O cientista e as drogas
Algumas vezes, quando defendi neste espaço a liberação do comércio de drogas, recebi ácidas críticas de alguns leitores que até me acusaram de “jornalista irresponsável”. Convido meus críticos a ler o que escreveu o professor Hélio Jaguaribe, sociólogo respeitado no Brasil e no mundo, sobre o assunto. O texto foi publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”. Depois de várias considerações sobre o crime organizado no Brasil, Jaguaribe escreveu: “Chegou a hora de constatar que o mundo perdeu a guerra da droga”.
Algo semelhante, embora em proporção incomparavelmente menor, ocorreu nos Estados Unidos com a proibição ao comércio de bebidas alcoólicas. Ao vedar o comércio de bebidas alcoólicas, criou-se nos EUA uma imensa demanda reprimida para cuja satisfação surgiram perigosas quadrilhas de bandidos.
A mais famosa delas, a de Al Capone. Para acabar com as quadrilhas, a única solução possível foi restabelecer a legalidade do comércio das bebidas proibidas. Por um lado, drogas como o crack são mais daninhas que o álcool. Por outro, a criminalização conta com a aliança dos narcotraficantes com as agências incumbidas da interdição.
Aqueles que não querem perder um lucrativo negócio ou o emprego e as secretas propinas que dele recebem reagem. Estou pessoalmente persuadido de que o custo social da criminalização das drogas é, indiscutivelmente, maior do que o da liberação vigiada. Hoje, na verdade, quem quer consumir uma droga já tem acesso a ela em qualquer cidade do Brasil.
O pensador
A opinião do laureado professor Hélio Jaguaribe, respeitado intelectual brasileiro, é séria. Segundo ele, “liberadas as drogas como já acontece com o álcool, os dependentes seriam tratados e os traficantes ficariam sob as penas da lei, inclusive os motoristas que embriagados comentem crimes por infrações de trânsito”. Pensem nisso que é assunto sério.
Reforma urbana
Segundo o professor Jaguaribe, “somente a combinação de uma grande reforma urbana com a liberação devidamente apoiada em pareceres científicos sobre o uso vigiado de drogas permitirá restabelecer a segurança pública nas cidades e a recuperação, por países como a Colômbia, do controle sobre seu território”. Este tema é relevante.
Tráfico de drogas
As quadrilhas organizadas no Brasil continuam em atividade apesar de mais de 50 anos de repressão contra elas. Atuam simplesmente por dinheiro e poder. A liberação vigiada do comércio de drogas, com certeza, abalará a atividade desses tipos de organizações marginais e dará à polícia maior liberdade operacional para combater outras organizações criminosas.
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Diógenes Pereira da Silva disse:02/04/12 8:55
Caro Ivan Santos, sou considerado democrático por muitos, por respeitar, principalmente a opinião e o ponto de vista dos outros, não faço mais do que minha obrigação. Mas sou totalmente contra a liberação ou legalização das drogas hoje ilícitas.
Pesquisando sobre o assunto das drogas, percebi que existe uma grande demanda no mundo de aliviar para os usuários, que na minha concepção favorece aos os traficantes. O Brasil fez isso em 2006 e muitos outros países estão fazendo. A questão é o que resolveu até hoje em termos de consumo, se o tráfico aumentou mesmo com a prisão de alguns dos maiores traficantes no Brasil?
Concordo que com a prisão de traficantes existe possibilidade de que surjam outros. Mas se liberarmos seria muito pior, acredito.
Além disso, nas pesquisas ficou claro que não é fato que as estratégias de proibição tenham sido esgotadas e fracassadas, pelo contrário, estão longe disso. Outra questão que julgo muito oportuna é que a falta de resolução total do problema do tráfico e do consumo não é motivo para passar a admitir como um padrão aceitável o uso indiscriminado.
Neste contexto, concluo que a legalização e liberalização do uso não resolveria nenhum dos graves problemas associados às drogas, acredito, veementemente, agravaria e muito a situação.
Se temos um quantitativo enorme de alcoólatras no Brasil que trazem muitos problemas para sociedade, familiares e os estados e municípios e munto menos o governo federal não conseguem tratar essas pessoas, pios seria com a debandada para outras drogas.
