Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

13/02/2012 6:02

Desindustrialização no Brasil

Jornalista

No fim do ano passado comentamos neste espaço, com base em várias leituras de textos de abalizados economistas e analistas de mercados globalizados, que a valorização do Real estava a promover desindustrialização no setor exportador brasileiro. Recebi várias críticas e o apelido de pessimista. Sem surpresa, li no “Estado de S. Paulo” uma advertência de Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, no qual o laureado economista alertou o Governo: “Ou o Brasil aumenta a produção mais barata ou vai se tornar precocemente uma economia de serviços”. Esta advertência é seríssima. Os industriais nacionais precisam dormir de olhos abertos para não serem surpreendidos quando raiar a madrugada. Não dá mais para ignorar que o Custo Brasil e a falta de infraestrutura moderna encarecem a produção industrial nacional e tiram a competitividade dos agentes econômicos nacionais no mundo. Os industriais brasileiros começam a produzir de olho no mercado interno. Se surgir uma crise nacional com recessão, a vaca industrial acabará atolada no brejo. Há duas semanas, os jornais nacionais informaram que o grupo calçadista Vulcabrás Azaleia se preparava para produzir calçados e bolsas na Índia. A decisão foi tomada para que o grupo pudesse continuar a fornecer mercadorias a preços competitivos nos mercados que conquistou nos EUA, na Europa e na Ásia.

Exemplos

A fabricante de cosméticos Natura não vê vantagem em produzir no Brasil para exportar e se prepara para transferir suas principais fábricas do Brasil para o exterior. Esta empresa tem fábricas no México e na Columbia e mira à Índia, país que oferece incentivos para atrair indústrias do mundo todo. Desindustrialização é desemprego.

Serviços

Na realidade, o crescimento da economia de serviços no Brasil é um fato incontestável na atualidade por causa da crescente desindustrialização. A carga tributária elevada, a infraestrutura deficiente e os custos de produção onerados por leis obsoletas mantidas há anos por critérios políticos espantam investidores.

Estressamento

A presidente Dilma tem mostrado interesse de fazer o Brasil crescer economicamente mais de 4% do PIB em 2012. A firmeza da Presidente neste sentido está a levar parte da equipe econômica a um penoso estresse. Talvez por isto, em particular, o ministro da Fazenda tenha manifestado o desejo secreto de retornar à cidade de São Paulo.

Comentários (2)

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  1. Humberto disse:13/02/12 7:56

    Pois é Ivan…. já há muitos anos (e muitos anos mesmo!) escuto a ladainha da tal Reforma Tributária que iria desonerar o setor produtivo e blá blá blá…
    Mas os governantes de Pindorama não querem perder nenhum centavo de arrecadação e empurram essa “reforma” para debaixo do tapete da incompetência e segue a vida.
    Mas um dia o tal “tapete” pode vir a transbordar e aí vamos ver quem tem mais “vassouras” para vender..ops..para limpar o estrago.
    Ganha um pirulito com o cabo quebrado quem adivinhar para quem vai sobrar a conta dessa situação…

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  2. Mário Borges disse:13/02/12 13:22

    Ivan Santos, a verdade é uma só , o Brasil nunca será uma grande Cuba, será sim uma grande Venezuela, tem tudo para conseguir, a carga de impostos chega a mais ou menos 40% de tudo que é produzido em nosso País , a corrupção corre solta, todos os dias vemos noticias nos jornais, esta ultima agora é de matar o sapo , propina na casa do moeda foi em dinheiro VIVO , 25 milhões de dólares, quantas malas foram usadas ?

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