Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

27/01/2012 7:12

A cut e o imposto sindical

Jornalista

A CUT, maior central sindical do Brasil, braço sindical do Partido dos Trabalhadores (PT), voltou a defender o fim do Imposto Sindical e a substituição dele por uma “taxa negocial” definida por sindicato com seus filiados em assembleia. Com esta proposição, a CUT dirigiu-se, recentemente, ao presidente do Supremo Tribunal Federal e pediu a agilização da votação da ação que trata da extinção do tributo. A ação foi proposta pelo DEM, um partido da oposição ao Governo, em 2008. A iniciativa da CUT serviu para unir todas as outras centrais sindicais lideradas pela Força Sindical contra a extinção do Imposto criado pelo presidente Getulio Vargas, em 1943. Alegam os cutistas que a contribuição sindical deixou os sindicatos acomodados e a maioria não cuida mais dos interesses dos trabalhadores. No ano passado, a União repassou R$ 1,2 bilhão às Centrais e aos sindicatos. O bolo arrecadado é distribuído em fatias: 60% para os sindicatos, 15% para as Federações, 10% para as Centrais Sindicais, 5% para as confederações e o restante para o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador. A CUT defende o fim do Imposto porque acredita que as outras centrais sindicais não sobreviverão sem ele. A tese da CUT enfraqueceu em 2008 quando o presidente Lula concedeu o repasse de 10% da arrecadação do Imposto Sindical no País, para as Centrais Sindicais. Agora a CUT volta a defender a extinção por política.

Fim da festa

Acabar com a bilionária conta do Imposto Sindical não é fácil. Em tese, a CUT tem razão quando diz que, com dinheiro fácil, os sindicatos se acomodam e passam a defender o governo que libera dinheiro. Assim, os sindicatos, em vez de se preocuparem com os problemas dos trabalhadores, preocupam-se em fortalecer o próprio caixa.

Ocupaçao de espaço

No campo político a CUT, apoiada pelo PT, não engoliu a transferência do poder no Ministério do Trabalho que Lula concedeu ao PDT em 2006. O que a CUT realmente deseja é afastar, do Ministério do Trabalho, o PDT e a Força Sindical, que estão unidos no projeto político. A CUT quer influir na política salarial e levar os louros para o associado PT.

Ação pelo poder

A tese da CUT contra o Imposto Sindical não é nova. Começou em 1983, quando foi fundada e foi esquecida quando o presidente Lula decidiu transferir 10% do tributo arrecadado para as Centrais Sindicais. O retorno à defesa da extinção do tributo pago pelos trabalhadores é uma ação política formulada para garantir ao PT muitos anos no poder.

Comentários (3)

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. joao roberto spini machado disse:27/01/12 9:14

    O Editor deste jornal,Ivan Santos,conhece a fundo,não só sobbre Politica,mas sobre tudo que fala.Esmiuça,vai a fundo,tem,uma sólida e diversificada Cultura,embasada em muita leitura,vivencia e pratica do bom jornalismo.por isso,reduz a quase zero,seus “”crueis opositores”",que dão ao que ele escreve,uma ascensão maior ainda,se lemos tantas e não pensadas besteiras,com que eles,o respondem (?).

    Responder
  2. paulo melgaço disse:27/01/12 13:04

    UÉ O GÊNIO DA LÂMPADA VOLTOU….

    Responder
  3. severo gomes disse:30/01/12 14:23

    Essa iniciativa da Cut vem em boa hora, o dilema é passar no Congresso, seria mas fácil um referendo popular. Nós servidores públicos de Uberlândia, sofremos com o autoritarismo e falta de transparência da presidenta Naiara, reeleita muitas vezes de forma “legal”,mas imoral, que sequer presta contas da grana que arrecada de 14 mil servidores todo aanos. Nem o MP deu conta dela., nem a OAB manifesta pois ela se diz advogada.., É protegid do do Demo.

    Responder