No compasso das horas
Constituir uma CPI hoje, no Parlamento da República do Brasil, é uma coisa; outra, muito diferente, é o funcionamento da dita cuja. O PMDB, por ter a maior bancada no Senado, de acordo com a tradição, deve assumir a presidência e comandar as ações na CPI. Quem pensar que a presidenta Dilma ficará tranquila com o PMDB nessa posição, pode se enganar. Pode ser que o maior aliado do PT aproveite a ocasião para desgastar o parceiro que, no Governo, quer controlar todos os cargos importantes. A relação do esperto PMDB com o Palácio do Planalto poderá ser difícil. A CPI, após começar a funcionar, poderá ser como uma faca de dois gumes. A Oposição joga sabendo que alguns dos seus astros poderão ser abatidos, mas confia que os maiores estragos serão no PT. Para o presidente do PMDB, senador Waldir Raupp, “essa pode ser a CPI mais sangrenta da História”. Fala com conhecimento de causa. E Raupp prometeu: “Na CPI, o comportamento do PMDB será o de um partido que tem juízo”. Resta saber que tipo de juízo. A estratégia da Oposição é ficar calada quanto puder. Se a CPI for desmontada no meio da jornada, os principais líderes da Oposição acreditam que o desgaste será do PT, não da presidenta Dilma. Seja como for o andamento e o desfecho da CPI, a verdade é que o assunto, até agora, não interessou ao povão, que está acostumando a ver outras iniciativas desta natureza acabarem em pizza, sem nenhum sabor.
ISONOMIA
Para alguns observadores qualificados não será fácil para a Oposição nem para o PT promover uma “operação abafa” para proteger os parlamentares citados nas conversas gravadas com Carlinhos Cachoeira. Para a Tigrada interessada no assunto, a CPI está a nascer com um formato dissimulado e cheiro de pizza calabresa com borda recheada.
AGENDA POSITIVA
Até ontem não houve um só gesto visível que indicasse inclinação do Palácio do Planalto para barrar a CPI do Cachoeira. A agenda do Governo no Congresso tem sido voltada para a aprovação de projetos como a Lei da Copa e a flexibilização da Lei de Responsabilidade Fiscal para promover renegociação das dívidas dos Estados.
O FATO
Um fato em foco foi a reação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao protestar contra a tentativa de parlamentares da Base Aliada ao Governo que queriam excluir das investigações da CPI as empresas e pessoas ligadas ao governo. Pelo menos até ontem, a disposição majoritária era investigar todos os acusados e suspeitos. Amém!
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MARCELO DO CEASA disse:20/04/12 10:48
Senhor Ivan, o povão como disse, não está nem aqui! Já acostumou com as ingerências quanto à punir responsáveis por falcatruas nos governos.
Mas eu, particularmente não acredito em pizza dessa vez, por que já selecionaram quem vai pagar o pato pelos demais, e assim, encobrir fatos de alguns poderosos.
Pode acreditar, se essa CPI aprofundar mesmo as investigações de forma séria, vai cair gente que não esperávamos. Até mesmo porque as gravações da PF estão sendo reveladas por etapas …..porque não se sabe. Ou sabe…..
Na realidade, deveria manter o sigilo da fonte e realizar uma apuração eficiente, mais do que isso, não dá oportunidade de esconder as pontas. Quanto der por conta, já não há como sair do enrosco. Na justiça, sim terá o direito ampla defesa e do contraditório, mas antes disso e alardear os escândalos e dar a oportunidade aos bandidos (políticos) corruptos, aqueles mesmos criticados pelo senador Demosteles Torres.
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Mario Borges disse:21/04/12 7:44
A oposição já está a procura de um video em que a construtora Delta dá 1.500 (hum milhão e quinhentos) para a campanha da Dilma nestas ultimas eleições, ai Ela também estaria no barco de outros politicos como o Governador Marconi e Sergio Cabral , não falando das “arraias miudas” , o Zé Dirceu pegou o “seu” e caiu fora.
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Comentários (2)