Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

24/08/2011 6:00

Religiosidade e política

Jornalista

Segundo o jornal “Folha de S. Paulo”, “os quase 4 mil habitantes da favela Santa Marta, na zona sul do Rio, têm à disposição deles sete igrejas evangélicas e uma católica nos limites do morro. Nas redondezas, num raio de 500 metros, há outras cinco. Com tantas opções é comum encontrar quem frequente mais de uma igreja, tenha trocado de seita várias vezes ou mesmo famílias nas quais há, pelo menos, um integrante que vai a casas de orações diferentes”. O jornal informou que “as pessoas hoje se sentem menos presas; frequentam mais de uma igreja, sem problema e, às vezes, escolhem uma de acordo com os serviços oferecidos, segundo o pastor Valdeci Pereira, da Igreja Batista de Santa Marta. Este pastor disse também que “apesar de tantas igrejas em busca de fiéis no mesmo local, as relações entre eles são amistosas e a religião também não é problema”. As pessoas só querem saber se Deus as abençoa e se as levará para o céu e mudam de denominação religiosa como quem muda de vestimenta, porque só depositam esperanças numa nova denominação religiosa que tenha poder para abrir-lhes as portas do céu. Às vezes, trocam de igreja porque mudam de bairro e não encontram a mesma organização religiosa na vizinhança ou casam, namoram ou fazem amizade com pessoas de outra denominação religiosa. Igreja boa hoje é a que acena com uma entrada triunfante e garantida no céu só com o pagamento do dízimo ao Senhor Deus.

História

A história tem mostrado que, todas as vezes em que uma igreja religiosa assume a condição de participante do poder político, acaba por este engolida. Foi assim que, na Alemanha, os católicos hipotecaram apoio integral a Hitler e foram por ele usados como inocentes úteis numa ação racista impressionante. Os católicos do Brasil apoiaram o PT.

Ativismo

Até hoje, a Igreja Católica tenta recuperar a imagem desgastada de Pio XII, acusado de ter apoiado o nazismo. A revista “IstoÉ”, de 25 de março de 98, publicou que “o Vaticano reconheceu omissão da Igreja no Holocausto, mas defendeu a atuação do controvertido Papa Pio XII”. A defesa de Pio XII pode ser bem frágil e enganadora no tempo.

Participação política

No Brasil inteiro, desfilam políticos carreiristas que foram batizados em igrejas regulares ou em seitas religiosas, de olho nos votos dos fiéis na próxima eleição. Alguns frequentam malandramente os cursos para aprenderem a interpretar os Evangelhos, as parábolas dos profetas do Velho Testamento e as metáforas das Epístolas do apóstolo Paulo.

Comentários (15)

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  1. Gustavo disse:24/08/11 8:13

    Tem razão Ivan. O senhor não citou o amado deputado Gilmar Machado, aquele sabe, que deu xiliques religiosos no debate de 2004 quando foi humilhado nas urnas.

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  2. Mário Borges disse:24/08/11 9:57

    Acho que todos os políticos são católicos e devotos de São Francisco de Assis, pois “é dando que se recebe” , mensaleiros de todos os partidos recebiam dinheiros e davam seu voto a favor de projetos do governo Lula, confirmando na pratica sua opção pelo Santo.

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  3. Léo Teterelo disse:24/08/11 10:27

    Faltou completar Ivan. Após falar de Hitler, o Sr. diz: “Os católicos do Brasil apoiaram o PT”….. e???

    Pq deixar mensagens subliminares? Diga logo o que quer dizer ora!!

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  4. Marcelo disse:24/08/11 11:32

    É seu Ivan, bora lembrar mesmo só dos fatos ruins. Nazismo… faltou falar da inquisição hein?! O texto ficou incompleto. E a pedofilia?? Nussss. Quais os documentos que comprovam tudo que é falado, como esse “apoio” ao nazismo e ao PT? Pelo que sei tem muitos católicos que apoiam o PT, mas a distância é grande para se falar que a Igreja apoiou o PT. Há diversos historiadores no mundo. Uns falam A e outros falam B.
    Mas o mais legal é que quando ocorreu uma porcaria no mundo, todo mundo quer saber o que a Igreja fez, mas quando se fala em belezas, aí o “homem”, esse ser perfeitinho, fez sozinho.

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    • Lucas disse:24/08/11 15:31

      Marcelo, todas as porcarias e belezas que ocorrem no mundo sao culpa do ser humano, imperfeito, a diferença é que em alguns casos há e em outros não há o apoio da Igreja…
      Não adianta colocar a culpa nos homens ou na Igreja, a culpa é dos dois. Alias a Igreja é formada por pessoa não é verdade?!

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      • Marcelo disse:24/08/11 18:40

        Depende né Lucas, quando o fato é ruim esquecem sempre de dizer que a Igreja é formada por homens. Tradicionalmente, a “culpa” que você menciona é direcionada à Igreja. Ao contrário do que ocorre com as questões políticas, em que se separa com bastante nitidez e a todo momento, um Ministério corrupto e a sua Chefe, a Igreja não recebe o mesmo tratamento.
        Se meia dúzia apoiou o PT, foi a Igreja. Mas se tem corrupção nos Ministérios, nunca será o governo da presidente.
        Mais didática fica difícil.

