Alexandre Henry

Modo de Ver

Modo de Ver A coluna é publicada às quartas-feiras no CORREIO

13/07/2011 6:13

OAB, meritocracia e você

Escritor

Um dos assuntos mais comentados na semana passada foi o exame da OAB, que apontou um baixo índice de aproveitamento dos estudantes uberlandenses, inclusive da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Cobranças e explicações voaram de um lado para o outro, mas eu não vi ninguém tocar em um ponto fundamental: a culpa dos alunos e dos pais.

Vivemos um momento triste na história da educação brasileira. Embora tenhamos muito a comemorar com a universalização do ensino, o quesito qualidade ainda causa depressão. Em praticamente todos os níveis da educação, professores fingem que ensinam, alunos fingem que aprendem e no final os diplomas ficam lindos, acompanhados de festas de formatura cada vez mais pomposas. Enquanto isso, as grandes pesquisas científicas de valor real continuam sendo produzidas nos Estados Unidos, na Europa e, para nosso desespero, nos demais países emergentes, como a China e a Índia. Culpa de quem? De todo mundo.

Fala-se muito da falta de fiscalização do Ministério da Educação (MEC) e das secretarias de educação, da má formação dos professores, do desestímulo deles diante dos baixos salários etc. Mas, nada se fala dos prejuízos causados por pais superprotetores, filhos supermimados e psicólogos que querem imunizar crianças e adolescentes de qualquer trauma possível. É a revanche do liberalismo na era pós-regime militar. Por que fomos fracos no exame da OAB? Só por que o exame está mais difícil? Balela. Pode até estar, mas ainda não chegou ao nível desejado para verdadeiramente selecionar bons advogados.

Pode apertar mais um pouco que não fará mal algum. Fomos fracos porque as faculdades são fracas? É provável. Mas, o baixo desempenho também pode ser creditado na conta dos pais, a maioria deles, pelo menos, que desde quando o filhinho está nos primeiros anos da escola não briga mais com ele por conta da nota baixa: briga com o professor. O aluno mimado não aprende a estudar, não aprende a ser cobrado, pois teorias distorcidas da área do comportamento humano dizem que cobranças causam traumas e o ensino tem que ser natural, espontâneo, leve… Bobagem! Tem que cobrar resultado, tem que apertar, tem que aplicar prova difícil, pois nenhum país do mundo evoluiu com um sistema de ensino frouxo, no qual quem manda são os alunos e os pais.

É preciso dar valor ao mérito, ou seja, ao sistema da meritocracia. Nada de passar quem não sabe, nada de dar diploma para quem não tem conhecimento ou competência. É bom quem prova ser bom.

Eu acredito nos sistemas de avaliação, como o exame da OAB, o Enem e quaisquer outros que testem os conhecimentos dos alunos. Podem não ser a melhor solução, mas são melhores do que não avaliar os alunos. Chega de passar a mão na cabeça da meninada, de achar que tudo traumatiza. E daí? Ninguém é completamente feliz sem alguns pequenos traumas na infância e na adolescência.

Comentários (18)

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  1. Aline Siqueira disse:13/07/11 8:53

    Também creio que é melhor um sistema de avaliação falho que avaliação nenhuma.
    Quanto aos pais desleixados ou superprotetores, estes não tardam a colher os frutos de sua imprudência. O filho que não aprendeu a se esforçar logo começa a lidar com as frustrações: não passa no vestibular, não passa na OAB, não passa em concurso, não consegue um bom emprego. Nada. Pelo bem ou pelo mal, cedo ou tarde, todos temos que aprender a lei do trabalho.

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  2. Rodrigo Marinho disse:13/07/11 8:57

    Alexandre Henry, parabéns!

    Muito bom texto, reflete todo o meu pensamento, acredito que a meritocracia é o melhor sistema e deveria ser adotado e criar olimpíadas de matemática, física, química, língua portuguesa e etc, estimular o melhoramento e a busca por conhecimento.

    Mas…… parece que isso não é interessante para nossos políticos né?

    Afinal, se assim fosse será que tiriricas da vida seriam eleitos?

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  3. Rodrigo Marinho disse:13/07/11 9:01

    E tinha que ter OMB, ODB, OEB, OCB e etc…

    Acredito que no final todos os estudantes deveriam passar pela uma avaliação geral dos conhecimentos aprendidos no curso, e assim saber se ele está apto a exercer a profissão.

