrutura nem mesmo para garantir a presença de psicólogos nas escolas para identificar as crianças que são vítimas e as que praticam o bullying, imagina para ver se os jovens, que já bem a vontade e fumam, estão fazendo uso adequado de cocaína etc.

    Nosso país não consegue conviver nem com a cerveja, quem dirá com o maconha ou a cocaína.

    Ah! E esse lance de que a cocaína não leva a drogas mais pesadas é balela. Isso serve para a classe burguesa que consegue dar um tiro e ficar escondida, porque pobre, vai querer repetir a dose de prazer, vai vender tudo que tem para ter até não ter mais dinheiro e chegar, agora ao Oxi, de dois REAL, titio, que vai mata-lo, em alguns casos, em 1 ano.

    O que precisamos é fazer com que essa sociedade mesquinha, hipócrita e capitalista, consiga entender que é possível ser feliz sem um catalisador e dá pra fazer festa, sem swinger e sem alucinógenos.

    O Brasil, antes de terminar de liberar oficialmente, por informalmente, na minha opinião é liberado, precisa investir mais em educação, em tirar os 13 milhões da miséria e garantir a esperança. Sem isso, a geração Zumbi vai pegar o Ivan Santo, o Leandro Xadem, e todos seus familiares. E isso, não é balela, é fato!

    Ivan, quando falo você como exemplo, pode ser minha irmã, meu pai. É só pra deixar explícito que, na minha opnião, isso tudo está muito mais próximo de nós do que imaginamos e que as consequências nem sempre acontecerão no vizinho. Temos que parar com essa mania de nos consideramos intocáveis. Somos muito mais tocáveis do que imanigamos.

    Xadem

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    • Ivan Santos disse:30/05/11 7:37

      O consumo de drogas deve ser livre como e o de bebidas alcoolicas e cigarros. O papel do governo é educar os cidadaos e alertá-los para os danos que as drogas causam ao indivíduo que as consome, para a familia dele e para a sociedade. Educar também é papel da família e da igreja de cada um. Hoje, mesmo com toda a repressão, quem quiser comprar drogas ditas ilícitas, compra-as em qualquer cidade do Brasil e e pode consumí-las imoderadamente. O alcoolismo existe e a sociedade aprendeu a conviver com ele e com o consumo de cigarros. A sociedade aprenderá a conviver com o consumo livre de drogas e, quem quiser se drogar e morrer de ovedose que o faça por livre e expontânea vontade. Se acabar a proibição da distribuiçao de drogas hoje, amanhã não haverá mais traficantes e a corrupção que eles alimetam diminuirá. Há mais de meio século a polícia prende traficantes e o estado constroi cadeiras de segurança máxima para detê-los e, mesmo assim, todos os anos o número de pessoas dependentes de drogas aumenta. Por que a sociedade não vê isto? É preciso entender que os traficantes não enriquecem vendendo pedrinhas de craque nem gramas de cocaína ou maconha. Atrás do tráfico de drogas está uma superorganziação que lava dinheiro sujo que brota das concorrências fraudulentas de obras e serviços públicos e de mil outras maracutais. No passado foi assim com os banqueiros do jogo de bicho. Hoje o biombo é o tráfico de drogas. Este só acabará com a liberação. No entanto, tem muita gente importante que não quer que se liberem as drogas nem mesmo as descriminem. E a sociedade, movida por sólida estratégia de marketing, defende uma repressão cara que deixa tudo como está. Se as drogas forem liberadas o governo poderá usar o dinheiro que hoje gasta inutilmente com a repressão para tratar dos dependentes que, com a criminisação são abadonados como párias sociais.

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  2. Mário Borges disse:30/05/11 8:47

    Parabéns ao Ivan e ao Xadem, como nos tribunais do Júri, advogados de defesa e advogados de acusação, o reú não pode ser o dependente químico, e sim o Governo, o Governo tem que investir mais em Educação e Saúde , e isto não esta acontecendo no Brasil, é só ver quanto ganha uma professora e um médico que trabalham para o Governo , para sobreviverem , trabalham em 2 ou mais empregos, isto é um absurdo. Quanto ganha um motorista no Senado ?

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