Diógenes
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Severo Gomes disse:02/04/12 9:57
A única forma de obter controle na produção e consumo de drogas, é a sua regulação: liberação vigiada mediante regulamentação, aplicando as leis semelhantes ao alcool e fumo. Estamos brincando de gato e rato a séculos, desperdiçando dinheiro público com modelos de prevenção e repressão ineficazes. Não há outro caminho, deixemos de ser hipócritas e ingênuos. Vale a pena regularizar: o consumo cai, o traficante pagará impostos, os usuários serão enquadrados e terão seus direitos e deveres. As despesas não ficará a cargo do contribuinte não usuário, que hoje paga o preço das mazelas decorrentes dessa má gestão, geradora de mortes e doenças.
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Diógenes Pereira da Silva disse:02/04/12 11:56
Senhor Severo, os lojistas brasileiros pagam impostos, nem por isso deixou de existir contrabando, descaminho e outros. A concorrência com quem paga os impostos é desleal. Seria diferente com as drogas, quem garante???
Liberar drogas ilícitas, não é tão simples assim, precisa-se de estudos prospectivos, análises profundas e sérias. A responsabilidade é muito grande, não podemos simplesmente seguir a tônica do Deputado Federal Tiririca “pior do que está, não vai ficar ou não vai ficar”. Os estados e municípios não dão conta de atender os doentes tidos como doenças naturais, os alcoólatras e outros nem se fala.
É um grande engano pesar que a vida do brasileiro vai melhorar com a liberação das drogas. Não se gasta muito com a prevenção por que estão envolvidos outros fatores que comumente serão considerados mesmo com a liberação ou não das drogas. Gasta-se muito no Brasil, não com segurança ou prevenção ou ainda repressão, gasta-se na realidade é com a corrupção!
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Severo Gomes disse:02/04/12 16:46
Concordo que não seja tão simples a regulação das drogas nesse país, envolto no mar das corrupções. Contudo conhecer o produtor e distribuidor de drogas (hoje traficante), impor e aplicar leis mais duras, tanto para quem usa e comercializa, recolher impostos e aí entra a receita federal, enfim arriscar com um modelo que pode funcionar, pois as opções atuais de enfrentamento do tráfico fracassaram, tanto aqui como nos países ricos. Esse é o plano B, caso também não dê certo, vamos ao plano C, semelhante a Cuba e países mulçumanos: do corte da mão a pena de morte.
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Justus Broadcasting disse:02/04/12 11:40
Caro Ivan, deixando de lado as paixões e defesas de um lado e de outro, fica a seguinte pergunta. De quanto serão os impostos municipais, estaduais e federais… Serão aplicados em quais projetos. Nos cigarros são de 73% e a Souza Cruz, já prometeu ao prefeito que irá modernizar e aumentar a fábrica em nossa cidade e é lógico que está dando lucro! Quem serão os grupos da cidade a explorar tal comércio? Vai haver licitações honestas em todas as cidades? Onde ficarão as cracolândias, na zona sul ou na zona norte? Terão jardins? bancos? cascata com peixinhos? laguinhos? É lógico que é mais fácil liberar, pois quem está interessado em fazer um trabalho com as famílias carentes ou não? Oferecer clínicas de recuperação modernas, que além de tratar e trabalhar a saúde do drogado, consigam socializarem o mesmo após o tratamento. Onde estão nossas forças de segurança que não conseguem vigiar sequer nossas fronteiras? Não existem na cabeça de quem governa, um plano mínimo de combate a está mazela no país, pois é preciso sustentar o povo Colombiano, Boliviano, Paraguaio as custas da desgraças de nossas famílias, isto sim é a política do nosso estado. Primeiro é preciso tentar formas mais contundentes de enfrentamento desta doença social chamada drogas… Aí sim sem não tivermos obtido êxito quanto a ela, vamos trabalhar a palavra liberalização. Por enquanto só houve corpo mole por parte dos governantes, para desestabilizar a sociedade, mostrando a ela que liberalizar é melhor… Ainda mais quando alguém da elite intelectual e pensante deste país mediocre, prega que assim deve ser. Nós somos 200 milhões de brasileiros e devemos cerrar fileiras para combater este mal, para ajudarmos nossas famílias, as famílias que nos saão caras e as outras famílias que tanto precisam e tem precisado deste apoio social e moral. Vamos encarar tal problema como seres humanos civilizados e contrutores de uma sociedade melhor, mais dinâmica e inovadora e mostrar ao mundo que ahca que não, que somos sim! Capazes, capazes e capazes de escolher os nossos próprios e melhores caminhos em vez de ficar copiando as saídas extratégicas para as derrotas alheias. “Se você não pode com o inimigo, jamais se junte a ele… Mude a extratégia… Pois com um outro olhar, Davi derrubou golias… Pois teve coragem de enfrentar a sí mesmo” Nós brasileiros de valor, pretos ou brancos, ricos ou pobres ainda não fomos derrotados e não seremos, haveremos de dar saída melhor, para este mal que nos assola neste momento das nossas vidas. Quanto a você caro Ivan, continuo gostando cada vez mais de ler sua coluna… Pois tem colaborado e muito, para que assuntos como este não saiam da pauta de nossas vidas… A favor ou não, você tem deixado o debate aberto para que possamos nos expressar, neste momento tão difícil porque passam nossas famílias e nossos jovens!
