Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

3/08/2011 6:00

Corrupção espetacular

Jornalista

No Brasil, desde a Proclamação da República em 1889, houve suspeitas de corrupção no Governo, mas não de forma tão sofisticada como ocorre neste momento. Depois que o presidente Lula terceirizou a administração pública e deu autonomia a partidos aliados na administração de Ministérios, o uso de “mensalões” para fortalecer legendas aliadas interessadas em conquistar mais espaços no poder político cresceu. Os recursos do Tesouro Nacional passaram a ser “Coisa Nossa”. O modelo de aliança política montado por Lula deu aos partidos aliados o poder de mandar e desmandar em ministérios ou órgãos do Governo. Foi assim que o PR apropriou-se do Ministério dos Transportes com o direito de nomear “cumpanheiros”, promover licitações especiais e cobrar propinas para turbinar as finanças da agremiação política aliada. Esse modelo deu ao PP o domínio no Ministério das Cidades, ao PMDB e ao PTB o poder de influir no Ministério da Agricultura e no de Minas e Energia e o PCdoB conquistou espaços de manobras na Agência Nacional do Petróleo. A administração compartilhada montada por Mestre Lula transformou-se em fonte alimentadora de “mensalões” sem controle do Palácio do Planalto. A presidente Dilma, ao demitir aliados suspeitos de terem cometido falcatruas no Ministério dos Transportes, é vista pela opinião pública como moralizadora. No entanto, Sua Excelência corre o risco de ficar isolada no Congresso onde a Base Aliada “só pensa naquilo”.

Oposição sem poder

Neste momento, os partidos de oposição defendem a criação de uma CPI para apurar a veracidade das denúncias que aparecem na imprensa. Não e fácil aprovar uma CPI num Congresso cuja maioria é formada por partidos aliados ao Governo. O Governo não quer CPI, porque sabe como cada uma começa, mas não pode prever como poderá terminar.

Sem poder

Hoje, a Oposição não tem força para convocar os ministros Paulo Sérgio Passos (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Mário Negromonte (Cidades), Edison Lobão (Minas e Energia) ou Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) para explicar suspeitas de corrupção nos ministérios que comandam. CPI sem permissão do Governo, hoje, é piada.

Indignação

O que é grave diante do crescimento da onda de denúncias de corrupção em órgãos do Governo é a indiferença dos cidadãos e cidadãs da República e o descaso coletivo pela honestidade. Na sociedade brasileira, falta hoje disposição mínima para a indignação e para protestar contra falcatruas audaciosas em ações governamentais.

Comentários (5)

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  1. Diógenes Pereira da Silva disse:03/08/11 9:19

    Caro Ivan Santos, imputo à corrupção brasileira em duas situações distintas: primeiro a impunidade, pois são raras as punições com relação à corrupção no Brasil; segundo que o próprio povo não usa do poder que dele emana, não acompanha as ações dos nossos governantes e principalmente não fiscalizam as obras públicas. Se não fosse o trabalho notório e profundo de alguns órgãos da imprensa brasileira como do Jornal Folha de São Paulo, Revista Veja e outros, a situação em nosso país seria muito pior, pois os corruptos, hoje no Brasil temem muito mais a imprensa do que a própria justiça. É por isso, que a liberdade de imprensa e da manifestação do pensamento é tão importante em um país que se diz democrático. Olhe só este espaço oferecido pelo Jornal do Correio para que os leitores se manifestem. Apesar disso, são poucos os que usam dessa liberdade, perdendo a oportunidade de expor suas indignações contra os abusos políticos deste país, esquecem, contudo, que os políticos hoje têm pessoas exclusivamente empenhadas para acompanhar manifestações desta magnitude e importância.

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    • Léo Teterello disse:03/08/11 19:15

      Diógenes, e do que serve a “revolta de sofá” ao escrever neste “espaço do Correio”, em que muitas vezes algumas mensagens não são publicadas por “afrontarem” interesses… e ainda que sejam… reitero a pergunta, de que adianta?

      20 mil lêem o Correio?… desses, menos de 10% o artigo do Ivan ou do Walace, e assim não chega a 200 os q se dão o trabalho de comentar ou ler comentários…. e então, de que adianta?

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      • Léo Teterello disse:03/08/11 19:16

        Falamos para nós mesmos.

        Qualquer semelhança com o cachorro que corre atrás do próprio rabo, é mera consicidência…

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        • Paulo Camargo disse:05/08/11 22:16

          Léo, gostei de sua colocação. Tem uma frase no fim do filme Tropa de Elite 2, na qual o personagem Coronel Nascimento fala que, nesse país, o governo só teme a imprensa.
          Creio que esse poder que a imprensa tem afeta diretamente ao legislativo, quando as notícias tem grande alcance na sociedade. Baseado nisso, os grandes jornais e revistas do país sabem bem como trabalhar esse poder. Aposto contigo que se esta coluna fizesse parte do Jornal Nacional o impacto seria muito maior (apenas um detalhe, odeio a Rede Globo).
          O comportamento da sociedade brasileira diante da política brasileira é merecedor de uma tese de doutorado. Acho que cabe uma discussão sobre este caso futuramente aqui nesse espaço (Ivan Santos, pense nisso com carinho).
          O poder está nas mãos da imprensa sim. O problema é que a opinião pública nesse país (em grande maioria) e dominada pela REDE GLOBO; e esta só defende seus interesses próprios.

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  2. Paulo Camargo disse:05/08/11 22:22

    Apenas para complementar…
    Como imagino que o poder da opinião pública está nas mãos da Globo, só há uma forma conhecida de combater esse gigante: fortalecer outro gigante.
    Pode parecer piada, mas essa é uma estratégia antiga de guerra.

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