Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

20/08/2011 6:00

PCdoB e o comunismo

Jornalista

Meu colega Walace Torres informou-me que o diretório municipal do PCdoB promoverá, nos dias 21 e 28 deste mês, um curso de formação política básica para os camaradas do partido. O curso será ministrado por estrategistas eleitorais do PCdoB, que orientarão os pré-candidatos às eleições. No passado, participei de cursos de formação política ministrados pelo Partidão de Luiz Carlos Prestes (PCB) e pelo PCdoB do camarada João Amazonas e do intelectual Maurício Grabois. A crítica do capitalismo era baseada no livro “O Capital”, de Karl Marx, e a estratégia política na ação revolucionária do russo Lênin. As lições, recheadas de filosofia socialista, apontavam as contradições do capitalismo. Hoje, o capitalismo está vivo no mundo e é reforçado pelo velho liberalismo elitista. O comunismo desapareceu do mapa terrestre. Hoje, o PCdoB não tem filosofia a defender, não é socialista nem capitalista. É um partido como os outros que procuram levar vantagem em qualquer governo constituído. Nenhum comunista do PCdoB come criancinhas nem é revolucionário. Pelas informações que chegaram ao jornal, os neocomunistas uberlandenses ministrarão um curso para que seus pré-candidatos possam aprender como ganhar votos na próxima eleição. O objetivo é conquistar parcela de poder na Câmara para depois apoiar um prefeito neocapitalista travestido de socialista. Importante é ter mandato para poder ganhar bombons multicoloridos e doces. E o povo? Ora, o povo! Este é só um detalhe nas eleições.

Revolucionário

Certa vez fui, como jornalista, a Curitiba, observar o movimento comunista de lá. Conheci o lendário capitão Agliberto Azevedo, que se destacou na Intentona Comunista em 1935, após ter sido acusado de “matar covardemente” outro capitão companheiro dele. Agliberto explicou-se na ocasião: “Foi um confronto no qual era eu ou ele.”

O teórico

Agliberto Azevedo, teórico marxista, ministrava aulas de socialismo e explicava os efeitos da “mais valia” no processo de acumulação de capital que os socialistas condenavam. Em uma semana, aprendi muito com as aulas do intelectual Agliberto Azevedo, que foi anistiado pelo presidente Vargas. Ele dizia: “A história é contada pelos vencedores”.

Moscou brasileira

Em Uberlândia – a “Moscou Brasileira” – havia aulas de formação comunista no PCB. Conheci aqui um sábio professor de teoria marxista, o médico Virgílio Mineiro. Era ele intelectual. Nelson Margonari, João Cândido, Argemiro Lima e Joaquim Ferreira, seguidores de Prestes, eram apenas operadores do PCB. Não há mais comunistas como aqueles.

Comentários (5)

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  1. Léo Teterelo disse:20/08/11 13:16

    Assumindo o lado comunista-retrógrado Ivan?

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    • Ivan Santos disse:20/08/11 15:54

      Naquele tempo, Jorge Amado, Graciliano Ramos, Dias Gomes, Oscar Niemeyer e Mário Lago tambem eram comunistas retrógrados.

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      • Léo Teterelo disse:21/08/11 11:19

        Naquela época eles, e o Sr. eram só comunistas. Retrógrados, muito poucos, são hoje.

        Aproveitando o momento histórico… conta aí sobre o período em que apoiava a ditadura!?.

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        • Ivan Santos disse:21/08/11 14:23

          Nunca fui comunista, nem socialista, nem ista algum. Na ditadura militar, sofri com a cesura. A ditadura foi boa para ativistas sindicais como Lula que recebeu do general Golberi do Couto e Silva apoio logístico para fundar o PT. Aliás, foi Golberi que pediu ao cardeal Dom Paulo Evaristo Arnas para fornecer ativistas das comunidades Eclesiais de Base para Lula formar o PT. Para isto, estimulados por Golberi, também participaram intelectuais da Unicamp. Os militares entendiam que o líder sindical Lula seria uma arma para desmantelar o esquema comunista organizado no Brasil. Alias, o que os militares temiam era o comunismo, não o trabalhismo de Lula que eles sabiam que era um movimento com visão apenas voltada para assumir o poder polítco e deixar tudo como estava, como sem tinha sido.

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  2. luis mendes disse:21/03/12 13:59

    a critca e boa enquanto o critico não apenas faz por fazer, e muito dificil pra mim aceitar qualquer opinião sem antes conhecer profundamente o asunto em pauta, seria tão bom se tivesemos uma outra pespctiva de ver as coisas em nosso mundo, e não fazer certas ofensivas, que de nada vai fazer diferença.

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