Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

19 de abril de 2014 9:44

Pt ditará o programa de Dilma

Jornalista

O Programa de Governo a ser cumprido pela Senhora Presidenta Dilma Rousseff a partir de 2015, caso ela conquiste a reeleição em outubro próximo, será formulado pelo PT com a presença do ex-presidente Lula, em São Paulo, nos dias 2 e 3 de maio próximo. O encontro será para tratar das diretrizes do futuro Governo. Na ocasião, os líderes do PT ouvirão as recomendações do líder Lula e poderão decidir que a presidenta-candidata não participará neste ano de nenhum debate entre candidatos da oposição à Presidência da República.

No encontro, convocado para discutir as linhas básicas do Programa de Governo da candidata à reeleição, também serão definidas as estratégias para a campanha eleitoral. A candidata deverá anunciar ao eleitorado que, se for reeleita, não fará drástica reposição de preços de gasolina nem de energia elétrica; não importa que tal decisão leve todas as usinas produtoras de álcool à falência.

Quanto às contas da Petrobras e da Eletrobrás que estão em vermelho poderão ser clareadas com recursos do Tesouro da Viúva ou com leite de Vaca Barrosa. Na reunião do PT as cabeças coroadas do Partidão avaliarão se será necessário lançar nova “Carta aos Brasileiros” para assegurar confiança ao povo e ao mercado em novo mandato do Partido chefiado pela Senhora Dilma Rousseff. O líder Lula da Silva, que estará presente, deverá reafirmar que não pretende ser candidato a Presidente agora e que apoia a reeleição da Majestade.

Não faltarão indicativos populistas como a manutenção da política de valorização do Salário-Mínimo, reajustes pontuais para a Bolsa Família, garantia de continuidade do Programa Mina Casa Minha Vida e ampliação da Reforma Agrária em todos os Estados da Federação. Também será defendida uma Reforma Política a ser conduzida depois de uma consulta ao povo que dirá como deseja ver o modelo político brasileiro.

Para manter a identidade petista, o próprio Lula da Silva deverá recomendar ao futuro governo do Partido, uma “regulação democrática” da mídia. Neste particular, a liberdade de opinião deverá ser ampla, geral e irrestrita para os blogueiros que criticam a oposição e defendem apaixonadamente o governo de Sua Majestade. A elaboração da proposta de diretrizes para o Programa de Governo do PT após 2015 foi confiada ao mega-assessor internacional, Marco Aurélio Garcia. É bom esperar por novas e calorosas emoções na Terra de Santa Cruz.

18 de abril de 2014 8:28

Economia oficial em 2015

Jornalista

Nenhum pré-candidato à Presidência da República até hoje tem programa definido para governar o Brasil a partir de 2015. O tucano Aécio Neves tem dito que vai percorrer o País para ouvir o povo para depois elaborar um programa de governo; promete restabelecer a credibilidade na política econômica. O socialista Eduardo Campos cuidou até agora de formalizar a candidatura dele em aliança com os marinheiros para depois elaborar um Programa. A senhora Dilma Rousseff segue envolvida com as lambanças que teriam ocorrido na Petrobras e fala em renovação para o governo. Realmente, ela mesma não sabe o quê renovar. Um indício do que será o governo da Senhora Dilma em 2015 apareceu na última terça-feira na proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2015, apresentada pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda e Miriam Belchior, do Planejamento. A sinalização ao mercado foi que a partir de 2015, caso a Majestade ganhe a eleição, haverá austeridade no governo. Esta é uma indicação para o mercado. Para o povão, o discurso deverá ser outro, recheado de promessas de bondades. Para o mercado, o ministro Mantega, que falou em nome da Presidenta, foi duro: “Vamos ter aumento de imposto sobre PIS-Cofins de importação e vamos ter outros que não vamos anunciar para evitar reações setoriais”. Para não assustar os sindicatos, na mensagem à Proposta de LDO há uma indicação que diz que o esforço fiscal vai ser menor do que o fixado nos últimos anos (acima de 3%). A Proposta de LDO cria uma banda para realizar o superávit primário entre 2% e 2,5% a depender do cenário e da reação no desempenho da economia. Este desempenho, neste momento, tende a esfriar. A Proposta da LDO indica que o aperto para os Estados e Municípios continuará grande. Estes terão de contribuir com, no mínimo, R$ 28,5 bilhões (0,5% do PIB) para o superávit primário. O Governo da União será implacável com os que não cumprirem essa meta. Para cumprir a meta do Superávit Primário, o Governo trabalha com a visão de crescimento do PIB em 3% em 2015 e controle rigoroso de gastos. Na Proposta da LDO há promessa de cortes de subsídios e revisão do abono salarial, entre outras despesas. Estrategicamente não há indicativos de redução de benefícios oferecidos ao povão. Quem paga impostos pode se preparar, porque terá de arcar com o custo das bondades oferecidas pelo Governo.

17 de abril de 2014 7:54

Enigmas da política

Jornalista

Nem todos os brasileiros perceberam que quando foram cometidos malfeitos na Petrobras em 2006, o presidente da República era Lula e a chefe da Casa Civil e presidenta do Conselho da Administração da Estatal do Petróleo, a senhora Dilma Rousseff. O malfeito em destaque teria sido a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, por preço superfaturado. Aquela transação, há dias, desfila nos jornais e emissoras de rádio e de televisão em todo o Brasil. A então ministra Dilma disse que autorizou a compra da refinaria depois de ler um relatório “incompleto” sobre a empresa. Ela, naquela ocasião, não teria percebido que o relatório era fajuto.

Lula, o presidente, naquela ocasião nada soube sobre o negócio? É difícil acreditar. Então, Dilma autorizou o meganegócio sem dele dar conhecimento ao Presidente da República? É difícil entender tal façanha. Também não dá para engolir por que Lula agora pediu a Dilma que faça o que for preciso para detonar a CPI da Petrobras. Detonar por quê? Porque ainda tem alguma coisa escondida que não pode ser revelada? Conclusão de lógica cabocla: Se Lula soube da transação para comprar a refinaria de Pasadena e calou-se é porque aprovou a transação. Os sertanejos mineiros dizem que “quem se cala, consente”. Lula, quando governou o Brasil nada viu nas travessuras dos mensaleiros que desviaram dinheiro público para comprar apoio no Congresso.

Em Paris, Lula disse que o movimento do mensalão era Caixa Dois de Campanha Eleitoral; tal como fizeram os tucanos mineiros para financiar a candidatura à reeleição de Eduardo Azeredo. Segundo Lula em Paris, Caixa Dois não é crime. Certamente deve ser recurso extraordinário para financiar campanhas eleitorais. Para alguns analistas, o fato de mestre Lula ter saído do conforto em São Paulo para conversar com Dilma e acionar os aliados no Congresso para impedir a CPI da Petrobras é especial. Ou será que o jogo é só para ampliar a área de investigações a fim de desgastar os adversários Aécio Neves e Eduardo Campos? Ou será para embaralhar a campanha eleitoral para fortalecer a candidatura de Dona Dilma ou a dele próprio? Os malfeitos da Petrobras em 2006 ocorreram em pleno mandato do Mestre. Afinal, por que a preocupação com a CPI da Petrobras? Por que não pedir outras CPIs para o Metrô de São Paulo, para o Porto de Suape e para a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco?