Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

4/03/2012 0:05

No muro das lamentações

Jornalista

Confronto esperado por lidadores nacionais de política, entre partidários do PT e do PMDB no governo chefiado pela presidente Dilma, já começou a deixar os bastidores e aparece no planalto e nas planícies. Vários parlamentares federais do PMDB mostram-se insatisfeitos com a relação que mantêm com o Governo. Isto porque sentem que poderão perder fatias da influência que têm no Planalto. Perder para o PT, se o PMDB conquista menos prefeitos em outubro do que o Partido da Presidenta. Por causa disto, nesta semana, 45 deputados do PMDB assinaram um manifesto no qual protestam contra a hegemonia petista no Governo. No texto do manifesto, que deverá ser entregue à senhora presidenta Dilma e ao vice-presidente Temer – presidente licenciado do Partido – os parlamentares reclamam do “tratamento desigual e injusto” que recebem no Governo. Os insatisfeitos, que até hoje reclamaram em particular atrás dos biombos do Palácio do Planalto e nos corredores das duas Casas do Congresso, decidiram ir de corpo inteiro ao muro das lamentações, dispostos a desfiar quem manda e não pede. O protesto tem por fim alertar à presidenta que, em política, u’a mão lava a outra e as duas lavam o rosto. Nenhum político aceita andar por ruas, becos, avenidas ou veredas com a cara suja e as mãos vazias. Apoio tem preço. Alguns se animam a lembrar do que aconteceu com Jânio Quadros e com o “Caçador de Marajás”, Fernando Collor, que ficaram isolados no Cerradão. O PT e o PMDB podem ter que enfrentar novo bu-bu-bu no bo-bo-bó. Será?

Poder de líder

O PT, como partido líder de uma coligação que conquistou o poder político, sente-se dono do pedaço, senhor da razão com direito a dar as cartas no jogo e determinar as regras de convivência. Na prática, o temor dos insatisfeitos do PMDB é ceder terreno ao PT nas próximas eleições e, por isto, perder importância no Condomínio do Planalto.

Trucada

Não sem motivo, os insatisfeitos do PMDB proclamam no manifesto: “Nós estamos vivendo numa encruzilhada onde o PT se prepara com ampla estrutura governamental para tirar do PMDB o protagonismo municipalista e assumir seu lugar como o maior partido com base municipal no País”. Isto explica a questão ao vivo e a cores.

Brilho do sol

As relações entre deputados do PMDB parecem agitadas como briga de casal. Nada que a presidente Dilma, que tem poder para nomear, demitir e liberar recursos do Orçamento da República, não possa contornar. Para acalmar as feras bastará desaquecer a liberação dos recursos das emendas parlamentares. Essa mágica fará o sol brilhar com amenidade.

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