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Xadem disse:02/04/12 17:41
Hoje entendo que não há melhor caminho do que a liberação. É como o Pires disse, chega de cuidar de marmanjos, quem quiser morrer, que morra, pelo menos não terão motivos para matar diretamente para vender ou consumir drogas, porém, o governo tem que oferecer GRATUITAMENTE as drogas em suas unidades de saúde.
Hoje todo mundo sabe que droga faz mal.
A luta será a mesma, fazer com que todos tenham consciência e não entrem nesse caminho sem volta que é o que fazemos hoje.
Se eu quiser comprar uma porção de crack agora, saio e compro, eu não tenho dúvidas. Já perdemos a guerra contra o tráfico e pronto. Cabe a nós, vacinar nossos filhos e seus amigos para que não entrem.
É importante que as drogas sejam oferecidas gratuitamente, caso contrário, a legalização não funcionará e ainda, PUNIR VERDADEIRAMENTE aqueles que forem pegos sob efeito das mesmas praticando atos que coloquem a vida de outros em risco.
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jfpires disse:02/04/12 21:01
Olá Xandem! Mudando de assunto, você que gosta e admira muito a nossa OAB, poderia me explicar o porquê desta combativa instituição não ter pedido a demissão do Pimentel e de todos aqueles ministros defenestrados, e agora, fazendo jogo de cena, pede a renúncia do senador enrolado. Um abraço do amigo.
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Xadem disse:04/04/12 16:36
É… eu já tive esperança na OAB.
Na minha ignorância a OAB só entrou, agora, no caso do Demóstenes, porque não tem como fugir, está clara a sua culpabilidade, no caso do Pimentel, além dele ser queridinho da Dilma, as provas não são EXTREMAMENTE claras contra as do Demóstenes.
Como eu já disse, eu tinha esperança na OAB, mas hoje percebo que ela, também, é mais uma instituição de farsas e mentiras… Foi-se o tempo… se é que ele existiu…
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Xadem disse:04/04/12 16:39
A propósito eu quero demais que o Pimentel caia, afinal, se ele cair, perde o foro privilegiado e eu entro com a ação por danos morais contra ele.
Ele tentou me fazer de laranja.
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Rubens Forattini Júnior disse:02/04/12 18:05
Caro Ivan,
É salutar o debate que você propõe e jamais você, um grande democrata, deveria receber ácidas críticas por isso. Gostaria de contrapor ao jurista e sociólogo Helio Jaguaribe, a médica psiquiatra, cientista pesquisadora do Brookhaven National Laboratory e hoje diretora nos EUA do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA), Nora Volkow.
Conforme Jaguaribe, o mundo perde a guerra. Porém seus governantes se relacionam com o tráfico que dizem combater. O Brasil está nesse rol. Tem interagido com a organização narcoterrorista FARC e se dá maravilhosamente com a Bolívia chegando a lhe entregar ativos da Petrobrás. Pode-se afirmar sem medo de errar: o Brasil nunca combateu devidamente as drogas. Como colocou o Diógenes, há muito que fazer.
Os EUA não acabaram com Al Capone criminalizando-o por assassinatos ou tirando-lhe o emprego ao liberar bebidas: pegaram o mafioso no imposto de renda. No Brasil, quantas celebridades, inclusive ministros, que cometeram crimes vão continuar impunes? Chicago se tornou novamente habitável não só pela eliminação das máfias, mas também devido a vigoroso projeto de humanização da cidade, com implantação de uma infinidade de ambientes de socialização como praças, quadras esportivas, escolas, que mudou comportamentalmente a cidade. E é claro, lá imperou a punibilidade americana, que é o oposto da impunidade endêmica do nosso paiseco.
Jaguaribe é um grande intelectual mas pode ser contrariado: os traficantes já estão sob as penas da lei mas nossa lei não funciona! Eles não vão ficar sem emprego como Al Capone, é claro. Vão partir para qualquer atividade ilícita reprimida. Ou vamos liberar anfetaminas e qualquer coisa que o tráfico quiser usar? É lógico que eliminando-se qualquer barreira o tráfico no Brasil acabaria, mas as diferenças entre Brasil e EUA certamente iriam aumentar!
