A Bruna e o Beira-Mar
Hoje é o dia da ressaca, depois de várias noites de Carnaval. Espero que você tenha se divertido muito, que este feriado tenha sido um dos melhores da sua vida e que você sempre guarde boas recordações dele. Pode ser, porém, que, pela primeira vez na sua vida, você tenha experimentado cocaína, crack ou outra droga do gênero. Se isso aconteceu, sepulte este carnaval e se prepare para passar todos os próximos sem nada disso.
Outro dia, comentei aqui do filme “Bruna Surfistinha”, antes de ele ter sido lançado. Depois disso, fui ao cinema e vi a história da menina que saiu de casa para se prostituir. Uma das partes que me impressionaram foi justamente quando a primeira cafetina da Bruna colocou-a para fora do bordel, juntamente com outra prostituta, porque encontrou cocaína na casa e as duas assumiram que o pó era delas. Imagine o quanto da vida não conhece uma cafetina! Uma mulher que vive de uma atividade ilícita, que corre riscos todos os dias, que lida com gente de tudo quanto é tipo: pode ter certeza que se uma pessoa dessas te fala que algo não presta, ela sabe o que está dizendo. E se a cafetina expulsou a sua melhor garota porque ela tinha levado cocaína para dentro da casa, é porque o negócio não compensa mesmo. Maior prova disso, e acho até que já chegamos a falar desse caso aqui, foi o fato de o Fernandinho Beira-Mar ter mandado seus capangas dar uma surra em seu filho, quando descobriu que ele estava usando drogas. Mais do que isso: o Beira-Mar pagou um tratamento em uma clínica para seu filho largar o vício! Se um dos maiores traficantes do mundo acha que cocaína e crack não valem a pena, será que compensa mesmo você continuar usando essas porcarias depois do Carnaval? O crack, então, esse nem se fala! Certa vez, conversei com um ex-presidiário e ele me disse que, dentro da cadeia, o preso que é viciado em crack é discriminado pelos próprios colegas de cadeia. A droga é tão poderosa que acaba fazendo o sujeito perder ainda mais a linha, furtando outros presos para bancar seu vício. Voltando à Bruna Surfistinha, o que arrebentou com ela no final das contas? Quem fez a menina deixar de ser uma das prostitutas mais famosas, que mais ganhava dinheiro em São Paulo, para fazer programas em puteiros vagabundos, a troco de uma miséria? A cocaína.
Então, meu caro e minha cara, se neste Carnaval você enfiou o pé na jaca e acabou consumindo alguma droga, respire fundo e prometa a você mesmo que isso nunca mais vai se repetir, porque você não pode ser mais idiota do que uma cafetina ou o Fernandinho Beira-Mar. Se não der conta de largar o vício sozinho, procure ajuda. Só não prossiga nesse caminho ou, talvez, você nem chegue ao próximo Carnaval.
Alexandre Henry
Escritor
www.dedodeprosa.com
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Augusta Balz disse:10/03/11 0:52
Parabens pelo texto!
O alerta tambem e valido para aqueles que praticaram sexo sem protecao. Contrair AIDS, ou mesmo outra DST, acaba com a festa de qualquer Mulher Maravilha.
Augusta Balz__ -
pedro luiz facincani disse:13/03/11 11:29
Excelente seu texto! Um dos melhores que li nos ultimos anos. Abraços e Parabens
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nanda sá disse:22/03/11 15:02
Adorei também, e realmente eu vi o filme não tinha pretado atenção!! texto muito bom*-*
Comentários (3)