X9
Mais uma vez, um crime chocou a cidade. A morte da empresária Jussara Favarini, especialmente pelas circunstâncias em que ocorreu, tornou-se um assunto onipresente e deixou muita gente preocupada e com medo até mesmo de sair de casa. Não dá para entender o ato de tirar a vida de uma pessoa jovem dessa maneira, no auge de sua passagem por este mundo.
Agora, o que nos resta é mais uma vez repensar a sociedade e o combate ao crime, para que tragédias como essa não venham mais a ocorrer. Já escrevi aqui sobre os diversos fatores que colocam o Brasil no topo do ranking dos países mais violentos. Polícia sem recursos e mal preparada, presídios que apenas qualificam o preso para cometer mais crimes, uma distorção das teorias garantistas do Direito Penal, desigualdade social etc.
Mas, ainda não falei de um fato que atinge todos nós desde pequenos: a discriminação contra aqueles que decidem contar algo que foi feito de errado. No Brasil, sobram nomes para essas pessoas: alcaguete, delator, X9, dedo-duro, cagueta, fofoca, falsidade. Você se lembra de quando era pequeno e estava ainda em seus primeiros anos de escola? Alguém pôs um chiclete na cadeira da professora e ela sujou a calça. Mas, teve um aluno que foi lá e contou quem tinha feito a maldade. O que aconteceu com esse aluno? Passou a ser mal visto e criticado não apenas pelos autores da arte, mas por todos os colegas de sala. Motivo? Agiu como um dedo-duro e “isso não é coisa que se faça”!
O que estou falando aqui não tem nada a ver com o caso da Jussara Favarini, mas acaba gerando consequências para muitos outros crimes. O povo brasileiro, sei lá por que cargas d’água, tem a cultura de discriminar quem delata outras pessoas, ainda que essa delação seja por conta do cometimento de uma falta muito grave.
Na maioria dos países desenvolvidos, a situação é diferente. As pessoas são estimuladas, desde novas, a contar para as autoridades – começando pelos professores – o que alguém fez de errado. E não há discriminação por parte dos que estão ao redor, a não ser, claro, daqueles que têm culpa no cartório. Já no Brasil, a criança é ensinada desde pequena a não ser dedo-duro, a não delatar ninguém. Quando cresce, vê o colega de trabalho furtando dinheiro do caixa ou mercadoria da prateleira e não fala nada. Vê o vizinho fazendo um gato na energia e fica calado.
Alguém pode dizer que um delator no Brasil está em maus lençóis, pois as autoridades não dão proteção às testemunhas. Isso pode até ter seu pingo de verdade, mas verdade maior é que a cultura de condenação aos delatores em nosso país existe, é forte e também é responsável pelo alto índice de criminalidade que temos.
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Rafael Skywriter disse:24/06/11 19:49
Caro Henry, Nós precisamos é de JUSTICEIROS de verdade pra resolver o caso do alto indice de criminalidade em nosso país, pois nossa JUSTIÇA é muito falha e insiste em alimentar e colocar de volta nas ruas monstros como os dois assassinos do caso da Jussara.
O x9/cagueta/dedo-duro não resolveria pois logo encontra o proprio velorio, por isso que, em meu ponto de vista, precisariamos de “Justiça com as próprias mãos”. Ou então Policiais com Senso do Dever apurados, veja o exemplo:http://www.youtube.com/watch?v=zYz7KTGn0G4
Obs: Tem que ter conta no YOUTUBE para assistir.
Se fosse assim, Criminosos pensariam muitas vezes antes de fazer qualquer delito. Com uma policia com este senso de dever como a do policial do video, as pessoas não temeriam tanto em realizar denúncias.
É o que eu acho que deveria ocorrer!
Mas muitos crimes não são denunciados também por falta de informação das pessoas, pois temos espalhados na cidade, muitas caixas de Denuncias anonimas (Em nossos Terminais de Onibus tem duas dessas caixas creio eu.) Talvez se tivesse mais estimulo de usar essa ferramenta, contribuiria para diminuir a criminalidade. -
Augusta Balz disse:27/06/11 10:22
Coitado daquele que denuncia alguem nesse pais!
Primeiro problema: a quem denunciar?
Muitas vezes a pessoa que recebe a denuncia já ouviu algo sobre o assunto,mas não fez nada. Algumas vezes isso acontece porque essa pessoa tambem esta comprometida com outras situacoes e não que se expor. Outras, simplesmente porque quer dar uma de bonzinho com todos, afinal nunca se sabe se precisaremos de um favor logo ali.
Segundo: quem ira assegurar a protecao necessaria aquele que fez a denuncia? Na pratica, ninguem. Ter que abandonar a familia para entrar em programa de protecao, mudar de nome, de vida, não e protecao e sim castigo por ter dito a verdade, por ter seguido seus principios.
Após vivenciar algumas situacoes, prometi a mim mesma que, enquanto não possuir um porte de arma, não vejo nada, não escuto nada, não falo nada.
Esse e o nosso pais. Infelizmente. -
joao roberto spini machado disse:27/06/11 17:46
O Skywiter,também Rafael,ou é fanatico pelas violentissimas e americanissimas,series de TV pagas,ou frequentador contumas,dos pontos do jaguncismo eterno,em Goiania ou Campo Grande.Sem duvida alguma!
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joao roberto spini machado disse:27/06/11 17:48
É “”Contumaz”",gente corrigivel.tudo em paz,now…
Comentários (5)