Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

10/06/2011 7:48

Uma lição de política

Jornalista

A crise prematura, que sacudiu o Governo nos últimos dias e que resultou na demissão do “primeiro ministro” Antonio Palocci, mostrou que a presidente Dilma é competente gestora, mas não tem sensibilidade política. Ela escolheu para o Ministério da Casa Civil uma gestora com o perfil dela mesma e o fez sem habilidade política. Nomear a senadora que numa reunião da Base Aliada pediu a demissão de Palocci, certamente, não foi uma demonstração de conhecimento da arte política. E a senadora, que pediu a cabeça do ministro acuado por denúncias de corrupção, também não pensou na responsabilidade política na hora de aceitar o cargo.

Dona Gleisi terá dificuldade para conviver com os parlamentares aliados no Governo. Para evitar problemas, a presidente Dilma vai precisar retirar da Casa Civil a coordenação política e mudar o ministro das Relações Institucionais (também sem habilidade) e encontrar alguém que saiba administrar contrastes e confrontos entre os partidos aliados. Alguém capaz de promover equilíbrio na Base Aliada. Se não fizer mudanças com urgência no atual modelo político, Dona Dilma terá que matar um leão por dia para conduzir o barco do governo por mares agitados.

Ser boa e competente administradora é uma coisa. Liderar o processo político é outra muito diferente. Até agora, a presidente Dilma apresentou-se como muita competência gerencial para conduzir o Governo, mas, como chefe, ela precisa saber liderar.

EM BOA HORA

A vantagem que leva a Presidente hoje é que a primeira crise política no governo ocorreu no começo do mandato e ela nomeou imediatamente a sucessora de Palocci antes que o democratismo levantasse ambições na Base. A decisão não fortaleceu politicamente a Presidente. E o fato de ela mesma assumir a coordenação política pode resultar em tiro no pé.

TUMULTO

O momento tumultuado serve de advertência à Dona Dilma. Se ela realmente quiser conduzir o governo com soberania, precisa livrar-se da influência do ex-presidente Lula, evitar articulações políticas no Palácio do Jaburu e montar o Governo com o seu próprio perfil. A hora é boa para iniciar uma reforma capaz de colocar o trem nos trilhos.

PRUDÊNCIA

Dilma precisa entender que o processo político é complexo e exige que o líder ou a líder assuma o leme e conduza o navio a portos seguros. Em política ninguém pode delegar a obrigação de liderar. Em política, quem não lidera acaba liderado. Com aliados como os que tem a Presidenta, não se pode brincar. Conviver com ambiciosos não é fácil.

Comentários (3)

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  1. Diógenes Pereira da Silva disse:10/06/11 10:54

    A base aliada do governo só tem tubarão, principalmente no partido do PMDB, Renan Calheiros e companhia….Não são fáceis e demandará muito jogo de cintura. Pelo jeito o tumulto será contínuo principalmente se caracterizar fraqueza e inexperiência da Presidente Dilma para manobrar o curso no Planalto. O barco pode ter muita dificuldade para navegar em águas mansas.A situação política do governo federal, no momento mostra que tem muito Urubu esperando a morte da Bezerra.

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  2. mario macedo disse:10/06/11 11:37

    Ontem você assoprou….hoje está mordendo? Meu “DEUS”!

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  3. mario macedo disse:10/06/11 11:41

    Como o processo político é conduzido no interesse da Tigrada, então o caso Palocci está encerrado. A decisão da presidente Dilma, ao convidar a senadora Gleisi Hoffmann para assumir a Casa Civil com a missão de afastar a coordenação política da Pasta e concentrar-se no gerenciamento do Governo, parece que foi acertada. A senadora petista paranaense é cara nova no Núcleo de Decisões do Planalto. Já provou que tem competência gerencial em outras missões importantes, é inteligente, moralmente íntegra e politicamente limpa. É uma esperança positiva. Assopra e morde

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