Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

24/06/2012 7:00

Uma CPI imprevisível

Jornalista

Mestre Tancredo Neves tinha razão quando dizia que uma CPI todos sabem como começa, mas ninguém sabe como pode terminar. Se Lula e o PT pensaram que, com a esmagadora Base de Apoio que tem o Governo no Congresso, poderiam facilmente controlar e direcionar a CPMI do Cachoeira, enganaram-se. Para acabarem com a tranquilidade de cabeças coroadas, vários deputados na Assembleia Legislativa de Goiás constituíram uma CPI estadual e querem ouvir o ex-diretor do Dnit Luiz Antônio Pagot. Talles Barreto, o relator, diz ser relevante apurar relação entre a Construtora Delta e o Departamento Nacional de Obras de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Por isto querem ouvir Pagot e esperam que ele compareça para depor. Não há dúvida de que o governador Perillo está por trás desta manobra. O requerimento será votado na semana que vem. O relator da CPI na Assembleia de Goiás disse, na última terça-feira, que a CPI estadual deve focar a investigação sobre a Delta – braço empresarial do contraventor Carlos Cachoeira. O assunto ganhou força depois que o STJ reconheceu a legalidade das escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. A CPI montada na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás poderá expor a todo o Brasil as relações secretas da Construtora Delta com o contraventor Cachoeira e com o Dnit. Aos poucos, o “Caso Cachoeira” caminha para produzir efeitos colaterais que poderão abalar a credibilidade de muitas cabeças coroadas que estão em silêncio.

PAGOT

O deputado goiano Túlio Isac (PSDB) disse, no começo da semana, que “o depoimento de Pagot será revelador para os trabalhos em Goiás, já que a CPMI não quis ouvir o empresário”. E acrescentou: “Vamos avançar na investigação, ouvindo outras pessoas; não podemos só repetir o que a CPMI está fazendo em Brasília”. O tempo no inverno poderá esquentar.

DEPOIMENTOS

Na próxima semana, a CPI-GO ouvirá depoimentos de alguns políticos e empresários goianos apontados no inquérito da PF como beneficiários do Esquema de Carlos Cachoeira. A CPI-GO voltará a se reunir na próxima terça-feira, dia 26, e, de acordo com a substância dos depoimentos, poderá atrair a atenção da mídia nacional e gerar muitas emoções.

IMPREVISÍVEL

Se a CPI de Goiás descobrir aspetos do envolvimento de autoridades e de políticos goianos com a contravenção comandada por Cachoeira e a extensão da criminalidade organizada naquele Estado, a CPMI entrará num beco sem saída: ou apura para valer as denúncias ou correrá o risco de se desmoralizar. Realmente, toda CPI é imprevisível.

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