Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

9/12/2011 6:28

Engodo Monumental

Jornalista

Um grupo de empresários, na semana passada, durante uma reunião em São Paulo, pediu mais empenho do presidente da Câmara Federal, Marco Maia, para aprovar o fim do voto secreto no Parlamento. A justificativa para o pedido foi que o atual sistema de votação secreta permitiu o arquivamento do pedido de cassação do mandato da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), flagrada pelo delator do Mensalão do Governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, recebendo dinheiro sujo. Jaqueline apareceu no filme como autora de um delito.

Hoje, quase ninguém mais se lembra de Durval Barbosa nem se preocupa com a deputada Jaqueline, que se prepara para pedir votos em 2014 a fim de continuar a representar o povo de Brasília na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ninguém se surpreenda se os eleitores brasilianos a reeleger para mais um mandato de quatro anos.

Exigir voto aberto no Parlamento do Brasil é erro monumental. Com o voto declarado, a maioria dos parlamentares que espera favores do Governo, como a liberação de R$ 13 milhões de recursos de Emendas Parlamentares, dificilmente votará contra a vontade do Trono. Com voto aberto só se elegerá para a mesa diretoria da Câmara quem o Palácio do Planalto quiser, porque, sem votação secreta, não haverá maioria independente para contrariar a vontade de quem tem poder para nomear e demitir e, sobretudo, conceder bondades com recursos do Orçamento Federal.

Ilusão

Os empresários que pediriam para extinguir o voto secreto no Parlamento da República mostraram que desconhecem a força que tem o Governo para influir na condução do processo legislativo. Se deputados e senadores não puderem contar com o sistema secreto de votação, não haverá independência para deliberar no Parlamento do Brasil.

Corrupção

A verdade indica que hoje, neste país, não há meio de punir político corrupto que receber mensalão. Deveria haver uma lei que punisse não só o agente político desonesto, mas também a empresa que se associou a ele para desviar recursos de obras ou de serviços públicos por meio de expedientes marotos ou de licitações dirigidas.

Dura realidade

A Câmara e o Senado não podem agir como delegacia de polícia para punir ladrões. Quem deve cassar políticos desonestos é o povo, na próxima eleição. Desonestidade, maracutaia ou improbidade não acabam com a simples extinção do voto secreto no Parlamento. O que acaba sem o voto secreto é a independência dos parlamentares no Legislativo.

Comentários 1

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  1. Xadem disse:09/12/11 7:53

    Que isso Ivan, não tem corrupção no país não. Você é muito maudosooo!!!

    [Hehehe]

    O pior de tudo que cai cai cai Ministro e outros agentes políticos e os únicos punidos são aqueles que não tiveram os recursos públicos disponíveis quando precisaram.

    Por isso que digo: Político Corrupto é Igual Assassino, e Pior, Porque Se Veste de “Santo”.

    Leandro Chagas Demetrio Xadem
    http://www.xadem.com

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