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  5. PAULO ROBERTO MELGAÇO disse:24/08/11 12:50

    Quando criança perdi a conta de quantos cascudos levei de meu pai por pular o muro da Igreja que eu fazia Catecismo. Até hoje após os 60 não conclui à primeira comunhão. Política e religião harmonizam com a massa ativa da sociedade, é tudo que os políticos querem.

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  6. PADRE AMAURI PAIXAO disse:24/08/11 17:55

    QUERO PARABENIZAR EM PRIMEIRO LUGAR, O ILUSTRE COMENTARISTA IVAM SANTOS, O QUAL SOU LEITOR ASSIDUO. CONTUDO, GOSTARIA SE OS SENHORES PERMITIREM, ACRESCENTAR MEU PITACO, NO ARTIGO. De fato a Igreja catolica Apostolica Romana, desde os primeiros seculos da sua existencia, sempre teve uma relação muito estreita com a Polis, aliás, seu fundador JESUS DE NAZARÉ, DA GALILÉIA PARA NÓS CRISTAOS, O CRISTO SENHOR DA VIDA, INQUIRIDO UMA VEZ POR UM DE SEUS DISCIPULOS, SOBRE O TEMA, FOI CLARO; DAI A CESÁR O QUE É CESAR E A DEUS O QUE É DE DEUS.DESDE ENTÃO,PERCEBEMOS QUE TEMOS COMPROMISSO COM O MUNDO QUE NOS CERCA. A melhor maneira de participar, as vezes e na sua maioria é o grande desafio? Como participar?Qual o melhor partido?Qual o partido que mais se aproxima dos ideiais do Evangelho? ACREDITO QUE MUITAS SERAO AS RESPOSTAS.Uma resposta generica em principio talvez, responderia? Mas,mais importante que as respostas que sao provisorias é a de estar sempre perguntando, para que possamos chegar atingir melhor a ÉTICA NA CONDUÇAO DA COISA PÚBLICA.Desse modo o perfil mais adequado para eleiçao dos futuros gestores da coisa publica, é de fato o termometro da Etica.O processo de redemocratização politica na América Latina, especificamente, no Brasil é recente e, diria que nós Brasileiros estamos aprendendo com o processo. As Instituições Religiosas e no artigo citado, Igreja Apostolica Romana, tem apreendido e muito. Sim, concordo com o Sr. Ivam Santos, que houve execessos em determinado momento por parte de alguns religiosos, o que nao justifica o distanciamemto da participação popular e sobretudo, dos cristaos católicos, na vida pública.O mais importante é que todos participem, de maneira consciente, livre de qualquer fisiologismo partidario, que tem se tornado a maioria dos partidos politicos no Brasil,nos diversos segmentos sociais, fortalecendo a nossa criança democracia.

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    • Ivan Santos disse:25/08/11 7:29

      PADRE AMAURY:
      Como o senhor, concordo que atos isolados de religiosos não comprometem a Igreja. Na comunicação jornalísticas, as pessoas só se animam ao raciocínio quando o fato refere-se ao todo e não a partículas do todo. Como o senhor, entendo que o processo político só melhorará quando a maoiria os eleitores privilegiarem a ética. Admiro o trabalho educativo para a política que fizeram em Uberlândia os bispos Estevão Cardoso Avelar, José Alberto Moura e os frades Egídio Parisi e Filomeno Popitti, verdadeiros líderes católicos que privilegiaram a ética na política.

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      • Mário Borges disse:25/08/11 9:58

        1.Ivan, Gostei das palavras do Padre Amauri, Ele é muito inteligente. Gostaria que Ele explicasse os motivos que a Igreja Católica Apostólica Romana tem em remover de suas paroquias os Padres que mais se destacam junto às comunidades Católicas, enviado-os para lugares distantes e com dificuldades materiais, falo por exemplo do Frei Filomeno Popiti ai de Uberlândia, do Padre Marcelo lá de São Paulo que agora só auxilia o Bispo em suas missas, e também o Padre Luiz Augusto, da Sagrada Familia de Goiânia, suas missas em Goiânia tinham em média 3.500 seguidores, foi transferido para uma paroquia na zona rural, trabalhou mais de 18 anos nesta paroquia da Sagrada Família. Acho que a Igreja deve dar uma explicação aos seus seguidores, e que seja honesta.

