Sempre há um cretino pelo caminho
Há poucos dias, um novo cretino cruzou o meu caminho. Sim, um cretino. Não se assuste com o vocabulário duro, até porque não há palavra mais suave para adjetivar alguém que tem o prazer de infernizar a vida dos outros sem ganhar nada com isso. Além do mais, eu tenho certeza de que você também já conheceu alguém assim e vai concordar comigo que o termo é apropriado.
Quando eu era mais novo, eu achava que certos tipos de pessoas só existiam nos livros, filmes ou novelas. Afinal de contas, qual a razão para alguém fazer o papel de bandido? Enfim, todo mundo era bom na minha visão, apesar de existir gente que comete alguns pequenos erros de vez em quando. Aos poucos, porém, fui entendendo que a vida muitas vezes leva o ser humano a caminhos errados e os papeis de vítima e carrasco se confundem em uma mesma pessoa. Produto do meio – já ouviu essa expressão? Entendi que uma criança que é espancada desde o berço, que tem os piores exemplos em casa e cresce em meio a uma comunidade violenta pode se tornar um adulto ruim, sem que tenha planejado esse destino por um só segundo de sua vida. Mas, os anos vieram e comecei a perceber que a minha teoria para a maldade como produto do meio não funcionava para certas pessoas, pois elas tinham crescido em bons lares, com exemplos saudáveis e cheios de oportunidades, mas ainda assim se degeneravam. Concluí que só podia ser produto da ambição desmedida, aquela que faz a pessoa desejar doentiamente ter mais dinheiro, mais poder, mais sexo, mais tudo. Claro, ambição e inveja juntas, já que as duas são condições irmãs da natureza humana.
Foi então que conheci a categoria dos cretinos. Eu sei que a maldade fruto da ambição e da inveja torna uma pessoa absurdamente cretina, mas aqui eu me refiro àqueles que são desagradáveis e maldosos apenas por um prazer mórbido e incompreensível. Não querem o mal de alguém para conseguir dinheiro, um cargo ou uma noitada na cama. Querem o mal porque assistir a outra pessoa sofrer lhes dá prazer. O cretino puro sangue é o sujeito que beira a insanidade, mas não é doente, apenas é mau caráter. Foi com um desses que me deparei outro dia e ele não foi o primeiro que passou pela minha vida. Mas, como eu já tenho meu cretino particular há mais de uma década, acho que evoluí. Às cretinices, respondi com vigor positivo o que merecia ter resposta e todo o resto ganhou apenas meu desprezo e, claro, este texto. Agir assim me fez bem. Os cretinos morrem de câncer, mais dia ou menos dia. Então, não se desespere com eles: deixe apenas que a natureza dê um jeito. Afinal de contas, nenhum cretino merece a sua atenção a ponto de você se desviar do caminho da felicidade.
Alexandre Henry – Escritor
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