De novo a Colômbia: Jaguaribe está defasado. A Colômbia está vencendo o tráfico: reduziu a área plantada, o comércio de drogas e neutraliza cada vez mais as FARC. É um país a ser estudado e apoiado, e não hostilizado pelo Brasil.
As quadrilhas organizadas do Brasil já não estariam começando a dominar o próprio país? O que seria o comércio interno de drogas, menos lucrativo com a liberação, comparado ao mercado mundial, uma vez que o Brasil se tornaria um país narcotraficante produtor/exportador como a Bolívia, Peru, Paraguai e Nicarágua? A perspectiva de lucros já deve ter sido avaliada.
Nora Volkow, a cientista, trabalhou com pesquisa do cérebro sob efeito das drogas, seus mecanismos de dependência, é considerada como uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas no mundo e número 1 sobre danos neurobiológicos decorrentes. Ela informa que o vício em drogas é irreversível. Pode-se tratar uma pessoa, jamais curá-la. Parece que a tarefa do SUS não seria coisa fácil. Que nem todos os usuários se viciam, porém 10% se viciam rapidamente após algumas doses, ou por predisposição genética ou por stress social como abandono, repetidas negligências, abusos físicos, sexuais. Nesse ponto pergunto: não é Esso o modo de se eliminar o tráfico? Cuidando de nossas misérias morais? Produzindo no país uma sociedade mais justa, com menos “gogó tupi-socialista”, mais trabalho sério, mais estudo de qualidade, emprego qualificado e verdadeira justiça social?
Questionada, a doutora não concorda nem mesmo com a descriminalização da maconha no Brasil, “Não concordo porque, ao descriminalizar a maconha, você estará contribuindo para que mais gente a consuma”. Ou seja, ela também acredita que a descriminalização aumenta o consumo. A cientista informa que as pessoas usuárias de drogas sofrem processo obsessivo-compulsivo por mais drogas, sejam quais forem. Modificam física e irremediavelmente o cérebro no seu fluxo de dopaminas. O problema de dependência é ainda mais crítico em um adolescente. “O cérebro de um adolescente é mais plástico e mais sensível aos estímulos externos que vão moldá-lo”. Ou seja, descriminalização e aumento de consumo que passaria a ser uma coisa normal, envolveria bem mais os adolescentes, que têm menos defesa perante a droga. Não devemos deixá-los morrer! Precisamos salvar vidas, sobretudo das pessoas sem perspectivas que se iludiram com a alienação química.
Parece que a foto atual da sociedade se modificaria dramaticamente com a liberação. Viria o caos, como retratou o Justus. O SUS não daria conta da demanda, um exército de dependentes químicos e sociais se firmaria, a força de trabalho definharia e o Brasil que produz, além de carregar nas costas o Brasil maravilha estatal, teria que agüentar ainda uma multidão de zumbis nas ruas, nas repartições públicas, nos eventos sociais, nos semáforos, nos hospitais. É possível que esse panorama, sim, colocaria o país de joelhos, como o México, perante os reis do tráfico.
A entrevista de Nora Volkow está disponível na internet sob o título: “Não existe droga segura”.
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EDVALDO DE PAULA disse:02/04/12 20:43
Parabéns Ivan Santos. Você é um democrata e visionário. Sua coragem me enche de orgulho. Quero cololar uma questão pouco discutida. E se os usuários de drogas resolvessem se drogar apenas com maconha? Como ficaria a indústria do álcool. Como plantar um pé de cachaça, um pé de vinho, de wisk. Ora a maconha qualquer um planta no jardim da sua casa não pagando impostos ao governo ou danto vultosos lucros a empresários da indústira de bebidas alcoólicas. Lógico que a tráfico acabaria com a liberação. Os impostos arredacados seriam destinados a projetos de educação e recuperação. Acabar com o traficante de drogas é também acabar com a corrupção nos órgãos de repressão. Livrando assim agentes públicos desta doença que é o tráfico de drogas. Parabéns amigo jornalista. Um abraço a todos.
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Rubens Forattini Júnior disse:03/04/12 16:45
Caro Ivan, todos que escreveram aqui têm uma preocupação maior: a violência e como eliminá-la. Com essa obsessão Li o artigo do hélio Jaguaribe.
Jaguaribe se fundamenta em diversos tipos de crimes que viraram pandemia no país:
- Assaltos a bancos.
- Assaltos a residências, motoristas em seus carros ou simples transeuntes.
