Alexandre Henry

Modo de Ver

Modo de Ver A coluna é publicada às quartas-feiras no CORREIO

1/06/2011 6:00

A aldeia tinha trator!

Escritor

Na semana passada, fiz um passeio bacana. Saí de Porto Velho, em Rondônia, e viajei cerca de 330 km até a cidade de Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia. Pegue o mapa e dê uma olhada para você ter uma noção de onde fica. Depois de chegar lá, entrei em uma canoa com motor de 60 cv (no Norte, eles chamam esse conjunto de voadeira) e, com uma equipe da Funai, subi o rio Mamoré.

Mesmo depois de percorrer muitos lugares por essas bandas, continuo impressionado com a sorte que o Brasil teve. A bacia amazônica nasce, em sua maior parte, lá na Cordilheira dos Andes. São riachos que poderiam correr para o Oceano Pacífico, logo ali perto, mas que por obra do destino resolveram correr em direção ao Atlântico e, com isso, formaram o maior ajuntamento de água doce do mundo. Bom para o Brasil!

O rio Mamoré é um exemplo. Nasce da confluência de riachos gerados lá na Cordilheira boliviana e vem descendo, descendo, até chegar ao Brasil e, juntamente com outros rios, formar o Madeira, que é um dos maiores afluentes do rio Amazonas. Nesse nosso passeio da semana passada, viajamos um bom tempo pelo Mamoré e suas águas barrentas. É uma região isolada, com poucos ribeirinhos e várias reservas ambientais e indígenas dos dois lados. Seis horas depois da partida, chegamos a um povoado brasileiro chamado Surpresa, na foz do rio Guaporé com o Mamoré.

A partir dali, continuamos pela divisa, mas agora no rio Guaporé, que nasce em Mato Grosso e tem águas menos barrentas. O encontro dos dois rios é muito bacana e a paisagem às margens do Guaporé guarda inúmeras surpresas, mas o que mais me chamou a atenção, o tempo todo, foram as majestosas samaú-mas, principalmente no lado boliviano. Essa árvore é conhecida como a rainha da floresta e chega a atingir 50 metros de altura. É simplesmente linda e ponto final.

Nosso destino era a aldeia indígena Ricardo Franco. Fui com aquela imagem dos programas de TV, pensando em encontrar índios nus, vivendo em ocas, ainda mais por ser uma aldeia isolada. Encontrei casas de alvenaria, trator, motosserra, posto de saúde, roupas urbanas, enfim, em nada diferiam dos demais ribeirinhos. Sim, sei que ainda há índios pouco integrados no Brasil, mas a maioria é como aqueles ali e a melhor coisa que eu fiz foi justa-mente visitá-los para quebrar os conceitos pré-estabelecidos que eu tinha na cabeça.

Aliás, é por isso que amo viajar, porque a gente muda a cabeça, cresce, rompe preconceitos e aprende a aceitar as diferenças. E, dentro do Brasil, ainda há muitos lugares que os bra-sileiros – principalmente os do Sul e Sudeste – ainda precisam vi-sitar, para aprimorar a visão acerca do próprio país.

Alexandre Henry – Escritor
www.dedodeprosa.com

Comentários (5)

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  1. keila disse:02/06/11 18:01

    nossa muito boa materia…adorei …gostaria d um dia ter este privilegio principalmente pelo contato com a natureza adoro

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  2. Cris disse:04/06/11 17:03

    Nossa, como dá gosto de ler sua coluna. Aguardo todas as semans.

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  3. joao roberto machado disse:05/06/11 11:55

    Alexandre,fale um pouco de Manaus! Belo Horizonte,que se segure,pois em muitas coisas,e no PIB,esta passando a Capital Mineira.Não podem mesmo deixarem, aqueles deputados tão inuteis,que se faça a Separação do Triangulo Mineiro,do resto do Estado de Minas.Aliás,com perdões Há muita gente,como tem “”Resto”" neste nosso Estado…

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    • Alexandre Henry disse:09/06/11 10:32

      Pois é, Manaus é uma cidade diferente. Visitei a capital duas ou três vezes e pude perceber os contrastes. O trânsito é horrível. A herança dos tempos da borracha, principalmente na arquitetura, é divina. E a hidroviária… Essa é muito interessante!

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