Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

20 de maio de 2013 8:24

Privatizações do governo do PT

Jornalista

Finalmente, a presidenta Dilma Rousseff reconheceu que o Governo não tem dinheiro para explorar o petróleo que está no fundo do mar, na camada do pré-sal. Abandonou o jurássico discurso do PT contra as privatizações liberais e decidiu imitar Fernando Henrique. Na semana passada, o governo de Dilma decidiu entregar a 18 empresas privadas, nacionais e estrangeiras, a exploração de 142 áreas nas quais há indícios de petróleo e gás. Concessões ou privatizações, o que o governo fez foi entregar, através de leilões, no melhor estilo capitalista liberal, a exploração de petróleo no Brasil a empresas privadas. Vendeu o direito de exploração e recebeu no negócio R$ 7 bilhões. Foi uma privatização em alto estilo, para Margareth Thatcher nenhuma criticar, desaprovar ou botar defeito. Por decisão do governo da petista Dilma, vão explorar petróleo e gás no Brasil varonil as norte-americanas Chevron e Exxon, a francesa Total, a anglo-holandesa British Petroleum (Shell) e outras multinacionais. O governo petista chefiado pela neoliberal Dilma despertou! Ignorou a macacada esquerdista, imitou o tucano FHC e privatizou na área de petróleo, sem medo de ser feliz. O impacto da privatização foi tão grande em Brasília, que um Cavaleiro do Apocalipse proclamou: “Não há noites eternas; um dia raia fresca e destemida a madrugada e o sol volta a brilhar sobre a escuridão”. O Governo do PT, que privatizou os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, jurou que foram “concessões” e depois percebeu que o modelo imposto pelo Trono não funcionou. Os aeroportos “concedidos” receberam forte apoio do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e capricham em embromação. Modernização nas estradas “concedidas”, além do aumento de pedágios, é zero. Aos poucos, o governo petista-socialista começou a perceber que, de acordo com as leis do mercado em um regime capitalista, nenhum agente da produção econômica aceita intervenção do Estado no processo de produção e distribuição de bens econômicos. É oito ou oitenta. O governo de Dilma começou a perceber que só deve cuidar de saúde, educação, infraestrutura, segurança e fortalecer as relações internacionais. A atividade econômica os atores privados sabem fazer com mais eficiência do que o Estado. Assim está escrito nos manuais da moderna economia. O PT socialista começa a cair na dura realidade.

19 de maio de 2013 7:00

A caminho do brejo?

Jornalista

Já fui apelidado de cassandra, catastrofista, agourento e outros cognomes especiais, só porque, por várias vezes, alertei os navegantes deslumbrados com bonanças distribuídas pelos Governos de Lula e Dilma. Não sou economista. Sou leitor de análises divulgadas por economistas independentes que comentam o futuro da produção e distribuição de bens econômicos.

Considero-me leitor com capacidade média de interpretação. Quando não entendo economês, recorro a amigos economistas estudiosos e competentes que me traduzem os enigmas econômicos em vernáculo simples, para que eu possa entender o que está a acontecer sob os céus da pátria neste instante. No começo desta semana, um comentário circulou na Bolsa de São Paulo – o templo da especulação financeira cabocla – com os seguintes dizeres: “A economia brasileira, neste momento, piora. Se o Brasil não começar a crescer mais forte e as indústrias, já em decadência, começarem a demitir trabalhadores, a situação das famílias endividadas poderá piorar com repercussão negativa nos bancos, nos cartões de crédito e nos negócios de varejo. Por quê? Simplesmente porque o número de consumidores endividados está crescendo.

Só na cidade de São Paulo, o número de endividados da classe média aumentou em abril, atingindo o maior percentual desde junho de 2006: 57,1%. Se esse fenômeno se espalhar por todo o Brasil, a vaca vai começar a caminhar em direção ao brejo”. Particularmente, desconfiamos ser esse comentário de alguma cassandra que torce para que uma crise econômica dificulte a reeleição da presidenta Dilma. Fora os comentários jocosos, quem lê jornais diariamente sabe que, no ano passado, a economia do Brasil só cresceu 0,9%. Resultado pífio, que se igualou ao crescimento do Paraguai e ficou abaixo do da Bolívia e dos de todos os outros países da América do Sul. Analistas independentes não acreditam que, neste ano, o PIB do Brasil supere 2%. Um tal resultado é o retrato da estagnação.

O governo socorre alguns setores da indústria com renúncia fiscal: redução da cobrança de IPI. Esse tipo de providência diminui a arrecadação federal e, por via de consequência, também os repasses federais para Estados e Municípios. Com este cenário, as prefeituras continuarão obrigadas e destinar mais recursos próprios para a saúde, educação, habitação popular e assistência social. Com esse clima, o País poderá mergulhar em um bu-bu-bu no bó-bó-bó recheado de ri-fi-fi em noite escura como breu.

18 de maio de 2013 9:25

Aécio presidente do PSDB

Jornalista

O senador Aécio Neves deverá eleger-se hoje presidente nacional do PSDB na convenção convocada para Brasília. A partir da próxima semana, Aécio estará habilitado a acertar acordos partidários para construir uma coligação que dê suporte político à candidatura dele à Presidência da República. O ex-prefeito de Uberlândia Odelmo Leão, convidado pelo líder tucano mineiro a participar da articulação para escolher o candidato do Grupo Situacionista ao Governo do Estado, já decidiu ir a BH conversar com o senador depois da Convenção Nacional dos Tucanos.

Aos poucos, o quadro político sinaliza a união da tucanada em torno da candidatura do ex-governador mineiro ao Planalto. A aparente oposição do ex-governador José Serra à indicação de Aécio para candidato presidencial, aos poucos, começa a serenar. Os tucanos das Gerais já viram sinais de conciliação no horizonte. Um deles foi o recente discurso de José Serra, no qual ele criticou severamente o Governo Federal e defendeu a posição de São Paulo contra a reforma do ICMS proposta pelo Planalto. O discurso de Serra trombou com os interesses dos governadores do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os mineiros concluíram que José Serra, político experiente, conhecedor das querelas políticas regionais, jamais trombaria com os interesses de Estados, se aspirasse à candidatura a presidente. O tom do discurso do líder paulista, segundo os observadores mineiros, foi o de um aspirante a candidato ao Senado.

A presidenta Dilma Rousseff continua com popularidade alta e com força eleitoral aparentemente imbatível neste momento. Para compreender os movimentos da Oposição, basta acompanhar os passados do líder socialista Eduardo Campos, da união do PPS e do PMN, dos esforços de Marina Silva para criar a Rede e do sindicalista Paulo Pereira da Silva – o Paulino da Força – para viabilizar o Partido Solidariedade. Todos esses atores têm um jogo político em mente para ser jogado no futuro: impedir que a candidata do PT se eleja presidenta no primeiro turno da eleição em 2014.

O grupo dissidente poderá se unir para disputar um virtual segundo turno? Só se tiver chance de ganhar a eleição. O uberlandense Odelmo Leão espera a definição da situação de Aécio Neves e se prepara para disputar uma cadeira de deputado federal com duas metas: defender um Pacto Federativo a favor dos municípios e reduzir a maioridade penal.