Picaretagem sofisticada
Uma das mais audaciosas picaretagens financiadas com dinheiro público no Brasil foi a da Coalbra – Coque e Álcool de Madeira S. A. – empresa de economia mista vinculada ao Ministério da Agricultura. A empresa foi criada para produzir metanol (álcool de madeira).
O produto reforçaria a política montada no Governo do general Ernesto Geisel – herdada pelo presidente Figueiredo – para transformar o Brasil numa potência energética. A Coalbra foi idealizada pelo engenheiro paulista, Sérgio Vieira da Mota, que para criá-la contou com o apoio do general Golbery do Couto e Silva, ministro da Casa Civil, e do ministro da Agricultura, Amaury Stábile, no Governo de Figueiredo.
Sérgio Mota, presidente da Coalbra, acompanhou a montagem da usina experimental em Uberlândia. O projeto prometia aproveitar os maciços florestais artificiais que cresceram na região com incentivos fiscais. A tecnologia para a produção de metanol (álcool de madeira) foi importada da Rússia que mandou engenheiros químicos para treinar brasileiros na usina experimental.
Foi um “Negócio da Mãe Joana”. Sérgio Melo aplicou a maior parte do dinheiro da empresa no mercado financeiro. Quando estourou o escândalo o ministro Stábile foi demitido e substituído pelo gaúcho Nestor Jost que, ao analisar os negócios da Coalbra, encontrou um rombo de US$ 250 milhões, dinheiro que foi creditado à Conta da Viúva. Jost mandou fechar a Coalbra.
Testemunha
Segundo o jornalista Sebastião Nery, depois de dar o golpe na Coalbra, Sérgio Mota foi fundar o PSDB e passou a ser o homem forte no Governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Foi ele o idealizador da reeleição do presidente da República. Para isto, negociou no Congresso a aprovação do projeto de reeleição para cargos executivos.
Plano Furado
Encantado com a popularidade que a execução do Plano Real deu ao presidente Fernando Henrique e com a estabilidade da moeda que reaqueceu a economia brasileira, Sérgio Vieira da Mota, então ministro das Comunicações, afirmou várias vezes que o projeto do PSDB, com a reeleição, era permanecer no poder por, pelo menos, 20 anos.
O susto
Ainda hoje há em Uberlândia vestígios da Coalbra. O patrimônio da empresa começou a ser leiloado por decisão do gaúcho Pedro Simon quando foi ministro da Agricultura escolhido por Tancredo Neves e confirmado no cargo por José Sarney. Simon, após a posse, veio a Uberlândia ver os restos da Coalbra e assustou-se com o que viu.
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Hudson disse:04/01/12 18:41
Interessante essa história da Coalbra. Não sabia que foi o Serjão Motta que teve a ideia de criá-la e promover picaretagem. Lembro dele como amigo e poderoso ministro de Fernando Henrique e homem forte do PSDB. Foi um tucano que mandava muito. Em se tratando de farra com dinheiro público, parece que nada mudou nos últimos 30 anos desde a ditadura militar até hoje. Os escândalos do atual governo petista é semelhante à corrupção do passado.Nesse sentido, o tucano Serjão Motta é igual ao José Dirceu. O PT não conseguiu acabar com a corrupção, assim nenhum governo é santo, principalmente num país onde a população desconhece como funciona o processo político. A coisa só vai mudar quando houver educação política nas escolas e assim haverá cidadãos-eleitores conscientes em nossa sociedade. Na escola desde o ensino básico o futuro cidadão deveria aprender como funciona o processo político, somente assim daqui a uns 30 anos não haveria picaretagem na política numa sociedade formada por eleitores conscientes.
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Severo Gomes disse:05/01/12 9:12
Foi um período muito triste no Brazil esse da ditadura. Fizeram orgias com o dinheiro público, além de eliminarem lideranças a ferro e fogo, violando todos os códigos de guerra. As forças armadas deveriam ter a coragem de pedir perdão, auditar todos esses dilemas e ajudar hoje a restruturar o país, ainda rico de recursos e pobre de espírito.
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Severo Gomes disse:05/01/12 9:14
Quem rouba um milhão tem cem anos de perdão…as cadeias estão lotadas de pobres, apenas pobres.
Comentários (3)