A importância do turismo
A tendência é, com o tempo, o homem trabalhar apenas naquilo em que ele não pode ou não quer ser substituído por uma máquina. Acredito também que, em poucas décadas, haverá uma diminuição drástica da carga horária de trabalho, para que todos possam ter um emprego, já que as máquinas farão a maioria das nossas tarefas e não sobrará trabalho para todo mundo se não for reduzida a carga de trabalho individual. Li pensamento semelhante recentemente, na revista Foreign Policy, escrito por James K. Galbraith, no qual ele dizia que “apenas uma pequena fração dos trabalhadores atuais produz coisas. Nosso problema é encontrar um trabalho que vale a pena para as pessoas fazerem, não encontrar os trabalhadores para produzir os bens que consumimos”.
O autor falava da realidade americana, um pouco diferente da nossa. Mas, chegaremos à condição atual dos EUA, país que produz muito conhecimento, com alto grau de automação e que ganha dinheiro principalmente com royalties, direitos autorais e lucros de suas fábricas no exterior. Por duas ou três décadas, creio que ainda teremos que suar muito a camisa, mas isso um dia vai acabar. Uma máquina de cortar cana faz o trabalho de dezenas de boias frias. Técnicas novas de construção civil vão, aos poucos, diminuindo a grande quantidade de serventes e pedreiros. Nas fábricas, mesmo as brasileiras, a quantidade de trabalhadores já caiu drasticamente, por conta da automação. Pergunto: que trabalho vai sobrar para a maioria das pessoas? Resposta: prestação de serviços.
É claro que sempre serão necessários seres humanos para liderar a inovação tecnológica, mas essa tarefa demanda uma pequena quantidade de gente. O que vai ocupar a maioria dos trabalhadores é a prestação de serviços em geral mesmo. Ainda vai levar mais tempo para que uma máquina faça aquele corte de cabelo que você quer, sirva uma bebida na sua mesa, prepare aquela receita maravilhosa naquele restaurante bacana, etc. E, mesmo que uma máquina consiga fazer isso, creio que a maioria das pessoas ainda vai preferir um ser humano como chefe de cozinha.
O Brasil tem futuro nessa área. Com carga de trabalho menor e mesmo padrão salarial, o que vai sobrar para as pessoas fazerem? Lazer, principalmente o turismo. Vi isso em recente viagem a Las Vegas: uma das mais turísticas cidades americanas emprega um batalhão de pessoas em um país que já não tem tantos empregos a oferecer. Assisti a dois espetáculos do Cirque du Soleil e tenho certeza de que robô nenhum nunca vai superar a magia daqueles artistas. O turismo já movimenta muito dinheiro e cada vez mais será um dos principais motores da economia tocada pelas mãos humanas. Com tantas belezas naturais, basta o Brasil aprimorar – e muito – sua infraestrutura turística e teremos boa parte de nosso futuro garantida.
Alexandre Henry – Escritor
www.dedodeprosa.com
Comentários 1
joao roberto machado disse:09/03/11 11:48
alexandre,entrei outro dia,num cinema de Belo Horizonte,devidamente acompanhado,e fiquei vendo uma rebolativa e magrela senhora,diante das cameras.Perguntei ao vizinho que filme era: “”Era o BS.Graças a Deus,foram só cinco minutos,tinha errado de sala.E fui logo ver Jennifer Aniston e Nicole Puzzi,em agradável e antenada comedia americana.Que diferença!!!