Conectados demais
Durante o ano passado, fiquei sem acessar a internet por dez dias apenas. Nos seis primeiros, eu estava escalando o Monte Roraima e não havia sinal algum de telefonia e, mesmo se houvesse, eu estava na Venezuela e não pagaria a fortuna que eles cobram pelo chamado roaming internacional de dados. Nos outros quatro, eu estava pescando no interior da Amazônia e lá também não havia sinal. Nos dois casos, se houvesse, eu teria acessado a rede pelo meu telefone inteligente, mais conhecido como smartphone.
Lembro-me que, na volta do Monte Roraima, havia uma pedra no meio do caminho, mais precisamente entre o meu rim direito e a minha bexiga. Fui internado em Boa Vista, Roraima, com um cálculo renal que só quem já teve sabe como dói.
Consegui viajar na mesma noite para Manaus e, depois, para Porto Velho. Chegando em casa, fui internado novamente. Mas, meu celular foi comigo! Nos intervalos das alucinações por conta da dor desgraçada, eu dava uma acessada básica no meu e-mail e até cheguei a alterar meu status no Orkut, diretamente do leito do hospital. Sim, eu me tornei um viciado. Minha esposa quebrou o pau comigo várias vezes por conta da minha mania de acessar a internet toda hora, principalmente por meio do smartphone.
O que eu fiz? Dei um iPhone para ela e agora ela volta e meia também acessa a rede pelo celular. Não é uma viciada como eu, consegue manter a sanidade mental diante de um aparelho eletrônico com conexão à internet, mas se acostumou a sempre conferir o mural no Facebook, a checar os e-mails, olhar a previsão do tempo ou a cotação da Bovespa.
Se eu regredisse para o nível dela de utilização da rede, já me consideraria curado. Mas, eu e milhões de seres humanos estamos fadados ao vício da conexão permanente e ilimitada. Culpa principalmente desses telefones inteligentes, que cada vez mais ganham espaço em nossas vidas.
Viajo pelo Brasil e pelo mundo e é espantoso como vejo mais e mais pessoas no metrô, nos bares, restaurantes, lojas, museus, enfim, em qualquer lugar, acessando a rede por meio de seus smartphones, iPad, netbooks e outros aparatos. A gente sai à noite, vai a um lugar legal e, logo de cara, já procura para ver se tem sinal de rede sem fio à disposição. Se não tiver, usa a do telefone mesmo. Quando não tem acesso à internet, quase entra em depressão e fica sem saber o que fazer.
Não sei aonde isso vai nos levar. Há um lado positivo, pois o aumento da comunicação sempre traz inúmeros benefícios para a sociedade. Mas, até que ponto não estamos conectados demais? Até que ponto celulares e tablets estão ocupando um espaço exagerado em nossas vidas reais? É um caso a se pensar.
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Lurana Glória Guimarães disse:02/03/11 18:13
Por isso não me sinto retrógrada em não ter iphone, ipad e outras coisas do gênero. Conectar na internet pra mim, só em casa e no trabalho(que é bem restrito) e mesmo assim já me considero viciada, se eu tivesse um equipamento que me permitisse conectar em qq lugar seria bem pior!
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joao roberto machado disse:02/03/11 18:39
Alexander,conselho de Amigo,que não o conhece pessoalmente,mas sou.Encomende,em Belo Horizonte,um refrigerante super vendido,por aqui,chamado Mate-Couro.E,logo depois,exiba,como eu faço há 35 anos,belissimas mini pedras ou rochas,devidamente expulsas do aparelho renal,sem dor!!!
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Jorge disse:13/03/11 18:45
Eu suspeitava já que fosse essa a razão de o amigo ter “saído” do mundo virtual. Eu, em certo momento, não conseguindo controlar a ansiedade de acessar, em face da necessidade de estudar, iria “sair” também. Acabei conseguindo me afastar um pouco, de modo a que não me prejudicasse. Consegui no google o acesso à sua coluna. Arrume no dedodeprosa o direcionamento para o linck atual da coluna. Há vários leitores que liam por ali. Ah, eu me permito ficar fora desse “mundo” dois finais de semana praticamente inteiros por mês, quando vou para minha terra natal e me permito não levar o note. Celular moderno passo longe, por causa disso. Só para efetuar ligações, ver as horas e usar o despertador e a calculadora.
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