Segredos de estado
Mestre Tancredo Neves, que foi ministro da Justiça de Getúlio Vargas, aprendeu no Palácio do Catete que no exercício político diário é difícil guardar segredo. Por isso, dificilmente falava com alguém ao telefone, a não ser amenidades. Também, diante de um jornalista que acionava um gravado para entrevistá-lo, Tancredo só falava de fenômenos naturais, principalmente os do tempo. Sobre política nada comentava. Sem a experiência da raposa política mineira, a presidente Dilma iniciou o governo, segundo a jornalista Renata Lo Prete, da “Folha de São Paulo”, “determinada a combater o vazamento de informações confidenciais; aboliu até as reuniões diárias de ‘briefing’ nas quais discutia com ministros palacianos os temas com reverberação na imprensa”. E Lo Prete acrescentou: “Contrariada com a publicidade de assuntos tratados com reserva no Planalto, a presidente sinaliza que as decisões estratégicas ficarão circunscritas a um núcleo ainda menor de colaboradores”. Conheço esse filme e esse cenário. Pode custar, mas a presidente acabará por entender que em grupos não há segredo a guardar e descobrirá que temas discutidos em reuniões secretas no dia seguinte podem aparecer em algum jornal, em manchete ou sem destaque, discretamente em páginas internas que serão interpretadas por leitores qualificados que sabem decifrar códigos cifrados entre linhas. Sempre foi assim e assim continuará a ser na Pindorama governada pelo PT.
Camuflagem
Quem observou mensagens discretas nos jornais da semana passada percebeu que a presidente Dilma não mudará o modelo de governo, com ministérios dados de porteira fechada a partidos aliados, tal como herdou. Ontem, anunciou Marco Antônio Raupp como ministro de Ciência e Tecnologia e a transferência de Aloísio Mercadante para a Educação.
Passo a passo
As mudanças no Ministério serão modestas. Dilma deverá defenestrar Mário Negromonte (PP) e nomear Márcio Fortes (PP) para o Ministério das Cidades. Este é amigo do prefeito Odelmo Leão. Em seguida nomeará os novos ministros do Trabalho e das Mulheres. O baiano Paulo Sérgio Passos, travestido de PR, deverá continuar nos Transportes.
Fantasmas
E fusão de ministérios inoperantes como o da Pesca, o dos Negros e o dos Portos e de outros, se ocorrer por decisão da chefona Dilma, será uma verdadeira façanha política e um desafio à “cumpanheirada” que teme perder ricos empregos. Alguns mostrengos poderão continuar depois da Reforma, mas serão fantasmas na Esplanada dos Ministérios até 2014.
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Hugo Cesar Amaral disse:20/01/12 7:31
Ministério dos Negros? o correto seria dizer da “Igualdade Racial”!!!
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