Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

5/07/2011 6:00

No meio do furacão

Jornalista

A presidente Dilma Rousseff tem fama de boa gestora pública, mas, em seis meses no comando da República, deu mostra de que tem pouca habilidade política para lidar com uma base de apoio que só pensa em levar vantagem em tudo. Não é fácil administrar interesses particulares de quase quatro centenas de parlamentares espalhados por 18 partidos aliados. Seis meses depois da posse, Dona Dilma ainda não apresentou um programa de governo para o Brasil e comanda um governo de continuação, não de renovação. As denúncias de corrupção continuam a aparecer, como no governo passado, e isto não é renovação; é continuação, com certeza. Se a presidente não agir agora com firmeza, o barco que ela conduz terá dificuldade para chegar a um porto seguro. Jânio Quadros e Fernando Collor desafiaram o Congresso, que só pensava em benefícios para seus membros, e deu no que deu. Dona Dilma, neste momento, enfrenta dificuldades maiúsculas com os aliados da Base de Apoio ao Governo. Essa gente não pensa no Brasil. Pensa nas próximas eleições. Cada parlamentar espera receber, por ano, nada menos do que R$ 13 milhões em Emendas Parlamentares para comprar apoio político nas bases eleitorais. Se o Governo não libera Emenda, como fez o antecessor de Dilma desde 2003, a Base se irrita. Aliados no Congresso cultivam a filosofia de São Francisco, segundo a qual “é dando que se recebe”. Poucos no Congresso pensam no Brasil.

Presentes de grego

O ex-mandatário popular recebeu aplausos da Tigrada quando anunciou para o Brasil a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016. A pátria de chuteiras aplaudiu o Astro Presidente. Dilma ficou com a obrigação de gastar bilhões para reformar aeroportos e construir e reformar estádio. Herdou pepinos e abacaxis pra descascar.

Herança difícil

Na verdade, a presidente Dilma herdou dois presentes de grego, um para 2014 e o outro para 1016. A massa popular quer ver a bola rolar em 2014 e o Brasil ganhar medalhas em 2016. Ninguém quer saber quanto custará mandar esses jogos no Brasil. Dona Dilma sabe que, para contentar o povão, vai faltar dinheiro para melhorar serviços públicos.

Preocupação

Com os abacaxis legados pelo antecessor, que não mediu consequências para encantar a Tigrada e dela merecer os votos para manter o PT no poder, Dona Dilma não terá dinheiro o bastante para melhorar a saúde e a educação e garantir segurança pra todos. A Base Aliada no Congresso já se preocupa com efeitos colaterais negativos nas eleições de 2012.

Comentários 1

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  1. Picolino -Uberlândia - MG disse:05/07/11 11:36

    No Meio do Furacão…O negócio tá fincando feio! Ivan, você sabe qual a diferença entre uma mulher e um furacão? R-Nenhuma. Quando chega, é quente e úmido e quando vai embora te leva o carro e a casa. Valeu! Abraço.

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