O gordinho e a turma
Certa vez, um gordinho entrou na escola depois do início das aulas, quando avançava o segundo bimestre. Situação difícil, pois as panelas já estavam formadas, ele era de outra cidade, não conhecia ninguém ali e, azedando tudo, sua aparência não era das melhores: estrábico desde a infância, tinha também um problema de visão que o obrigava a usar óculos com lentes absurdamente grossas.
Os primeiros instantes na escola foram desanimadoras: seu pai insistiu em levá-lo até a porta da sala, para “dar uma força”, mas o velho era uma figura exótica, vestido de forma engraçada e com uma pança gigante. Imagine só! Quando o gordinho foi entrar na sala, não teve ninguém que não reparasse na dupla. Ele então se sentou na terceira fileira, lá atrás, diante de alguns risinhos inevitáveis.
Logo, a aula começou e a turma voltou sua atenção para o professor de matemática. Trinta minutos depois, porém, alguém tacou um papel e ele entendeu ser um bilhete. Abriu e leu a mensagem: “O Ministério da Saúde adverte: excesso de banha pode fazer a carteira quebrar”. A risada foi geral, especialmente da turma de cinco garotos no fundão. Era o teste que ele esperava.
Abaixou a cabeça, enquanto as risadas prosseguiam, pegou o pedaço de papel, sua caneta e escreveu do outro lado uma mensagem. Aproveitou uma distração do professor e tacou o troço de volta, provocando um burburinho de curiosidade. Outra risada coletiva então explodiu na sala e dessa vez a aula foi até interrompida com um sermão sobre bom comportamento. Passado o puxão de orelha, o gordinho só olhou para o lado, deu uma risadinha e cochichou alguma coisa para os garotos.
Outra explosão de risos e outro sermão. Depois disso, as coisas transcorreram tranquilamente até o final do segundo horário, quando chegou a hora da aula de educação física. Ele então se ajeitou em um calção tamanho GG, amarrou o tênis e foi para o meio da quadra, onde os times de futebol estavam se formando. Era certo que ninguém iria querê-lo, mas cinco minutos depois, ele estava defendendo o gol justamente do pessoal que havia mandado o bilhete para ele. Na semana seguinte, já era amigo de todos e fazia parte da turma mais animada da sala, que compareceu em peso à sua festa de aniversário, aproveitando o churrasco que seu exótico pai fez.
Não, essa não é uma história de ficção, é só uma história diferente das milhares que acontecem todos os dias, nas quais gordinhos, baixinhos e tantos outros com alguma característica peculiar viram alvos de chacota e são excluídos da turma. A diferença? O que ele escreveu no bilhete, o que cochichou para os garotos logo após a bronca do professor e o os argumentos que usou para convencer o time a deixá-lo jogar no gol. Não vou contar o que ele disse em cada uma dessas situações, pois acho que você é capaz de imaginar.
Alexandre Henry – Escritor
www.dedodeprosa.com
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Gabriela disse:14/08/11 18:10
Aii como assim ? Eu não sei o quwe ele escreveu !?
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Joao Roberto Spini Machado disse:05/09/11 11:19
Signore Escritore Alessandro Erico.Yo no há entenduto sua laboriosa,farrabuta,sbaglione,me-ssage.Algo del Sargento
Garcia,oposto amoroso del Zorro??? -
margarete siqueira disse:19/11/11 11:49
oi ale, espero que nao s e importe com a intimidade pois e assim que me refiro a vc quando leio sua coluna e comento com uma amiga e reccomendo a outras kkkk
nesse coluna em esepcifico eu confesso que fiquei descepcionada com a falta do qu estaria escrito no bilhete por mais que eu faça ideia do que estaria la escrito, gogostria que vc tivesse
Comentários (5)