Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

6/09/2011 7:54

Modernidade Cintilante

Jornalista

Quando comecei a trabalhar em jornal e fui me qualificar para redigir notícias, cheguei à Editoria de Polícia. Lá fui orientado por um chefe rigoroso e detalhista que me ensinou: “Quando a polícia encontra um indivíduo a cometer um crime, escreva que o “agente foi PRESO”.

A condição de PRESO só ocorre quando a polícia detém o agente em flagrante delito; fora disso, todo indivíduo, maior ou menor idade, é suspeito e, nesta condição, é DETIDO e conduzido à autoridade policial civil, que, após apurar as acusações, pode pedir ao juiz a prisão do infrator.

Só então, após decisão judicial, o infrator é PRESO”. Assim aprendi separar PRISÃO de DETENÇÃO. Aprendi também que “pessoas são PRESAS, coisas são APREENDIDAS”. Entendi que a polícia só PRENDE quando encontra o agente em flagrante delito. Hoje é diferente. Os modernos repórteres dizem que “menores são APREENDIDOS” como se fossem COISAS. Outra modernidade indica que BALAS de armas são MUNIÇÕES.

Eu aprendi que bala é bala e que MUNIÇÃO é o conjunto de cartuchos, carregadores, pólvora e todos os instrumentos usados para acionar armas de qualquer calibre em ações militares ou policiais. Nos exércitos há a expressão “MUNIÇÃO DE BOCA” para indicar os mantimentos carregados para alimentar as tropas em ações de combate. Hoje, na imprensa moderna, BALA, que já foi PROJÉTIL, virou MUNIÇÃO. Então: “A polícia encontrou na cena do crime um revólver com três munições”!

Surrealismo

É muito mais fácil dizer que “na cena do crime a polícia encontrou um revólver com três balas”. No entanto, até pouco tempo, os repórteres diziam que “a arma estava carregada com cinco PROJÉTEIS”. Hoje em dia, ficou mais esnobe dizer que “a arma estava carregada de MUNIÇÕES”. Conclusão moderna: “Se for possível complicar, pra que simplificar”?

Jargão policial

A modernidade chegou ao jargão policial. Já ouvi, na TV, policial a dizer: “cidadão infrator”. Nunca entendi por que, no Brasil, um criminoso não perde a cidadania enquanto está na prisão ou detido para averiguação. Assim a polícia poderá ordenar: “Cidadão, coloque suas mãos na cabeça porque Vossa Senhoria vai ser algemado”! Fantástico!

Cidadania plena

Com o tempo, pude perceber que o Brasil é o único país do mundo onde um preso não perde a cidadania durante o cumprimento de pena. Preso, caboclo tem o direito de votar e escolher o Presidente, o governador, o prefeito e os representantes dele na Câmara Federal, na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal. Isto é moderna cidadania?

Comentários (12)

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  1. Xadem disse:06/09/11 8:46

    A questão é que no Brasil, já somos, na maioria, criminosos.

    Os exemplos que vem de todas as “bandas”, ou melhor, de todas as “quadrilhas”, tem nos feito esquecer o quão importante é ter “valores”, não no sentido perjorativo da corrupção, digo, palavra.

    Já tivemos casos de pessoas que se sentiram “ofendidas” porque foram algemadas e aí mudaram a lei. É constrangedor… mas pobre, pobre além de ser algemado ainda leva um pau na popa.

    Eu tenho dito, estamos vivendo uma crise moral e de valores e o que retrata na coluna de hoje é nada mais, nada menos, que isso.

    Xadem

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  2. mario macedo disse:06/09/11 10:14

    Até que enfim, concordo!

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    • jobocas disse:06/09/11 14:38

      Aleluia…aleluia…aleluia…

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  3. Mário Borges disse:06/09/11 10:40

    Vejam que interessante, nas eleições para presidente em 2.006 o Sr. Luiz Inácio lula da Silva, mais conhecido como Lula, obteve maioria absoluta dos votos dos presidiários em todo o Brasil, isto foi um reflexo de sua conduta no Governo, isto mostra que os eleitores votam também em apoio a colegas de profissão, por exemplo..médicos votam em Alkim, também médico , e assim por diante, interessante pesquisa….

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    • mario macedo disse:06/09/11 11:44

      Quanta bobagem meu xará! A própria banalização desse tema mostra o quanto alguns brasileiros estão preocupados em desvendar os mistérios da corrupção!!!!

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    • Xadem disse:06/09/11 12:23

      Mário Borges, faça-me o favor [gargalhadas] [muitas gargalhadas], não me mate de tanto rir…

      Boníssima!

      Xadem

      [gargalhadas]

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      • mario macedo disse:06/09/11 21:24

        Xadem, você realmente achou tanta graça assim?!

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    • jobocas disse:06/09/11 14:03

      Mario Borges, você deveria ser colega do Ivan aqui no Correio. Já imaginou que dupla: um estudou no melhor colégio religioso de Minas Gerais e outro na grande colégio salesiano de Uberlândia, o lendário Cristo Rei, escolas que além da instrução ensinavam a raciocinar. Parabéns a ambos.

