Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

19/08/2011 6:00

Governo tereceirizado

Jornalista

A demissão de executivos acusados de práticas de corrupção, não esgota processos de irregularidades em Ministérios. O Governo tem obrigação de apurar as irregularidades denunciadas e, em caso de comprovar apropriação indébita de recursos públicos, precisa punir os eventuais culpados por prejuízos impostos ao erário público. Os escândalos no Governo não estão encerrados com a demissão de ministros. É preciso apurar as denúncias em todos os Ministérios e órgãos do Governo. Falta ainda passar a limpo todo o Governo e acabar com o modelo de administração terceirizada iniciado no Brasil pelo presidente Lula. Hoje não é segredo que os principais partidos aliados se apropriam de um Ministério, não para empreender administração qualificada para melhorar a vida publica, mas para fortalecer o Caixa da agremiação. O presidente Lula montou uma base de apoio no Congresso com a distribuição de cargos e Ministérios aos partidos aliados sem levar em conta a competência técnica dos executivos indicados por partidos aliados. Por esse modelo, basta o apoio do Partido ao Governo. De posse de um Ministério, o aliado passa a comandar negócios especiais que possam render dinheiro para financiar campanhas eleitorais. Assim, o Ministério da Agricultura e o do Turismo foram doados ao PMDB; o das Cidades ao PP e assim outros foram loteados entre “cumpanheiros”. Demissão de ministro não acaba com a terceirização no Governo.

Domínio

O PMDB, dono do Ministério da Agricultura, apressou-se e já apresentou o nome do “cumpanheiro” Mendes Ribeiro, do Rio Grande do Sul, para substituir o “cumpanheiro” Wagner Rossi, amigo e pupilo do vice-presidente Michel Temer. Wagner Rossi pediu demissão depois de intenso tiroteio contra a administração dele no Ministério da Agricultura.

Mau agouro

Se a presidente Dilma aceitar a indicação do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS), a primeira consequência política não será animadora. O suplente de Mendes Ribeiro é o ex-deputado e ex-ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Este, quando foi ministro, deu muito que falar como facilitador de negócios especiais em obras rodoviárias.

Tercerização

Com o modelo de administração terceirizada não basta mudar ministros. Quem for nomeado para substituir quem caiu em desgraça, chega com a missão de fortalecer o partido para que este tenha dinheiro com que possa ganhar eleições e eleger “cumpanheiros” para poder executivo ou legislativo. Governo terceirizado é foco de turbulência imprevisível.

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