    Pq vou te falar… conheço uns estudantes de medicina, no futuro pensarei 10x antes de uma consulta com eles.

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    • Alexandre Henry disse:13/07/11 18:15

      Rodrigo, concordo com você. Seria muito bom se outras profissões tivessem um exame como o da OAB.

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  4. Helton disse:13/07/11 9:26

    Caro Alexandre,

    Excelente texto. Muito bom.

    Concordo com vc.

    Entendo que a cobrança das avaliações deve ser proporcional à qualidade do ensino do professor.

    Atualmente, os alunos estão mais preocupados com outras questões. Ademais, a OAB aplica provas três vezes por ano, não é?

    Enquanto os alunos e pais não se conscientizarem de que edução tem que ser rígida, que a cobrança é fundamental, não evoluiremos.

    Outro ponto: O que explica então, os 10% dos alunos aprovados?

    Ficaria surpreso se todos tivessem sido reprovados. Aí pensaria que tivesse algo errado.

    Parabéns pelo texto.

    Um abraço

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  5. Lilian disse:13/07/11 10:06

    Excelente artigo! Você falou de um assunto de extrema relevância. Pais e alunos!! Uma dupla que há muito deixou de acreditar no mérito e culpo escola e principalmente professores! Parabéns!

    Lilian

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  6. Leitor A Espera de Resposta disse:13/07/11 13:40

    Concordo em parte com você. Vamos lá: Qual então o segredo, a fórmula usada pelos “relaxados digamos assim, que não estudam o necessário como vc disse, vão para as festas,baladas, etc. e tal, e conseguem passar nos concursos da vida? Será porque são filhos de drs., e pelo ditado filho de peixe, peixinho é, ou tem que ter QI elevado mesmo, ou seja apadrinhamento de intelectuais, politicos, enfim que o indicam? Acredito que a resposta para essa pergunta é a mais difícil de todas…

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    • Alexandre Henry disse:13/07/11 18:11

      Olha, eu prestei cinco concursos federais e um estadual. Fui aprovado em todos. Não conheci nenhum colega que não tivesse o nível do resto da turma para desconfiar que pudesse ter passado por conta de QI. Os concursos estão muito sérios, embora eventualmente ainda se encontre uma ou outra falha.

      Também não conheço ninguém que tenha passado nos concursos que fiz sem ter estudado muito. O que acontece é que algumas pessoas conseguem um nível de concentração altíssimo e, por isso, o que estudam em duas ou três horas equivale ao que outras pessoas estudam em dez horas. Por outro lado, vejo muita gente fingindo que estuda. Fica o dia inteirinho no quarto com os livros, mas ao mesmo tempo a internet está ligada no MSN, Facebook e o “estudante” está sempre atento para ver quem está online ou para ver se não chegou nenhum e-mail ou mensagem nova. Isso é fingir que estuda.

      Enfim, a resposta para a sua pergunta não é tão difícil. Fora os (hoje) raríssimos casos de fraude em vestibulares e concursos, quem passou é porque tem uma boa cabeça e, principalmente, pôs ela para funcionar, estudando para valer. Quem não passa é porque: 1) ainda não estudou o suficiente; 2) está estudando errado; 3) não está estudando, mas fingindo; 4) não tem perfil para passar em provas, especialmente nos casos em que a inteligência é voltada apenas para outras áreas não menos importantes (como para os esportes e artes); 5) tem problemas na hora da prova, como nervosismo excessivo (o jeito é procurar tratamento).

      É isso o que eu penso.

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  7. Hugo Cesar Amaral disse:13/07/11 16:20

    Ótima análise. A reprovação na OAB somente revela a lerdeza dos estudantes de direito! Que a OAB continue livrando a sociedade de maus profissionais!