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  4. mario macedo disse:06/09/11 11:42

    Caro Ivan Santos, quando escrevo em sua coluna repudiando as críticas sobre o que fala em relação à corrupção e relacionando-as somente ao Partido dos Trabalhadores é pra que sejamos justos em reconhecer que essa pratica criminosa e nojenta infelizmente é cultural em nosso País e independe de ideologia ou grupo político e/ou
    agremiação partidária. Ontem postei aqui matéria do Portal UAI/EM dando conta da investigação de compra de votos pelo deputado federal Bonifácio Andrada “Tucano da mais alta plumagem”, prática essa comum à todos os políticos do país seja candidato às vereador ou à qualquer outro cargo político. Míope como à vezes o sr. descreve aqui aqueles que de sua opinião descorda são aqueles que acreditam realmente que a corrupção é criatura do PT. Veja essa matéria sobre a venda de sentenças favoráveis à liberdade de traficantes ( câncer de toda a sociedade, usuários ou não dessa maldita mercadoria que muitos acham por bem liberar seu consumo ):

    Empresário confessa ter repassado dinheiro para desembargador

    Alessandra Mello
    Publicação: 05/09/2011 08:24 Atualização:
    O empresário de Claúdio, no Centro-Oeste mineiro, Tancredo Tolentino, 52 anos, conhecido como Quedo, confessou em depoimento à Polícia Federal ter repassado recursos para o desembargador Hélcio Valentim, acusado de envolvimento em um esquema de venda de sentença para a libertação de traficantes. Em depoimento ao delegado federal Antônio Benício de Castro Cabral, no dia da Operação Jus Postulandi, Quedo disse ter recebido do advogado e vereador Walquir Avelar um envelope de papel pardo com R$ 45 mil. Ele disse que entregou R$ 40 mil ao desembargador em uma fazenda em Carmo da Mata, pouco antes da concessão do habeas corpus que liberou os traficantes do Mato Grosso presos em Minas Gerais Braz Correa de Souza e Jesus Jerônimo Silva. O restante do dinheiro – R$ 5 mil – foi a parte dela na negociação.

    Quedo, amigo de Walquir há cerca de 10 anos e do desembargador há quatro, afirma que foi procurado pelo advogado para interceder a favor da libertação dos traficantes por causa de uma palestra dada por Valentim no Triângulo Mineiro. Segundo o depoimento de Quedo, nessa palestra o desembargador teria dito que em casos de processo penal ele não admite excesso de prazo. Em todos os habeas corpus concedidos por ele e investigados pela PF, contudo, Valentim alegou que os presos estavam detidos além do prazo permitido pela legislação sem julgamento da causa. Ele informou à PF ter intercedido junto a Valentim a favor dos clientes de Walquir “quatro ou cinco vezes no decorrer deste ano”. Ele também revelou que uma negociação para a libertação de dois traficantes – os irmãos Thiago e Ricardo Bucalon – não prosperou, pois os dois não teriam obtido o dinheiro para pagar pela sentença.

    “O interrogado (Quedo) confirma que pediu vários favores ao desembargador Valentim e que ao obter sucesso lhe dava certa quantia em dinheiro apenas como forma de agradecimento’, diz um trecho do depoimento de Quedo. Durante o depoimento, ele confessou ter repetido o mesmo esquema usado para libertar os traficantes Braz Correa de Souza e Jesus Jerônimo Silva, para beneficiar Leandro Zarur Maia: teria dado R$ 40 mil ao desembargador, dinheiro repassado a ele por Walquir (Quedo ficou com R$ 5 mil). Ele contou que repassava ao desembargador cópia dos processos e pedia instruções sobre como redigir os pedidos de soltura, dados que eram entregues a Walquir.

    É por essas e outras meu caro colunista, que penso que como Jornalista que tem espaço importante nesse jornal, deverias ter mais responsabilidades em tentar induzir leitores à acreditar que o grupo político à qual defende é imune à mosquinha do ganho fácil e da apropriação do recurso público. Infelizmente a mosca faz parte de nossa “Cultura”!!!!

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  5. Diógenes Pereira da Silva disse:06/09/11 14:27

    O preso, não perde os seus direitos quanto à cidadania. Ele não deixa de ser cidadão, a Lei o ampara quanto à direitos humanos. Aliás, muitos presos e seus familiares, têm benefícios muito maiores do que o cidadão de bem. Senão vejamos:

    O cidadão trabalhador que pagou e contribuiu com a previdência social durante 35 dos seus melhores anos de vida, quando aposenta-se, a maioria recebem salários mínimos. É esse, inclusive o percentual de famílias que que tiveram aposentadorias com até 10 salários mínimos e hoje só recebem um. Já o preso, recluso, reeducando ou sabe-se lá qual nominação pode-se dar ao cidadão preso. Quando presos e contribuintes do INSS, empregados ou autônomos seus familiares recebem R$ 860,00 (oitocentos e sessenta reais) aproximadamente. Só por aí, vê-se que a cidadania na realidade do preso, passa a ser mais valorizada.

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    • jobocas disse:06/09/11 20:24

      Senhor Diorgenes, por favor, quais são os pressupostos para o pleno exercício da cidadadnia?

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      • jobocas disse:07/09/11 12:52

        Ter conduta cidadã, ou seja, respeitar as leis, pagar impostos, educar bem os filhos, ser correto com as pessoas, jogar o lixo no lugar certo e respeitar o meio ambiente, tudo o que o criminoso não faz.

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