A não cassação da deputada
A Câmara dos Deputados decidiu que a falcatrua cometida pela deputada Jacqueline Roriz (PMN) antes de ser eleita não é crime político. Com base nessa tese, receber propinas antes de um parlamentar ser eleito não é crime. A decisão da Câmara, ao inocentar a deputada que apareceu em um filme recebendo propina, só tem uma explicação racional: se o mandato dela fosse cassado, todos os envolvidos no Mensalão do PT, no Mensalão do PSDB e em todas as acusações de apropriação indébita de recursos públicos através de negociatas poderiam ter que enfrentar processos de cassação, se a Câmara fosse pressionada pela população. Afinal, não há diferença entre o que apareceu no filme de Jacqueline Roriz recebendo propina e o que ocorreu no Mensalão. O PT calou-se e deixou seus deputados votarem corporativamente para perdoar a deputada acusada de improbidade. O PSDB fez o mesmo. Os partidos da Base de Apoio ao governo atuaram afinados e omissos. E mais: se o PT e seus aliados apoiassem publicamente a cassação do mandato da acusada, poderiam ver os envolvidos no Mensalão, pressionados pela opinião pública. Para tirar o sono de muita gente fina, bastaria um requerimento na Comissão de Ética da Câmara para reabrir o Mensalão e levar uma incômoda discussão ao plenário e aos jornais. Impassíveis, a Tigrada e a maioria da sociedade brasileira seguem indiferentes.
Tradição
Na Inglaterra não há CPI. Costumes tradicionais impõem probidade absoluta a todos os agentes públicos. Não é preciso lei punitiva. A sociedade pressiona o Parlamento, a Justiça e o infrator pede demissão, é processado e julgado de acordo com a tradição que impõe a devolução dos bens subtraídos. Lá não há redução de pena.
Um exemplo
Recentemente, na China, Li Hua, ex-presidente da China Mobile (empresa estatal de telecomunicações) foi condenado à morte pelo Tribunal Popular de Panzhihua por receber propinas. A sentença pode ser trocada por prisão perpétua, se ele for de bom comportamento após a condenação. Lá não há redução de pena para nenhum condenado por improbidade.
Dura lex
Li Hua aceitou suborno de 16,48 milhões de iuanes (US$ 2,58 milhões) e praticou tráfico de influência. Foi acusado, considerado culpado, devolveu o dinheiro que subornou, mas nada disso serviu de atenuante. Foi condenado à morte. Imaginar que o Congresso do Brasil aprovará uma lei draconiana como a que hoje vigora na China é utopia pura.
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Xadem disse:05/09/11 8:33
Ivan, meu caro, ningúem calou-se, todo mundo “acordou-se”. [risos]
Xadem
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Mário Borges disse:05/09/11 11:49
Uma lei destas aqui no Brasil iria elevar os preços nos cemitérios, quantos enterros por dia iria ocorrer em Brasília, lá na China tanto faz roubar 100 reais ou 100 milhões, a pena é a mesma. veja exemplos.. o vereador consegue uma nota fiscal fria, é descoberto, em 3 dias Ele e executado, Um ex-presidente ajuda uma empreiteira a pegar serviços no Brasil para construir um estádio, foi pego, em 3 dias executado, que bomk.
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Xadem disse:05/09/11 16:01
[risos]
Já que não é mais viável chorar. [risos]
Xadem
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Comentários (3)