Ivan Santos

Discussões sociais, políticas e econômicas

Ivan Santos A coluna é assinada pelo jornalista Ivan Santos e discute o processo político, econômico e social. Ela é publicada diariamente no jornal CORREIO de Uberlândia.

9 de maio de 2013 8:23

Fantasias políticas ilimitadas

Jornalista

O aliciamento político iniciado no Brasil pelo presidente Lula e continuado pela presidenta Dilma simplesmente emasculou a oposição e a reduziu a uma expressão insignificante. Democracia sem oposição é ditadura. No Brasil, o lulopetismo inaugurou a “ditadura democrática”: poder absoluto imposto por um Executivo soberano que governa com aval de um Parlamento domesticado com a concessão de “bondades”, mensalão e ministérios de porteira fechada. Hoje, o Brasil tem 29 partidos e apenas os seguintes se identificam como de oposição: PSDB, DEM, MD (ex-PPS e ex-PMN), PSTU e PSOL. O PSB, presidido pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ainda é partido da Base de Apoio ao Governo e está dividido entre o grupo liderado por Campos e o dos irmãos Gomes (Cid e Ciro), que reinam no Ceará e apoiam a reeleição da presidenta Dilma. Tecnicamente, neste momento, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, ou o socialista Eduardo Campos não têm densidade eleitoral nacional para enfrentar a candidata do PT em 2014. Dona Dilma poderá se beneficiar com mais de 60% do tempo de televisão e de rádio para a propaganda eleitoral e isto, em um colégio de eleitores despolitizados, é fator de importância capital. Para alguns analistas, se continuar o quadro partidário atual, majoritariamente atrelado ao PT por interesses políticos ou pecuniários, Aécio Neves e Eduardo Campos poderão abandonar o projeto majoritário nacional e decidir por opões eleitorais estaduais. Aécio Neves, para impedir a tomada do poder em Minas pelo PT, poderá decidir ser candidato a governador. Esta possibilidade já está em avaliação no seio do tucanato mineiro. Em São Paulo, o governador tucano Geraldo Alkmin esforça-se pela própria reeleição, mas poderá enfrentar grande dificuldade que está em formação no horizonte: o ex-governador José Serra, que não ama Alkmin, poderá deixar o PSDB, migrar para a MD e decidir conquistar o Palácio dos Bandeirantes. Serra tem um eleitorado cativo em São Paulo e poderá desmontar o projeto de reeleição de Alkmin. Quanto ao governador de Pernambuco, se não conseguir montar um esquema coligado para candidatar-se a Presidente, poderá optar por uma cadeira no Senado e esperar por mudanças ambientais para alçar voo mais alto. Hoje circulam no ar embromações e especulações ilimitadas.

8 de maio de 2013 8:32

Ainda o zoológico

Jornalista

O secretário municipal do Meio Ambiente, Hélio Mendes, em elegante texto publicado no CORREIO de Uberlândia no último domingo, escrito com o apoio de uma especialista, a médica-veterinária Elisete de Araújo Naves, informou: “o Parque do Sabiá é uma unidade de conservação do bioma cerrado, inserida na zona urbana do município de Uberlândia”. “Criado em 1982 e oficialmente reconhecido pelo Decreto 7.452, de 27 de novembro de 1997, ocupa uma área de 1,850 milhão de m²”. Segundo o secretário, “o Zoológico, que ocupa uma área de 300 mil m² e é mantido atualmente pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, possui 250 animais, entre mamíferos, aves e répteis. Para manter essa estrutura são necessários 45 funcionários divididos em cargos de auxiliar de serviços gerais, auxiliar de veterinário, auxiliar administrativo, agente operacional, agente patrimonial, técnico agrícola, agrônomo, veterinário, além de outros indiretamente.” A importância do Parque e a competência dos funcionários que o operam não estão em discussão. O foco da contenda é o zoológico, que, para o secretário, “possui várias funções, dentre elas: exposição de animais ao público; pesquisa científica, conservacionista, educativa e sociocultural”. O secretário informou que “os animais em cativeiro não foram retirados do seu ambiente natural. Eles chegaram a locais como os zoos devido a alguma situação que os impossibilitaria de voltar à natureza, como acidentes, mutilações, doenças, queimaduras, filhotes que perderam os pais, entre outros motivos. Ao chegar aos zoológicos, esses animais recebem tratamento, carinho, atenção e alimentação balanceada, o mais próximo possível da sua dieta quando em vida livre”. Segundo Hélio Mendes, o zoológico do Parque do Sabiá é uma espécie de asilo para animais selvagens, alguns de espécies ameaçadas de extinção. Nobre propósito. Disse ainda o secretário: “Temos trabalhos fantásticos de educação ambiental que são desenvolvidos nos zoológicos para estimular a conscientização das pessoas de todas as faixas etárias e minimizar a agressão do homem ao meio ambiente – pois o ser humano vem exterminando matas e animais, provocando um grande desequilíbrio ecológico, de forma muito egoísta”. Belas palavras que não afastam a condição de cativeiro de animais que vivem presos em zoológicos no Brasil e no mundo. Esse modelo é o que colocamos em discussão.

7 de maio de 2013 8:28

Ainda a meia-entrada

Jornalista

Recebi de um “estudante”, uma mal-educada mensagem, com palavrões chulos, só porque tenho me posicionado contra a meia-entrada em espetáculos. Não sou educador; sou observador da condição humana. Nesta posição, vejo a educação superior não só como meio de formação profissional, mas também como oportunidade de os estudantes se aprofundarem em conhecimentos gerais indispensáveis à formação integral de um cidadão. Entendo que todo estudante universitário tem o dever de saber que o Brasil é uma república capitalista. Precisa saber também que a produção capitalista gera riqueza e impostos, taxas e contribuições tributárias que o Estado arrecada e devolve o que arrecadou em bens e serviços o público. Conhecer esse processo é elementar. O mecanismo da produção capitalista não pode ser ignorado por estudantes universitários. Quem não concordar com este modelo, tem o direito de lutar pelo socialismo ou por outra forma de organização social. No entanto, enquanto, no Brasil, vigorar o capitalismo, é preciso entender que “não há almoço de graça” e que dinheiro não dá em árvore. Se alguém come sem pagar, o custo da comida será pago por alguém. Assim, se alguns não pagam passagem de ônibus ou só pagam com 50% de desconto, a isenção ou a “bondade” são pagas por outros que se sacrificam em favor de uma minoria. Que um cidadão inculto acredite em “milagres sociais” é perdoável. No entanto, que um estudante universitário desconheça esta realidade é ignorância ou má-fé. Se um político usa o argumento da “justa distribuição de renda” por conta de recursos subtraídos de muitos, é oportunismo. No entanto, todo estudante universitário em formação não pode admitir a meia-entrada em espetáculos como justiça social. Os estudantes precisam se conscientizar que injustiças sociais, visíveis ou ocultas no Brasil, existem por causa da ignorância do povão por despudorada concentração da renda nacional e por ações perdulárias de governos politiqueiros. Assim tem sido desde a proclamação da Independência. Todo estudante precisa aprender a conviver com os confrontos nas lutas diárias contra malfeitos cometidos por agentes políticos ou econômicos sem probidade. É erro monumental defender a “Lei de Gerson”, que ensina que certo na vida é “levar vantagem em tudo”. Abra os olhos, moçada! Justiça social não cria privilégios.