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  8. joao roberto spini machado disse:16/07/11 9:39

    Sei que,no meu tempo,na Faculdade de Direito de Uberlandia,do grande Dr.Jacy de Assis,passavam todos nos exames da OAB belorizontina,sem maiores problemas.Agora,nos Tempos Modernos de Uberlandia,todos estão SiUFUdendo nas novas Normas,Lições e novos Titulos de uma Universidade que não ocupa os melhores lugares,no conceito de outras Universidades situadas aqui em Minas,não sei por que…

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    • Picolino - Uberlândia - MG disse:16/07/11 13:00

      Meu caro João Roberto, aproveitando o seu comentário, se o ilustre colunista Alexandre Henry permitir, gostaria de fazer um destaque especial aqui nesse espaço ao Dr. Eliseu Marques de Oliveira ex-presidente da OAB de Uberlândia e atual vice-presidente da OAB de Minas, na minha opinião, um dos melhores presidentes que a OAB de Udi já teve. Fez um trabalho sério, prestou relevantes serviços à comunidade, tanto é que foi eleito para BH. E graças a Deus que o atual presidente da OAB Dr. Egmar S. Ferraz também está fazendo um ótimo trabalho em beneficio da classe de advogados de Uberlândia. Com certeza ambos poderão ajudar muito a nossa querida UFU. Abraços.

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  9. Arielle Cristine disse:18/07/11 18:32

    Concordo em parte, não é somente isso que tem impacto na vida de uma pessoa passar ou não em um concurso ou em outra prova qualquer. Existem outros fatores psicopedagógicos que devem também ser levados em consideração. Não podemos ser extremistas excluindo teorias psicopedagógicas, esta questão é muito complexa para se restringir em meros culpados ou não.

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    • Alexandre Henry disse:20/07/11 0:07

      Realmente, a questão é complexa. A minha intenção principal não foi reduzir o problema às falhas dos pais e dos alunos, mas chamar a atenção para o fato de que pais e alunos também são responsáveis pela situação atual da educação no Brasil.

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  10. CLAUDIA COUTINHO disse:17/08/11 19:48

    Alexandre,

    Parabéns por creditar na conta dos pais a má educação da nova geração. Os pais não cobram mais a educação dos filhos, prejudicando o futuro de uma nação e ainda culpam o sistema, a segurança, a escola e principalmente os professores. A sociedade não suporta mais a falta de respeito das pessoas que priorizam o TER em relação ao SER.

    Abraços,

    Cláudia Coutinho
    Presidente do CME/ACIUB
    Conselho da Mulher Empresária

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    • Alexandre Henry disse:17/08/11 22:04

      Cláudia, a cada dia fico mais preocupado com a omissão dos pais. Não fazem sua parte e ainda colocam a culpa em terceiros.
      Obrigado por prestigiar a coluna Modo de Ver!

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  11. Shen Rochus Mingli disse:22/08/11 9:35

    Concordo em gênero, número e grau! As provas da Ordem não estão para garantir uma reserva de mercado, mas para proteger a sociedade de maus profissionais. Essa prova não é difícil, exige tão somente o mínimo. E que não garante que será um bom profissional. Deveria ser ainda mais difícil; se não há distinção entre magistrados, promotores e advogados (em tese), os métodos de admissão para advogados deveriam ser igualmente difíceis. Enquanto existem movimentos para destroçar a “famigerada prova”, outras profissões, como Medicina, planejam fazê-lo. Ainda, modernamente essas modernas teorias psicopedagógicas estão sendo severamente criticadas (talvez pela formulação ou execução desastrada). Deveria ainda haver um controle mais sério emm relação à profusão de “IES”, muitas são “arapucas”, que não “universalizam a educação”, com o fito apenas do lucro à custa de incautos. É um absurdo que existam profissionais com pós-graduação que cometam sérios deslizes ortográficos. Uma síntese: Perguntei à minha filha porque ela não estava estudando, eis que respondeu:
    - Estudar pra quê? Estudar é pra otários, o Unic…. (faculdade particular inchada e notória por não possuir critério nenhum para o ingresso)taí mesmo. Detalhe: nunca leu um livro na vida e está para se formar. No mais, assombra-me a incrível inteligência e bom senso do autor,com certeza chegará ao Supremo.

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  12. Pedro almeida junior disse:06/09/11 23:30

    Vc é uma pessoa muito ingênua e influenciável, provavelmente leu a matéria da Veja falando bem do exame OAB e já viu… Meu queridinho intelectual, a graças à pessoas sugestionáveis como vc que o brasil tá o que é hje.

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    • Alexandre Henry disse:07/09/11 9:42

      Pedro, duas coisas. Primeiro: não costumo ler a Veja, pois ela não passa de uma porta voz do PSDB. Segundo: minha opinião favorável ao exame da OAB é proveniente ao meu contato diário com advogados, pois sou Juiz Federal. Sei bem o que a ausência do exame da OAB causaria.

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