- Sequestros.
- Extorsões telefônicas.
E poderia se acrescentar crimes que não gerem tanta violência, mas predispõem materialmente ou psicologicamente a sociedade para os demais crimes:
- Tráfico de armas.
- Exploração da prostituição.
- Exploração do mercado pornográfico.
- Pirataria de quaisquer produtos.
- Corrupção generalizada.Dos que Jaguaribe relatou, apenas “assaltos a residências, motoristas em seus carros ou simples transeuntes” devem estar também relacionados à droga, perpetrados por viciados que querem obtê-la aos custos altos pela proibição do produto. Os demais fazem parte do MENU à disposição da bandidagem que impera no país, da qual ninguém trata.
Pergunta-se:
- Com a liberação das drogas, além da categoria “assaltos a residências, motoristas em seus carros ou simples transeuntes”, qual outro tipo de crime DIMINUIRÁ?
- Como garantir que as máfias não INTENSIFIQUEM as demais atividades do menu à sua disposição com a impunidade e conluios reinantes desse país? E quem vai solicitar dos bandidos menos violência?Jaguaribe escreveu e todos aqui sabem: “as drogas em questão são incomparavelmente mais daninhas que o álcool” – as drogas – não o crack apenas, como o amigo havia postado. É patente que o consumo de drogas pesadas aumentaria com a liberação. E seus efeitos “mais daninhos que o álcool” traduzem também comportamento social mais perigoso, como todos sabem.
Pergunta-se:
- “Quem quer droga já tem acesso a ela”: essa frase oculta um grave equívoco: o “quem” está estático! O “quem” não vai ser multiplicado com a liberação? E como se impedirá o aumento? “vigiando” como quer o Jaguaribe?
- O aumento de drogados não vai piorar substancialmente acidentes, inclusive de trânsito?
- O aumento de desempregados drogados não vai gerar maior violência social? Antes se roubava para obter drogas caras. Por que um contingente de drogados sem dinheiro, maior que os traficantes e usuários atuais, não roubaria para comer? Para consumir? Vamos aposentá-los a partir de 18 anos? O SUS não suporta.Com a liberação do tráfico brotariam da escuridão bandidos domesticados, fazendo a distribuição da maconha e cocaína, vendendo tudo baratinho e pagando impostos regularmente, em parceria harmônica com os grandes agricultores no Brasil? Lucrando mil vezes menos? Falindo? É óbvio que não. Aliás, o governo vai arrecadar pouco, não? Li hoje notícias de ações da operação anti-drogas do PERU, com ajuda de aeronaves dos EUA, atacando narcotraficantes, remanescentes da guerrilha maoísta à qual se referia Jaguaribe. Li sobre ações conjuntas de países da América Central contra o tráfico de drogas. Li até um acordo de Amorim com a Bolívia para patrulhamento da fronteira (essa é pra inglês ver). Enfim, parece que a América Latina está se mexendo. E eu pergunto: por que a campanha no Brasil e alguns países pela liberação das drogas? Se ficar difícil plantar lá nos Andes, não seria um paraíso espalhar plantações de drogas pelo Brasil de todos? Vender aqui? Que nada. O mercado é ruim. Ademais, com a droga liberada o lucro não vai dar nem pra viver. Além disso o mercado vai piorar com os brasileiros e seus cérebros cozinhando. O objetivo é vender nos EUA e Europa. O Brasil tá dominado. Só se precisa da terra e de um governo ajoelhado.
Tenho uma proposta barata e viável para eliminar a violência decorrente da droga e até de outros fatores. A presidente do país coloca o problema como a maior prioridade de sua vida. Em vez de consumir esforços dividindo étnica e socialmente o país para depois unificá-lo, em vez consumir esforços para promover o aborto, em vez de consumir valiosos recursos no projeto do trem bala invisível, na transposição visivelmente rachada do Velho Chico, na trans-nordestina que não avança e em todas as licitações superfaturadas do paraíso estatal, que passe uma régua geral, elimine quinze ministérios, substitua todos os titulares dos ministérios remanescentes, peça perdão pela omissão, arregace as mangas, peça ajuda aos imperialistas americanos, e faça a guerra libertadora das drogas. O tráfico acaba? Jamais. Mas vai ficar invisível. Aí sim, existirá apenas para aqueles para os quais não adiantam conselhos, amor ou devoção. Que aprendam com os erros e assumam os riscos físicos e legais de usar drogas ilícitas. Vamos cobrar da senhora Dilma? Afinal, para que ela está lá?
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