Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

17/06/2011 6:00

Dívida pública do Brasil

Jornalista

O escritor mineiro Guimarães Rosa, na voz de um vivente do Grande Sertão, ensinou aos portais: “Compadre, não há almoço de graça; se alguém comeu sem pagar, outro alguém pagou por ele”. Esta filosofia simples serve hoje para que brasileiros e brasileiras entendam como foi que o ex-presidente Lula pagou a Dívida Externa do Brasil. Em 2003, quando ele assumiu a presidência da República, o Brasil devia lá fora, US$212 bilhões. Uma enormidade! A Dívida Interna do País era R$ 640 bilhões. Com a crescente valorização do Real, em 2007, Lula usou a rede bancária para vender títulos da Dívida Pública Interna. Com juros altíssimos foi fácil vender os títulos a investidores internos e externos. Com o dinheiro arrecadado Lula pagou a Dívida Externa, mas aumentou a Dívida Interna para R$ 1 trilhão e 400 bilhões. Na verdade, Lula nada pagou; simplesmente trocou divida externa por dívida interna. Ao deixar o governo há seis meses, Lula deixou outra Dívida Externa no valor de US$ 214 bilhões e a Dívida Interna em R$ 1 Trilhão e 650 bilhões. Somadas as duas, a Dívida Pública do Brasil já passa de R$ 2 Trilhões. Esta difícil realidade está configurada no recém divulgado Relatório da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Este órgão administra com indiscutível competência a baita dívida pública da nação brasileira enquanto os políticos com mandato cobram da Presidência da República a liberação de bondades em tempos difíceis.

Sem mudança

A Dívida Pública do Brasil tende a ser crescente porque o Governo continua a emitir títulos para pagar os juros aos credores sem reduzir o custeio da máquina administrativa com economia de recursos orçamentários. Assim o governo vai continuar a vender mais títulos e, para isto, precisa manter os juros altos a fim de atrair investidores.

Sem diálogo

O diálogo do Governo com os parlamentares da Base Aliada que querem a imediata liberação dos recursos de emendas aprovadas no Orçamento, não será fácil. Cada parlamentar espera receber R$ 6 milhões para distribuir nas bases eleitorais antes de começar o processo eleitoral do ano que vem. O Governo pode endurecer e o tempo escurecer.

Aviso prévio

O relatório da STN informa que o ajustamento da Dívida Pública nacional será lento, cuidadoso e refletirá o desenvolvimento do mercado financeiro. Foi um recado aos bancos que vendem no mercado os títulos do Governo: Tudo vai continuar como foi no tempo de Lula. O governo vai vender títulos e os bancos vão engordar os balanços.

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