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        • PADRE AMAURI PAIXAO disse:25/08/11 17:36

          PAZ E SAUDE, QUERIDO Mario Borges. De fato a Igreja Católica, tem tido muitas mudanças na sua relação com o mundo, graças ao Evento VATICANO SEGUNDO, que reforça nao só uma Igreja de sacristia, mas Igreja comprometido com o Mundo.Nao mais ficar na torre da Igreja julgando o Mundo, mas, abraçar o mundo, nao confomando com os erros, mas melhorando.Poderia ter vindo pessoas mais interessantes que nós, ja que na sua eterna bondade Deus nos confiou a vinda, que façamos desta breve estadia, tanto quanto feliz.Saímos do Latim e fomos para os vernáculos, ( lingua propria de cada nação para celebrar) e tantas outras mudanças; o padre que vivia no altar é chamado para meio de sua realidade, junto com seu povo; o padre que ficava anos afins a frente de uma paroquia em alguns lugares fazendo até bodas de prata e de ouro, passa tambem por novo processo.Nesse contexto de mudanças a Igreja do Brasil, diga CNBB, sugere pra que o padre nao fique mais anos afins nas paroquias, com isso cada Diocese , junto com so senhores bispos, definam em comum acordo com os padres o tempo de transferencia.Em nossa Diocese de Uberlandia, em principio se da por razões pastorais e a cada 6 a 8 anos; conforme decisao do Sr. bispo e conselho presbiteral.

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          • Mário Borges disse:26/08/11 15:02

            Padre Amauri, desculpe, em time que esta ganhando não se troca nem a camisa. Estes padres que citei em carta não estavam “acomodados” em suas paroquias, pelo contrário, estavam fazendo exatamente o que manda o Sumo Pontífice, veja o que acontece aqui em Goiânia, o Padre Luiz Augusto foi para uma zona rural no município há 4 meses, lá existe a Comunidade Atos, antes com pouco movimento, agora com a chegada do Padre Luiz mudou tudo, neste ultimo domingo fui lá com minha esposa para assistir a missa Dominical, Ele já tinha conseguido levantar um galpão para celebrar suas missas, um estacionamento muito grande, e levamos o maior susto, a missa tinha mais ou menos 6.000 (seis mil pessoas), como nós, outros fieis que freqüentavam a Paroquia Sagrada Família também seguiram até a Comunidade Atos para assistir a missa do Padre Luiz . O nosso receio agora é que o Bispo de Goiânia fique ofendido pela movimentação dos fieis em busca das bençãos do Padre e o transfira para uma cidade bem longe de Goiânia. O Senhor falou que foram estabelecidas por razões pastorais de 6 a 8 anos a permanência dos religiosos em suas paroquias não é mesmo ? Entretanto não se aplica estas medidas aos próprios Bispos, não seria também salutar ? Sou Salesiano ai de Uberlândia, da Igreja Cristo Rei.

  7. joao roberto spini machado disse:29/08/11 9:54

    Religiosidade e Politica.Despeitos,Ciumes,Inveja.Como o meu computador esta falhando,vou ser rapido.Deve ser Pecado que estou cometendo,ao lembrar ao querido amigo Mario Borges,que,estou sentindo a falta do Padre Fabio Mello,Idolo da Significativa Parcela Feminina da nossa Nação,que me parece,levemente defenestrado,por uma turma de Padres,Vigarios,Bispos,Coroinhasmuito feios,na maioria,e que sofriam com a idolatria de que sofria o Padre Bonitão.Assim foi com o Marcelão,e será,com todos os mais,que surgirem,bem parecidos,inteligentissimos,comunicativos como os citados,que ainda deram sorte de não serem enviados para varios Confins brasileiros…

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  8. VALTER disse:29/08/11 14:48

    Igreja boa hoje é a que acena com uma entrada triunfante e garantida no céu só com o pagamento do dízimo ao Senhor Deus.É DIFÍCIL VER E OUVIR COMENTÁRIOS MALICIOSOS DE QUEM NÃO CONHECEM O DIA A DIA DE UMA IGREJA. E NÃO VER O TRABALHO SOCIAL QUE AS IGREJAS PRESTAM A SOCIEDADE. TIRANDO DROGADOS DAS RUAS. CRIANÇAS DO CRACK. MENDIGOS FEDORENTOS E MORIBUNDOS.DOS LUGARES QUE NINGUÉM QUER ENTRAR. OS QUE NÃO AJUDAM CRITICAM SEM NENHUM TEMOR E AMOR.DENTRO DOS HOSPITAIS AONDE ESTÃO MORRENDO COM O CANCÊR E A AIDS. E AONDE ESTÃO OS QUE CRITICAM PARA AJUDAR ESTAS PESSOAS DE ONDE VEM ESTE DINHEIROQUE CHEGA PARA ESTA OBRA SOCIAL É MAIS FACIL CRITICAR DO QUE AJUDAR AMOR AO PROXIMO E NÃO AO DINHEIRO CADA UM PRESTA CONTA DAQUILO QUE FAZ.

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    • Ivan Santos disse:29/08/11 15:11

      VALTER:
      O texto é ironia. Nada além disso. Metáfora e ironia são figuras de linguagem para serem interpretadas no contexto da composição e não ao pé da letra. Sei que o senhor estudou essas matérias quando, na escola, lidou com aprendizado de Lingua Portguesa. Sugiro-lhe que relembre o que aprendeu.

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